Teatro
"HÉLIO" de Renan Martins em estreia em Vila Nova de Gaia
A nova criação de Renan Martins é uma homenagem a Hélio Martins de Souza, brasileiro, dançarino de salão e avô materno do coreógrafo.
4 Fev a 5 Fev 2022
Partindo dos temas autenticidade, originalidade e apropriação, Renan Martins trabalha com a peça musical Drumming (1971), do compositor norte-americano Steve Reich. Como numa expedição interna, move-se por um arquivo pessoal de danças folclóricas, sociais e populares em diálogo com sua experiência como bailarino na Europa nos últimos 15 anos.
Para Renan Martins, Hélio nasce da necessidade de uma investigação pessoal. A necessidade de entrar numa jornada a solo, mesmo sendo o coletivo uma das características mais presentes no seu trabalho. Fundamental é, também, o desejo de revisitar, numa espécie de regressão, o que é mais elementar na sua própria dança. Nos últimos anos, trabalhou em torno da temática do espetáculo de dança enquanto evento político e social, como são os casos de VIADUTO (2020/21) e REPLAY (2017). Neste solo faz uma expedição interna.
O título homenageia a vida de Hélio Martins de Souza (22/05/1929 – 28/02/2008), avô materno do coreógrafo. Natural da periferia do Rio de Janeiro e tendo sido, entre muitas coisas, professor de danças de salão, Hélio enfrentou uma série de dificuldades por pertencer a um contexto económico e social de muita escassez de recursos. Paralelamente a essas dificuldades, está o peso de um amor ao samba carioca e à cultura de rua que Hélio carregou consigo e que acabou por influenciar o percurso artístico de Renan Martins.
O maior desafio deste solo prende-se com a decisão do coreógrafo de trabalhar com a peça musical Drumming (1971), de Steve Reich, criada após a visita do compositor ao Gana no verão de 1970. Para muitos, Drumming é considerada uma obra-prima. Porém, para outros, esta composição é encarada como uma leitura simplista da complexidade rítmica da música tradicional africana. Em 1998, foi utilizada por Anne Teresa de Keersmaeker para criar a sua peça homónima Drumming, uma das mais emblemáticas da sua carreira. Ao utilizar esta música, Renan Martins em Hélio abre mais uma vez espaço para explorar a noção de apropriação e colonização cultural versus ideias de homenagem, influência e inspiração.
Depois de 15 anos vividos na Europa, cinco dos quais a estudar dança e outros dez de experiência profissional, a pesquisa de Renan parte agora de novas perguntas: “Como seria o meu corpo em cena sem influências da dança do norte da Europa e da América?”, “Que corpo pode existir no meio da esquizofrenia constante do performer freelancer e mutante que sou?”, “Como posso focar e valorizar as minhas experiências de danças folclóricas, sociais e de rua, focando no seus potenciais políticos, sociais e dramáticos?”
Para além da música, do movimento e da sua forma, para o coreógrafo surge também a importância de questionar, através deste solo, a relação entre toda a sua experiência profissional europeia em dança, fortemente influenciada pelo movimento pós-moderno norte-americano, e o corpo brasileiro dentro de uma expectativa de estética predominante branca. Importa redescobrir o corpo constantemente colonizado por ideais de estética e de comportamento que não condizem necessariamente com a sua história e ancestralidade.
BILHETES 7,50€ – https://ticketline.sapo.pt/evento/helio-renan-martins-60917
Informações e reservas: 223 756 368 / info@kale.pt
NOTA COVID-19: Serão cumpridas as normas da DGS em vigor.
DURAÇÃO 60 minutos s/ intervalo
CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA M/14
FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Coreografia e performance: Renan Martins
Assistente coreográfica: Helena Araújo
Dramaturgia: Ana Rocha
Figurino: Nina Botkay
Costureira: Eliana da Rosa Cabral
Luz: Luisa L’Abbate
Música: Drumming, de Steve Reich,
por Colin Currie Group, Synergy Group Vocals & Colin Currie
Produção: Sekoia Artes Performativas
Apoios: Bolsa de Criação – O Espaço do Tempo / BPI – Fundação “la Caixa”; Choreographic Center Heidelberg; Armazém 22/Kale Companhia de Dança
Residências: Inter-Actions Studio; O Espaço do Tempo; Choreographic Center Heidelberg;
CAMPUS Paulo Cunha e Silva; Armazém 22

