Museu Britânico abre ao público
Quando o Parlamento de Inglaterra decretou, a 7 de Junho de 1753, que se encontrasse um edifício que pudesse acolher a inesperada colecção de um cientista e físico, Sir Hans Sloane (1660-1753), que a tinha doado ao Estado sob a contrapartida do pagamento de 20 mil libras aos seus herdeiros, não imaginava que estaria a fundar uma das instituições que mais viriam a marcar a vida cultural de Londres, e não só - o Museu Britânico.
Curiosamente, e como aconteceu muitas vezes na História de Inglaterra, a decisão do Parlamento veio contrariar a disposição do rei Jorge II, que inicialmente não se tinha mostrado sensibilizado para a aquisição dos mais de 70 mil objectos, livros e espécies ervanárias que constituíam o espólio de Sloane. Mas, quatro anos depois - e seguindo o registo do site do próprio museu -, o mesmo monarca haveria de doar à nova instituição a velha Biblioteca Real. Foi com estes dois núcleos iniciais que o Museu Britânico abriu as portas a 15 de Janeiro de 1759, nas instalações da Casa Montagu, do século anterior, já na zona de Bloomsbury, onde se encontra o edifício actual (na foto a recente intervenção do arquitecto Norman Foster), que abriria em 1852.
Com o tempo, o museu foi acumulando doações e aquisições: o primeiro núcleo de vasos gregos, do coleccionador Sir William Hamilton, entrou em 1772, e, no início do século seguinte, foram recolhidas peças que viriam a marcar o ADN do Museu Britânico, como a Pedra de Roseta e outras antiguidades do Egipto (1802), ou os mármores de Elgin retirados do Pártenon de Atenas (1816).
Simultaneamente, o museu ia promovendo e patrocinando as suas próprias expedições em busca de "conteúdos" um pouco por todo o mundo, em especial aos territórios e civilizações sob o domínio da coroa britânica. E os londrinos começaram a fazer filas para verem esses "tesouros" exóticos. No início, eram cinco mil visitantes por ano, actualmente chegam aos cinco milhões.
in Jornal Público | 15 de Janeiro de 2009
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