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Exposições

Da Coleção de Serralves no Palácio da Bolsa: João Vieira

Exposição realizada a partir de obras da Coleção de Serralves, a ser apresentada no Palácio da Bolsa, no âmbito de mais uma iniciativa da parceria entre a Fundação de Serralves e a Associação Comercial do Porto, sua fundadora.

12 Mai a12 Set

Palácio da Bolsa
Rua Ferreira Borges, 4050-253 Porto

Iniciada em 2016, esta iniciativa tem permitido a experiência de exibir obras da Coleção de Serralves nos interiores do histórico Palácio da Bolsa. É a sexta apresentação neste âmbito, depois da obra Gate [Portão], de Monika Sosnowska, em 2016, da exposição de escultura “A Coleção no Palácio da Bolsa: Ângelo de Sousa, João Machado e Zulmiro de Carvalho”, em 2017, "Atoms Outside Eggs" [Átomos fora de ovos], de Katharina Grosse em 2018, Angela Bulloch com “heavy metal stack of sixs” em 2019 e, no ano passado, Ana Vieira com uma obra Sem título, datada de 1968.

João Vieira (Vidago, 1934 - Lisboa, 2009), artista incontornável no panorama artístico nacional desde o final dos anos 1950, afirmou-se não só no campo da pintura, mas também como um dos precursores da performance e da instalação em Portugal. O seu trabalho é marcado pela exploração plástica da letra como símbolo pictórico, transformando o texto em imagem. Se na sua pintura investe na gestualidade e expressão da forma caligráfica, nas suas instalações, “happenings” e objetos utiliza as letras do alfabeto como elementos performativos capazes de questionar os códigos da linguagem de forma radical e subversiva.

Nesta mostra no Palácio da Bolsa são apresentadas duas obras icónicas do início dos anos 1970 que expandem a investigação do artista em torno de signos linguísticos para lá do campo da pintura. Caixa Branca (1971) propõe criar, a partir do acaso e com a participação do público, uma nova linguagem. A obra contém um sistema rudimentar de lâmpadas e interruptores através do qual as letras do alfabeto podem ser acesas ou apagadas, ao sabor da invenção lúdica de novas palavras e sintaxes.

A obra “A” grande (1970) constitui o único vestígio conservado e restaurado por Vieira da sua primeira performance, intitulada O espírito da letra. Nesta “ação-espetáculo” apresentou uma série de letras de grande formato que foram posteriormente destruídas pelo artista e por um conjunto de crianças. Ao romperem com os limites da pintura bidimensional, as letras de Vieira ganharam corpo e estabelecem uma confrontação física com os espectadores e com os agentes da destruição performativa, deixando subentendida uma crítica à linguagem enquanto suporte do discurso.

Estas obras históricas são apresentadas no Palácio da Bolsa no âmbito do programa nacional de itinerâncias da Coleção de Serralves, que tem por objetivo tornar o acervo da Fundação acessível a públicos diversificados de todas as regiões do país.

Produção: Fundação de Serralves — Museu de Arte Contemporânea, Porto
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