À M A N H Ã
TEXTO ORIGINAL DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO ENCENADO POR NATÁLIA LUIZA E MIGUEL SEABRA TEATRO MERIDIONAL EM CO-PRODUÇÃO COM O SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL
Razões deste À Manhã
Foi em resposta a um convite do Teatro Municipal S.Luíz - na pessoa do seu Director, Jorge Salavisa - que o Teatro Meridional empreendeu o feliz desafio de trabalhar com um autor português – José Luís Peixoto.De reflexão conjunta nasceram os pressupostos que nortearam este projecto: falar e estar no mundo ainda rural do Sul de Portugal, numa aldeia pouco contaminada pelos urbanos valores e sem lugar exacto no mapa, habitada por cinco pessoas em idade maior, e procurar olhá-las em pequenos fragmentos do quotidiano para que os pudéssemos encontrar em várias dimensões do espaço e do tempo. Eles têm histórias feitas de encontros e despedidas, de segredos, o tempo para todo o silêncio, afectos tantos, as memórias que se cruzam criando paisagens, e confrontam-se no mundo das suas múltiplas sabedorias e no espaço do conflito da imperfeição. Perguntam-se também porque vivem, como caminham e o sentido desse caminho. O que é chegar? O que é partir? O que os faz acordar reinventando a alegria do dia que nasce com eles?Assumiram-se também causas que percebemos ser nossas, da língua portuguesa: pôr no palco, na linguagem das personagens, um léxico regional que gradualmente se extingue, e as palavras vestidas dessa música que sabemos ser do sul. Para a respeitar, homenagear e fixar no corpo dos actores, no público que a recebe.Depois, encontrar a narrativa cénica justa para além das palavras, para Além do Tejo, na multiplicidade de caminhos e atalhos que cruzam o texto e, em que algures neste lugar, se cruzaram cúmplices numa comédia de enganos, Tcheckov e Beckett e José Luís Peixoto e o Teatro Meridional, e onde, subjacentes ao humor, as personagens estão sós na metáfora de um lugar que se extingue. Eles têm-se uns aos outros, teimando a esperança de aguardar a chuva, mesmo quando as oliveiras já não mostram folhas. Eles têm-se uns aos outros, mesmo que o homem do peixe pareça ter-se esquecido deles ali, e os filhos tenham todos partido para as grandes urbes à procura de uma vida melhor, esmarrindo-se com trabalhar.Eles são os pais. Os filhos somos nós.
Natália Luíza Miguel Seabra
Sobre este Texto
A gente éramos os cachopos que andávamos a correr pelas ruas. Eles aproximavam-se e diziam: pega lá este rebuçado. A gente não éramos capazes de imaginar o significado das veias grossas nas costas das suas mãos, ou das pregas dos seus rostos, aráveis como terra. Noutros dias, eles chamavam-nos e perguntavam: quem é que é o teu pai? E arrelampavam-nos com histórias que se tinham passado nas ruas onde corríamos a nossa infância. Para a gente, os nossos pais eram velhos. Eles eram os pais dos nossos pais. E viviam. E vivem.
José Luís Peixoto
Ficha Artística e Técnica
Autor: José Luís PeixotoDramaturgia: Natália Luíza Encenação: Natália Luíza e Miguel Seabra
Interpretação:Carla Galvão (Ti Masha)Carla Maciel (Ti Irininha)Paula Diogo (Ti Olga)Pedro Diogo (Ti Vlademiro)Romeu Costa (Ti Estragão) Cenografia: Rui FranciscoFigurinos: Marta CarreirasMúsica Original: Fernando MotaDesenho de Luz: Miguel SeabraFotografia de Cena: Rui Mateus/Patrícia PoçãoAssistência de Encenação: Maria João MachadoDireção de Cena: Marta Pedroso (Teatro Municipal S. Luiz)Estagiária Dir. Cena: Silvia Lé (Escola Superior de Teatro e Cinema)Realização de Figurinos: Catarina Santos e Rosária RatoMontagem de Cenografia: Alexandre AraújoCoordenação de Montagem e Operação de Luz: José RodriguesConsultadoria Jurídica: Diogo Salema da CostaProdução Executiva: Jorge Sousa Coordenação de Produção: Mónica Almeida
Co-Produção: Teatro Meridional - Associação Meridional de Cultura, Teatro Municipal S. Luiz - E.G.E.A.C.
O Teatro Meridional / Associação Meridional de Cultura é uma estrutura financiada pelo MC/IA e apoiada pela C.M.L.
Espectáculo para M/12Para mais informações por favor consultar www.teatromeridional.net
Sala Principal do São Luiz Teatro MunicipalJaneiro - Dias 19, 2O, 21, 25, 26, 27 e 28: 21h00 / Dias 22, 29: 17h3OFevereiro - Dias 1, 2, 3 e 4: 21h00 / Dias 5: 17h3O