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- Helena Vaz da Silva
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 AGENDA CULTURAL 

EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

Resumo
Ciclo de cinema a decorrer de 5 a 8 de Janeiro, no Cinema S. Jorge, em Lisboa.

Descrição

Ciclo de cinema
 
EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

Cinema S. Jorge, Lisboa
5 a 8 de Janeiro de 2008

Do continente e das ilhas, para os quatro cantos do mundo, milhões de portugueses viveram e vivem, ainda, a experiência da emigração. Actualmente habitam fora do território nacional perto de 5 milhões. Este fenómeno, que alguns cientistas sociais consideram estruturante da sociedade portuguesa, convocou, ao longo dos séculos, variadas origens e destinos, assumindo múltiplas formas e diferentes expressões. Só no século XX terão partido, legal ou clandestinamente, cerca de 3 milhões de portugueses. Fora do estrito âmbito académico, a emigração portuguesa excepcionalmente mereceu uma reflexão e um debate alargado na sociedade portuguesa e, não raras vezes, aos protagonistas desta história apenas foi reservado o lugar de espectador de polémicas e desassossegos em torno dos seus retornos.

Nas décadas de 1980 e 1990, a inflexão de sentido dos movimentos migratórios tendo como base o território português e o pasmo provocado pela entrada, em Portugal, de um número expressivo de imigrantes levaram a que, não já só nos fóruns sociais, mas também no meio académico, o tema da “emigração” fosse preterido face às preocupações sociais decorrentes da imigração.

Com este ciclo de cinema sobre emigração, associado à exposição “Traços da Diáspora Portuguesa”, em exibição na Gare Marítima de Alcântara, o Museu da Presidência da República pretende reeditar esta(s) história(s), privilegiando os olhares dos seus protagonistas e dando oportunidade a novas e descontaminadas leituras. 

As narrativas apresentadas neste ciclo estão necessariamente circunscritas no tempo e no espaço - fragmentos de vivências individuais de um fenómeno colectivo, em que cada um se pode rever ou rejeitar. Mas a aparente “historicização” e etnicização do tema não pode fazer esquecer que a emigração continua e recrudesce e que os “novos problemas” são “problemas” antigos e que, falar de emigração ou de imigração é falar também, agora e sempre, de representações sobre a diferença e das desigualdades a que dão origem.

A escolha dos filmes visou, antes de tudo, estabelecer uma ponte com os núcleos apresentados na exposição Traços da Diáspora Portuguesa, o que levou à definição de temas específicos relacionados com a partida, a permanência e a formação de comunidades nos países de acolhimento e os regressos. O ciclo é essencialmente documental, embora em cada tema dominante se apresente um filme de ficção, permitindo uma visão complementar dos assuntos abordados. Para além deste critério procurou-se, na selecção, incluir filmes considerados de referência pelo seu valor histórico, sociológico e antropológico.

Alguns destes filmes são praticamente desconhecidos do público, tendo sido raras vezes exibidos nos circuitos nacionais, facto que por si justificaria a iniciativa. Realizados por artistas de diferentes gerações e formações, alguns dos quais conheceram na primeira pessoa a experiência da emigração, constituem um painel diversificado e abrangente de perspectivas sobre o tema. A par de realizadores conceituados como Paulo Rocha, João Canijo ou Jorge Paixão da Costa, incluíram-se nesta iniciativa filmes de artistas portugueses mais jovens com trabalho reconhecido internacionalmente, como é o caso de João Pedro Rodrigues, ou com trabalhos premiados como Cristina Ferreira Gomes e Nuno Pires. O programa dará ainda a conhecer ao público português os filmes do francês Philippe Costantini, “Pedras de Saudade” e “Les Cousins d’Amérique” e permitirá, ainda, rever os notáveis “Crónica de Emigrados”, de Manuel Madeira, e “O Salto”, de Christian de Chalonge, este último galardoado, em 1968, com o prestigiado Prémio Jean Vigo.


