O Assobio da Cobra
Toda a acção decorre num espaço fechado cuja atmosfera tresanda a álcool, suor e tabaco. Pode ser um Bar com música ao vivo, um Cabaret, uma casa de putas ou um pouco de tudo isto com uma pitada de mau-gosto e um ar ligeiramente decadente. Ou seja, não é um local da moda!Este local, “habitado” inicialmente por 6 personagens, será o “ring” onde conflituam 6 visões diferentes do mundo, cada uma delas transportando um psicodrama identificado. A estas personagens que, por “pertencerem” à casa, se tratam por tu, juntar-se-ão outras duas. Uma, porque se perdeu (A Mulher da Rosa); a outra, porque se quer encontrar (O Homem Diurno).
Aquele pequeno universo, inicialmente estável, apesar de tumultuoso, vê-se assim, com o aparecimento das novas personagens, na necessidade de procurar um novo equilíbrio interno. São 8 personalidades tatuadas por histórias de vida não lineares ou por quotidianos que abominam. Conflituam, interferem, desgastam-se uns com os outros e até se podem apaixonar...Toda a carga de vida que transportam será passada pelas “falas” identificadoras da carga cultural e social das personagens. As canções funcionam na generalidade como complementos da narrativa. Todas as personagens foram desenhadas a “tintas” negras. No entanto, com o desenrolar da trama, o lado “luminoso” de cada uma delas irá surgindo até se revelarem traços de uma humanidade comum.À medida que as histórias, micro-histórias e simples conversas inconclusivas se vão desfiando, criarse- á um processo identitário com a plateia. Todos nós, em algum momento da nossa vida passámos, ou poderíamos ter passado, por aqueles estados de alma. Ou seja, é um pequeno universo com uma “porta de entrada” muito larga e uma “porta de saída” muito estreita.Será o local onde todos os desencontros são possíveis e qualquer encontro a raridade. De todas as paixões e encontros perceptíveis, só uma sobreviverá. É uma paixão improvável entre duas personagens, mas serão estas as únicas duas a encontrar a “estreita” porta de saída.O processo identitário intensifica-se até se consumar na cena final. Todas as personagens regressam à sua condição de actores (pessoas como qualquer um de nós) e cada um de nós assume a possibilidade de ser qualquer daquelas personagens “subindo” ao palco. Ou seja, à Casa Inacabada com Baloiço na Janela.Notas: Para além do pianista, cujo perfil está desenhado, os outros músicos poderão assumir funções suplementares. P. ex: o clarinetista poderá ser o homem que serve ao balcão. Quando toca não há pedidos! Máinada! Isto acentua o lado familiar e rasca do local. As outras personagens, nomeadamente os circunstantes e demais funcionários/as poderão ter uma maior ou menor relevância em função da necessidade narrativa.J. MongeNuma altura em que nos espectáculos e performances se valoriza tudo o que seja light e suave, O Assobio da Cobra pretende ser uma viagem teatral e musical a um mundo de cores carregadas e sentimentos fortes. A um universo de autenticidade - com menos máscaras do que feridas abertas. É uma viagem ao fim da noite, com as suas personagens inequívocas (um sabedor e metafórico homem do balcão, um pintas que se transmuda na mais bonita das mulheres, um cómico incapaz de fazer rir os outros, uma mulher que transporta no ventre um filho e um ninho de incertezas, etc.), interpretadas por um naipe invejável de actores.O local onde se encontram todas estas personagens é uma espécie de bar/cabaret, mas podia muito bem ser um navio – um navio que naufragou e dentro do qual um conjunto de “marinheiros” de diferentes histórias e situações-limite cruza solidões e tragédias. O Assobio da Cobra balança sempre entre a crueza e a crueldade das relações de fim de noite e a poesia e a humanidade que, aqui e ali, as atravessam. Para a dimensão poética e onírica do espectáculo contribuirão fortemente a música de Manuel Paulo e as letras de João Monge, tal como a encenação de Adriano Luz e as coreografias de Marta Lapa.Nuno Costa SantosProdução própriaA partir de canções com letras de João Mongee música de Manuel PauloTexto Nuno Costa SantosEncenação Adriano LuzDirecção Musical Manuel PauloCenografia e Figurinos Nuno Carinhas e Ana VazCoreografia Marta LapaDesenho de Luz José Álvaro CorreiaVídeo Ricardo ResendeAssistência de Encenação Lucinda LoureiroVoz e Elocução Luís MadureiraInterpretação António Durães, Carla de Sá, Diogo Infante, Isabel Abreu, JoãoReis, Lia Gama, Pedro Laginha, Adriana Queirós, Félix Lozano, Isabel Ribas,João Cabral, Patrícia Vasconcelos e 4 actores a designarMúsicosPiano Manuel Paulo, Contrabaixo Massimo Cavalli, Percussão Rui Alves, Sopro Ruben SantosPreços entre 10 e 20 €Bilhetes a 5€ para menores de 30 anos.