Festival a decorrer de 1 a 26 de julho no Auditório de Espinho.

Auditório de Espinho
A 38ª edição do Festival Internacional de Música de Espinho arranca no dia 1 de julho com o espetáculo “Round M – Monteverdi meets jazz”, uma proposta no mínimo insólita e original: ao “La Venexiana”, grupo de música barroca que nos habituou ao rigor e excelência das suas interpretações junta-se, no programa de estreia do FIME 2012, o jazz. O resultado só poderá ser um concerto surpreendente na sua ousadia e criatividade. No dia 4 de julho, Renaud e Gautier Capuçon, detentores de uma invejável carreira musical (tanto discográfica como em salas de concertos pelo mundo fora), em colaboração com o pianista Frank Braley, apresentarão um programa variado e aliciante que começa com Schubert e termina com chave de ouro com o trio “Arquiduque” de Beethoven, afirmando-se como grandes intérpretes neste género musical – a música de câmara.
O FIME prossegue no dia 7 de julho com um concerto em que Radovan Vlatkovic, que é solista em praticamente todas as obras, revelará toda a sua versatilidade, musicalidade, domínio técnico e solidez, que fizeram dele um dos maiores trompistas mundiais. Na obra de Britten terá também a colaboração do destacado tenor Fernando Guimarães num concerto em que o maestro Luís Carvalho se estreia na direção da Orquestra Clássica de Espinho. Com o quarteto Trompas Lusas, Radovan Vlatkovic apresentará ainda a estreia mundial da obra “Voo aos ventos”, para trompa solo e quarteto de trompas, de Eurico Carrapatoso. No dia 10 de julho, o FIME 2012 recebe Uri Caine, um pianista cuja carreira tem percorrido linguagens bastante distintas ao longo dos anos. Ora no jazz, ora na música klezmer, passando por Mahler e pelas Variações de Goldberg, o norte-americano soube sempre retirar o melhor de cada género sem nunca deixar de aplicar o seu toque subversivo e peculiar. Em Siren, o seu último disco, Uri Caine dá o seu contributo e resposta aos grandes trios de jazz com piano. Neste concerto apresentar-se-á com John Hebert no contrabaixo e Clarence Penn na bateria.
No dia 13 de julho, o FIME receberá o violoncelista francês Romain Garioud, que não é propriamente um desconhecido do público do Auditório de Espinho. Presente em vários festivais, a solo, em música de câmara ou com orquestra, vem, desta vez com o FIMEnsemble, mostrar a sua mestria tanto no domínio do instrumento como na entrega à música que apresenta. Assinale-se que será a sua estreia com a sonata para violoncelo e piano de Luiz de Freitas Branco, com o pianista francês Laurent Wagschal. No dia seguinte, 14 de julho, Gabriela Montero apresenta-se no FIME para mostrar que não é uma pianista qualquer: o modelo de concerto que apresentará no FIME é o que tem vindo a fazer ao longo da sua carreira. Poucos pianistas atuais se sujeitarão a esta prova: improvisar sobre temas dados pelo público. A sua simpatia e comunicabilidade contribuirão para que todos se sintam motivados a participar. Chopin e Ernesto Lecuona, compositor cubano, completam o programa.
No dia 15 de julho, o FIME apresenta o primeiro de dois momentos do Festival Júnior. Alexandre Delgado (narrador), Bruno Belthoise (piano) e Christina Margotto (piano) apresentam duas histórias de encantar, uma delas bem conhecida (Hänsel & Gretel), que nos serão contadas pelo compositor Alexandre Delgado e com bonitos e apropriados apontamentos e ilustrações musicais interpretados por dois pianistas num só piano. No dia 18 de julho, na sequência de festivais anteriores, prossegue a série “Música e humor” com a Banda Osiris, conhecido quarteto instrumental italiano formado por saxofone soprano, dois trombones e tuba, que vem, com os seus gags únicos e imprevistos, apresentar um dos seus originais e invulgares espetáculos. No segundo espetáculo do Festival Júnior, no dia 22 de julho, João Tiago Magalhães (piano), Mário João Alves (tenor) e José Lourenço (tenor) apresentam “O QUE É UMA ÁRIA?”, um espetáculo que começa por ser um desvario de rebarbadoras e berbequins manejados com musicalidade pelo escultor João Figaro e que tudo fará para que, no final, haja reposta na língua (e na corda vocal!) à pergunta que se impõe: “O QUE É UMA ÁRIA?”.
No dia 24 de julho, Sergey Khachatryan, violinista internacionalmente reconhecido, apresenta-se no festival em colaboração com Lusine Khachatryan para apresentar três sonatas para violino e piano de Brahms. Ingredientes mais do que suficientes para garantir que esta noite fique para sempre registada na história do FIME. No dia 26 de julho, a Orquestra Clássica de Espinho e o maestro Pedro Neves encerram o festival de 2012. Será um concerto com dois instrumentos solistas improváveis – harmónica (Philip Achille) e bandoneon (Per Arne Glorvigen) - com obras que, embora raramente ouvidas, foram escritas por compositores de primeira grandeza e tocadas por dois aclamados artistas. A música sul-americana é aqui representada por Villa-Lobos e Piazzolla.
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