PROGRAMAÇÃO

  • O Salto
    5 Jan | 17h

De Christian de Chalonge
Ficção, França, 1967, 88’
Com Marco Pico, Antonio Passalia, Ludmila Mikael, Henrique de Sousa e António Assunção.
(falado em português e francês, sem legendas)

António é um marceneiro português que, para fugir à guerra colonial e à pobreza, decide emigrar para França, respondendo ao desafio de um amigo. À dureza da travessia da fronteira, somam-se as dificuldades em Paris. Sem documentos, sem trabalho e sem falar francês, António deambula pela cidade em busca de Carlos, o amigo que lhe prometera ajuda. Neste seu percurso solitário, a esperança e o optimismo vão dando lugar à desilusão, sentimento partilhado por muitos portugueses com quem se vai cruzando.

Filme emblemático sobre a emigração portuguesa clandestina, O Salto está imbuído de uma forte carga política e ideológica, fruto do ambiente efervescente vivido em França na época. O crescente fluxo migratório, as condições em que partiam os emigrantes – a pé e em camionetas de carga – e a forma como eram recebidos em França são questões retratadas de forma crua e realista. Com esta primeira obra o francês Christian de Chalonge viria a arrecadar, em 1968, o prestigiado Prémio Jean Vigo.


  • L’Horloge du Village – Pedras de Saudade
    5 Jan | 19h

De Philippe Costantini
Documentário, França, 1989, 75’
(versão original, legendada em francês)

« Un film admirable qui dit bien plus que vous n’auriez osé demander »
André Videau, 1989

« Un document précieux, unique, à valeur sociologique et ethnologique »
Le Monde, 1991

O francês Phillipe Costantini filmou Vilar de Perdizes (Trás-os-Montes) pela primeira vez em 1977 (Terra de Abril). Fascinou-o o isolamento da aldeia e o seu modo de vida ancestral, numa época em que Portugal enfrentava profundas mudanças. Doze anos depois, em 1989, regressa para constatar que muitos habitantes emigraram. Os que ficaram dedicam-se à agricultura ou então à construção das casas desses emigrantes que alteraram progressivamente a paisagem. L’ Horloge du Village - Pedras da Saudade mostra o encontro, durante um verão, entre esses filhos da mesma terra, os que partiram e os que permaneceram, separados agora por mundos diferentes.

Philippe Costantini, sociólogo e etnólogo de formação, discípulo de Jean Rouch (um dos precursores da Nouvelle Vague e um dos primeiros teóricos da antropologia visual) teve o seu primeiro contacto com Portugal em 1974, depois da revolução de Abril. Nessa época, percorreu o país com o Grupo de Acção Cultural, onde acompanhou cantores, artistas brasileiros e intelectuais exilados durante a ditadura. Essa experiência motivou a sua vinda para Lisboa e depois a “trilogia” sobre Vilar de Perdizes, iniciada com Terra de Abril, continuada com Les Cousins d’Amérique (que será também exibido neste ciclo) e finalizada com L’Horloge du Village. Nestes três documentários, Costantini coloca-se na posição de observador, registando o pulsar de uma comunidade que vive o confronto entre tradição e modernidade, no qual os emigrantes tiveram um papel decisivo.

[Comentado por Paulo Filipe Monteiro, sociólogo, professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa]


  • Crónica de Emigrados
    5 Jan | 22h

De Manuel Madeira
Documentário, França, 1979, 135’

“Dramaticamente incómodo, exasperadamente exaltante, perturbadoramente claro. E, talvez, o único filme sobre emigração e emigrantes portugueses”
Diamantino Bravo, 1980

“Autêntico documento histórico de um dos factos mais dolorosos da história recente do povo português”
O Jornal, 1980

Ao longo de dois anos, Manuel Madeira registou o quotidiano dos membros da “Associação Portugal Novo”, constituída por emigrantes portugueses residentes em Colombes, uma zona industrial nos arredores de Paris. Recolheu depoimentos nas casas, nas fábricas, nos cafés, nos locais de festa e compôs um retrato da emigração portuguesa, tirado a partir “de dentro”. Enquanto se esforçam por organizar o presente, revelando as suas expectativas, os seus projectos e as suas angústias, os protagonistas desta história reflectem sobre o passado e o regime ditatorial que primeiro os oprimiu, e depois os excluiu.

