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Uma Peça | Um Museu

DEPOSIÇÃO NO TÚMULO

Em três planos bem definidos se estrutura a encenação desta pintura: túmulo, friso de figuras e paisagem. 

Uma peça do Museu Nacional de Arte Antiga.


Deposição no Túmulo
Cristóvão de Figueiredo (atividade c. 1515–1555)
Portugal, 2º quartel do século XVI (1525-1535)
Óleo sobre madeira de carvalho
A 182 x L 156 cm
Universidade de Coimbra
MNAA inv. 849 Pint

A marcada horizontalidade é cortada pela diagonal do corpo de Cristo envolto na mortalha, figura principal desta representação fixada no momento exato em que desce à sepultura. De um lado e doutro convergem as cabeças dos figurantes e João, o discípulo tão amado, reúne no seu rosto a expressão sofrida de Maria e das santas mulheres.

Há outros valores essenciais para o entendimento plástico e psicológico desta pintura de Cristóvão de Figueiredo. Um deles é a paisagem clareada, no canto superior esquerdo do quadro, zona de fuga desta dramatização contida e que tem o seu contrapnto na figura de Madalena, em primeiro plano, que segura a coroa de espinhos em figurada atitude de apresentação da morte.

Outro dos motivos é a representação em plano ligeiramente diferenciado, dos dois personagens de negro trajados que rematam a estrutura compositiva apontada pela colocação do divino corpo. O seu retrato, de expressão absolutamente personalizada, tão diversa das circundantes, testemunha um caminho diferente no tratamento convencional dos rostos, na pintura portuguesa do século XVI.

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