Um dos mais reconhecidos pensadores vivos – Egdar Morin – marcará presença em Portugal no próximo dia 22 de Maio para participar no colóquio promovido pelo Instituto Piaget, que decorrerá no Campus Universitário de Viseu do Piaget
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Um dos maiores pensadores vivos visita Portugal para falar sobre «inteligência cega»
Edgar Morin em Portugal para discutir futuro da educação |
Um dos mais reconhecidos pensadores vivos – Egdar Morin – marcará presença em Portugal no próximo dia 22 de Maio para participar no colóquio Complexidade, Valores e Educação do Futuro. A iniciativa, promovida pelo Instituto Piaget, decorrerá no Campus Universitário de Viseu do Piaget, e irá reunir cientistas e pensadores portugueses e estrangeiros em torno dos problemas estruturais dos actuais modelos de ensino.
Edgar Morin, com 88 anos, é autor de cerca de duas dezenas de livros (alguns em colaboração com outros autores) entre as quais “O Método”, e continua activamente em busca do verdadeiro sentido da vida, avaliando de forma crítica os actuais sistemas sociais, principalmente em França onde reside, e o papel do homem enquanto impulsionador da ciência e destruidor dos equilíbrios do mundo.
De acordo com Morin, o modelo actual de ensino leva a escola a negligenciar a formação integral e não prepara os alunos para mais tarde enfrentarem o imprevisto e a mudança, factores importantes para o sucesso pessoal e profissional. Por sua vez o autor acredita que a excessiva especialização que se verifica em algumas profissões com áreas restritas de competência induz ao desinteresse cívico por parte do indivíduo.
Tudo isto produz aquilo a que Morin chama de «inteligência cega», isto é, um conhecimento incapaz de gerar uma visão global da realidade. Essa «cegueira» constituiu-se numa ameaça para a sobrevivência da humanidade e para a preservação dos equilíbrios naturais. A ciência e a tecnologia, com os seus benefícios, tornaram-se também em agentes do perigo da eliminação global da humanidade, seja através das armas de destruição massiva, seja através da possível ruptura do ecossistema planetário.
Para este pensador, o paradigma tradicional da simplificação terá que dar lugar a um paradigma da complexidade. Dito de outra forma, temos que passar de um modelo de “hiperespecialização” científica (com custos “dramáticos” para a sociedade) para um outro que integre a várias áreas do conhecimento e permita o diálogo entre elas.
Complexidade, Valores e Educação do Futuro
Hoje vivemos conscientemente uma crise económica mundial. Acumulam-se receios face às mais diversas ameaças globais. Parece não haver um sistema de valores capaz de enquadrar os progressos da ciência e tecnologia e as cada vez mais diversas e rápidas transformações sociais. Anuncia-se a ruptura iminente dos equilíbrios naturais. Não será, afinal, a nossa perplexidade e confusão perante tudo isto, o reconhecimento de uma complexidade de que não soubemos equipar-nos para enfrentar?
É precisamente para nos falarem dos valores e dos princípios educativos que nos permitem enfrentar a complexidade do presente e os desafios do futuro que o Instituto Piaget, no âmbito das comemorações do seu 30º aniversário, convidou Edgar Morin, Clara Costa Oliveira, Françoise Bianchi, Jean-Louis Le Moigne, José Luis Solana Ruiz e Manuel Sérgio a participar o colóquio Complexidade, Valores e Educação do Futuro.
Quem é Edgar Morin?
Nasceu em 1921, em Paris, onde actualmente vive. Obrigado a refugiar-se em Toulouse e Lyon durante a ocupação da França pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial, aderiu à resistência e adoptou o apelido Morin. Desde então, militante comunista, foi afastado de todas as actividades ligadas ao partido pela sua oposição ao estalinismo. Nunca deixou, como independente, de pensar e agir cívica e politicamente ao longo da sua vida.
Formado em sociologia cedo compreendeu a necessidade da integração das diversas áreas de saber. Os seus estudos inter e transdisciplinares foram inicialmente olhados com desconfiança por grande parte da comunidade científica e durante muito tempo não tiveram acolhimento na Universidade. Encontrou, porém, no Centre Nationale de Recherche Scientifique, o “refúgio” onde pôde desenvolver livremente a sua investigação a partir dos anos 50.
O sucesso do seu livro de Le Paradigme Perdu: La nature Humaine (1973) e a profundidade de La Méthode – obra em que trabalhou desde o início da década de 1970 e da qual publicou seis volumes entre 1978 e 2004 – levaram a que a sua crítica do paradigma científico da modernidade fosse levada cada vez mais a sério e que viesse a ser progressivamente reconhecido como o pioneiro e o principal teórico do paradigma emergente da ciência na viragem do século XX para o XXI: o pensamento complexo.
A partir da década de 90 interessou-se particularmente pelos problemas da educação e, os seus pontos de vista, cada vez mais respeitados foram não apenas ouvidos, como solicitados, pelo governo francês e entidades como a UNESCO.
Após décadas de trabalho desalinhado e, muitas vezes, solitário, Morin é hoje considerado um dos mais importantes pensadores vivos. É investigador emérito do Centre Nationale de Recherche Scientifique, Presidente da Associação para o Pensamento Complexo, foi Presidente da Agência Europeia para a Cultura da UNESCO, membro fundador da Academia da Latinidade, co-director do Centro de Estudos Transdisciplinares da École des Hautes Etudes en Sciences Sociales.
É também investigador e membro honorário do Instituto Piaget, que dele publicou Introdução ao Pensamento Complexo, Vidal e os Seus, Terra-Pátria (com Anne Brigitte Kern), Amor Poesia e Sabedoria, Para uma Política da Civilização (com Sami Nair), A Sociedade em Busca de Valores (com Ilya Prigogine et al), Os Desafios do Século XXI, Os Sete Saberes para a Educação do Futuro, Educar para a Era Planetária (com Raul Motta), Repensar a Reforma, Reformar o Pensamento, A Cabeça Bem Feita, Diálogo sobre a Natureza Humana (com Boris Cylrunik), Filhos do Céu (com Michel Cassé) e A Violência do Mundo (com Jean Braudillard).
Informações adicionais em http://30anos.ipiaget.org.