Manuel Madeira emigrou para França com 25 anos. Trabalhou numa fábrica de automóveis e na construção civil. Uma breve passagem pela Cinemateca Francesa fez nascer o interesse pelo cinema, tendo frequentado a Escola Nacional Superior de Cinema de Lodz (Polónia) e a Escola Superior de Belas-Artes de Paris. O seu primeiro filme, uma curta-metragem intitulada “O Circo” (1971), mereceu honras de exibição no Festival de Cannes. Desde então trabalhou em diversos projectos para cinema e televisão, destacando-se o programa Mosaïque, dedicado aos emigrantes. Crónica de Emigrados, a única longa-metragem por si realizada, é uma produção independente que tem sido exibida em ciclos e festivais de cinema, sobretudo em França.


  • Carta de Chamada
    6 Jan | 17h

De Cristina Ferreira Gomes
Documentário, Portugal, 2004, 62’

“Carta de Chamada fica como um marco na linha de documentários que a RTP1 tem vindo a apresentar”.
Eduardo Cintra Torres, 2005

Uma velha fotografia a preto e branco, tirada a bordo do navio Giovanna C. em 1952, foi a pista que colocou a realizadora Cristina Ferreira Gomes no encalço de uma geração de portugueses emigrantes no Brasil. Fernanda Rodrigues é a guardiã dessa imagem. Está aí retratada, com nove outras pessoas, junto de uma bóia de salvação. Na mala, ela e outros portugueses levavam a “carta de chamada”, um documento oficial, obrigatório para todos os que pretendiam viver e trabalhar no Brasil. O filme procura, 50 anos depois, descobrir o que foi feito daqueles rostos e dos sonhos que transportavam.

[Apresentação pela realizadora]


  • Uma Vida Nova
    O país aonde nunca se regressa
    6 Jan | 19h

Nesta sessão apresentam-se dois filmes que versam o mesmo tema: o regresso dos emigrantes ao seu país de origem. Se para uns é um sonho sempre adiado, para outros é uma realidade, mas nunca uma questão pacífica ou consensual. Dois realizadores de diferentes gerações testemunham e reflectem sobre esse facto a partir da sua experiência pessoal e familiar. Um deles, o mais novo, regressou a Portugal onde vive e trabalha. O outro vive em Paris e sabe que nunca voltará.

Uma Vida Nova
De Nuno Pires
Documentário, Portugal, 2006, 24’

“Os meus pais sempre disseram que queriam regressar a Portugal. Quando esse momento chegou, não pude fazer outra coisa: gravar e aproveitar esta ocasião única para que eles me contassem a história da sua chegada a França. Este filme é sobre um casal, mas é também uma parábola para falar de toda a comunidade portuguesa em França.”
Nuno Pires, 2006

Na década de 1970, José e Guiomar foram para França “a salto”. Ainda não tinham 20 anos, nem falavam uma palavra de francês, mas estavam determinados a melhorar a vida. Trinta anos depois decidem regressar, no encalço dos filhos que escolheram Portugal para viver. Retrato intimista do diálogo entre gerações, Uma Vida Nova é, simultaneamente, um testemunho de grande valor sociológico no que concerne à emigração e à integração da comunidade portuguesa em França. 

Nuno Pires nasceu em Fontainebleu, nos arredores de Paris, em 1982. Com apenas 18 anos foi galardoado com o “Prix du Jeune Ecrivain”, atribuído à sua novela Histoire(s). Frequentou o curso de Cinema na Universidade Sorbonne Panthéon e trabalhou como assistente de realização em diversas curtas-metragens. Uma Vida Nova, a sua primeira obra como realizador, foi agraciada com uma Menção Honrosa na edição de 2006 dos Caminhos do Cinema Português, "pela forma simples e emotiva com que abordou o tema", e com o “Special Prize to Best Documentary Film” no Golden Gate Fiction & Documentary Festival 2006. Vive actualmente em Lisboa e prepara a sua primeira longa-metragem.

[Apresentação pelo realizador]

O país aonde nunca se regressa
De José Vieira
Documentário, França, 2005, 52’

“Partir, chegar, regressar – eis o sonho de todo o imigrante. Mas com o tempo, esse sonho dilui-se na imigração. E se o dia da partida chegar, se chegar, há uma segunda ruptura, uma readaptação ao país de origem que não é de maneira nenhuma aquele que se deixou”
José Vieira, 2005

A partir da sua experiência familiar, José Vieira aborda uma das expectativas mais comuns do imaginário dos emigrantes: o regresso. Para a maioria, o regresso será sempre um sonho adiado. Mas há os que voltam, como o seu pai que, após 16 anos em França, retorna à sua terra natal, descrevendo o momento da emigração como “o erro da sua vida”. Para outros protagonistas deste filme, contudo, o erro está em voltar a uma terra que já não reconhecem como a sua e que não é, decididamente, a mesma que deixaram.

José Vieira nasceu em Oliveira de Frades e partiu para França em 1965. Tinha então sete anos. A sua experiência pessoal como emigrante e as muitas histórias que foi ouvindo de outros emigrantes são a base do seu trabalho mais recente como realizador. Vive e trabalha em Paris.


  • Ganhar a Vida
    6 Jan | 22h

De João Canijo
Ficção, Portugal, 2001, 115
Com Rita Blanco, Adriano Luz, Teresa Madruga, Alda Gomes, Olivier Leite, Maria David, Yvette Caldas, Jinie Rainho, Adélia Baltazar e Luís Rego.

A realidade dos emigrantes em França, tratada por João Canijo como nunca antes o cinema português ousara (...) Rita Blanco oferece-nos uma interpretação vigorosíssima.”
Jorge Leitão Ramos, Expresso

Cidália tem 36 anos, é portuguesa e vive com a família num bairro dos arredores de Paris. A sua vida corre monotonamente no seio de uma comunidade fechada sobre si própria e resume-se a trabalhar para juntar dinheiro. Até ao dia em que, numa rusga, a polícia mata o seu filho mais velho. Recusando-se a aceitar as explicações oficiais e contrariando a passividade da sua família, Cidália ganha, na luta que trava contra tudo e todos, um novo sentido para a vida.

Ganhar a Vida é a quarta longa-metragem de João Canijo (antecedida por Três Menos Eu, 1987, Filha da Mãe, 1990 e Sapatos Pretos, 1998) e mereceu honras de exibição em Cannes na secção “Un Certain Regard”. O projecto inicial, nas palavras do realizador, “era quase um manifesto anti-mesquinhez e provincianismo português mas (…) acabou por ser uma homenagem muito sentida à comunidade portuguesa imigrante em França.” 


  • A Fotografia Rasgada
    7 Jan | 17h30

De José Vieira
Documentário, França, 2002, 52’

Nos anos 60 quem emigrava clandestinamente recorrendo a um passador, conhecia o código da fotografia rasgada. O passador guardava metade da fotografia de quem emigrava e a outra levava-a o emigrante que, uma vez chegado ao destino, a remetia à família, em sinal de que chegara bem e que poderia ser concluído o pagamento pela sua “passagem”. Partindo da sua experiência como emigrante e das memórias de muitos portugueses que partiram para França “a salto”, José Vieira traça um retrato amargo da história recente de Portugal.

A Fotografia Rasgada, documentário premiado na 9ª edição do festival Caminhos do Cinema Português (Coimbra, 2002), integra um projecto de José Vieira intitulado Gente do Salto que reúne sete curtas-metragens sobre a emigração clandestina e cuja versão portuguesa foi recentemente editada em DVD.


  • Os Devolvidos
    7 Jan | 19h

De Jorge Paixão da Costa
Documentário, Portugal, 2000, 62’

Nos últimos anos, centenas de portugueses emigrantes nos Estados Unidos e no Canadá foram repatriados. Uma vida marginal, ligada ao crime, e o facto de nunca se terem naturalizado no país que os recebeu, fez com que regressassem a uma terra que é sua, mas que não reconhecem. Jorge Paixão da Costa filmou a dura realidade vivida por alguns destes repatriados nos Açores. A solidão, o isolamento e o desenraizamento são condensados por um destes homens numa frase: “É melhor estar preso lá [nos EUA] do que em liberdade aqui [S. Miguel, Açores]”.

[Comentado por Miguel Moniz, antropólogo, professor no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa]


  • Les Cousins d’Amérique
    7 Jan | 22h

De Philippe Costantini
Documentário, França, 1985, 75’

« Terra de Abril, Les Cousins d’Amérique, L’Horloge du Village, composent une trilogie passionnante, un portrait précis, vécu, filmé au quotidien, d’une communauté rurale à la fin du vingtième siècle »
 Le Monde, 1991

« Os Primos da América debruça-se sobre a face lusitana, eternamente latente, de partir para outras terras à procura de melhor sorte”
Diário Popular, 1990

Depois de filmar Vilar de Perdizes em Terra de Abril (1977), Philippe Costantini vai ao encontro de um grupo de naturais dessa freguesia do concelho de Montalegre que emigraram para os Estados Unidos da América. Apesar do esforço de adaptação à nova realidade, os portugueses não deixam de manter hábitos e costumes antigos, como a matança do porco que praticam, clandestinamente, num descampado.

[Comentado por João Leal, antropólogo, professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa]


  • Esta é a Minha Casa
    8 Jan | 17h30

De João Pedro Rodrigues
Documentário, Portugal, 1997, 50’

João Pedro Rodrigues filma a viagem de férias de uma família de emigrantes, os Fundo, de Paris até à sua terra natal, em Trás-os-Montes. Imagens do quotidiano do casal em Paris – ele é sapateiro, ela é porteira – alternam com registos da jornada que fazem de carro pelas auto-estradas de França e Espanha até Portugal e com momentos vividos no decurso das férias.


  • Viagem à Expo
    8 Jan | 19h

De João Pedro Rodrigues
Documentário, Portugal, 1999, 54’

Aquando da rodagem de “Esta é a Minha Casa”, os Fundo revelaram ao realizador a sua vontade de conhecer Lisboa. A capital portuguesa era então presença frequente nos meios de comunicação social em França, em virtude da campanha de promoção da EXPO 98. Um ano depois, nas férias de verão, João Pedro Rodrigues volta a filmar esta família num périplo pelas zonas históricas da capital, pelos arredores da cidade, na visita que fazem à Expo ou ao Estádio da Luz.

João Pedro Rodrigues, realizador dos aclamados “O Fantasma” e “Odete”, regista em ambos os filmes momentos da vida e do quotidiano da família Fundo, assumindo os estereótipos associados à imagem do emigrante.

[Filmes comentados pelo realizador e por Filomena Silvano, antropóloga, professora na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa]


  • Mudar de Vida
    8 Jan | 22h

De Paulo Rocha
Ficção, Portugal, 1966, 94’
Com  Isabel Ruth, Constança Navarro, Geraldo d’ El Rey, Maria Barroso, João Guedes, Mário Santos, Nunes Vidal, António Coelho.

“História da transformação de um homem diante da transformação da terra”
Luís de Pina, 1986

Estreado nas salas nacionais em 1967, Mudar de Vida tem a emigração como pano de fundo. Embalado pela música de Carlos Paredes, conta a história de Adelino, um homem transformado pela guerra de África, onde combateu, e abandonado pela noiva, que o preteriu em favor do irmão. De regresso à sua terra, em Furadouro, perto de Ovar, e à comunidade piscatória de onde saíra, depara-se com um mundo em mudança. A sua perturbação perante as novas realidades é acentuada pelo renascer da paixão quando conhece Albertina, uma jovem de temperamento selvagem e impetuoso que o leva a partir novamente.

Mudar de Vida foi apresentado no Festival de Veneza em 1966. Em Portugal recebeu o Prémio da Casa da Imprensa para Melhor Filme e o 2º Prémio João Ortigão Ramos.



Informações:
Museu da Presidência da República
Palácio Nacional de Belém
Pç. Afonso de Albuquerque
1349-022 Lisboa
Tel. 213 614 660
museu@presidencia.pt
Cinema S. Jorge
Av. da Liberdade, 175
1250-141 Lisboa
Tel. 213 103 400

Bilhetes
Entrada gratuita
Levantamento de bilhetes na bilheteira do Cinema S. Jorge a partir das 13h e até meia hora depois do início da última sessão.

Organização
Museu da Presidência da República

Parceiro
Câmara Municipal de Lisboa
EGEAC, Cinema S. Jorge

Apoios
ICA - Instituto do Cinema
Cinemateca Portuguesa


Tipo de Evento
Cinema - Filmes e Documentários

Web Site
http://www.museu.presidencia.pt

Data(s) do evento
De 05-01-2008 a 08-01-2008
Cinema S. Jorge
Distrito: Lisboa
Concelho: Lisboa

Entidade(s) do Evento
Museu da Presidência da República

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