Teatro
Shibari
Pedro Diniz Reis na Culturgest para uma performance com modelo, cordas de juta japonesa e mosquetões.
15 Jun a 16 Jun 2016
Shibari é um verbo japonês que significa literalmente “atar”.
Este termo é usado também para designar uma prática com acentuada carga sexual, igualmente denominada kinbaku e conhecida um pouco por todo o mundo por bondage, muito enraizada no universo do sadomasoquismo.
Shibari consiste então na prática de atar o corpo humano, geralmente o de uma mulher, imobilizado e submetido a várias posições, algumas em suspensão, recorrendo para isso a uma variedade de nós, ora mais simples, ora mais intrincados, executados com cordas de fibras naturais, geralmente de cânhamo ou de juta.
Pedro Diniz Reis (Lisboa, 1972) tomou contacto com a prática do shibari numa viagem ao Japão no início da década de 2000. Podemos encontrar no seu trabalho antecedentes propiciatórios do seu fascínio pelo shibari numa série de obras em vídeo centradas no fetichismo e na dominação enquanto formas de expressão e sublimação do desejo. Algum tempo depois, no final de 2003, o artista iniciou no Japão a aprendizagem dessa prática. Os seus principais mestres, e ainda hoje as principais fontes de inspiração do seu trabalho nessa área, foram Nawashi Akechi Denki Sensei, que viria a falecer em 2005, e, desde então, Nawashi Kanna, o principal discípulo daquele. A partir de 2014, tem estudado também com Kinbakushi Naka Akira, tendo vindo a incorporar no seu trabalho de shibari, desde então, outras valências técnicas, uma reflexão mais profunda sobre o vazio e o seu preenchimento, uma maior atenção à construção rítmica e noções ligadas ao ikebana, a arte japonesa de arranjos florais.
Pedro Diniz Reis tem realizado, ao longo dos anos, numerosos espetáculos de shibari no contexto cultural onde essa prática é cultivada e valorizada. A única vez que apresentou esse tipo de trabalho no contexto da arte foi em fevereiro de 2005, na Galeria Cristina Guerra, em Lisboa: tratou-se de uma performance muito despojada em que o shibari se emancipava dos códigos culturais e estéticos que lhe estão associados, para ganhar extraordinária ressonância enquanto trabalho de escultura e à luz da história do nu na arte ocidental. Na performance agora realizada na Culturgest, onze anos depois, o seu domínio muito superior de diferentes técnicas do shibari permite ao artista explorar um reportório muito mais vasto e complexo de figuras/composições, bem como uma construção rítmica muito mais elaborada.
Desde o início da sua trajetória artística, no final da década de 1990, Pedro Diniz Reis tem utilizado predominantemente o vídeo no seu trabalho, desenvolvendo um processo criativo laborioso em que o domínio irrepreensível e a experimentação das ferramentas de edição de imagem e som se aliam a um rigor formal obsessivo. Apesar de ter ficado confinado ao seu contexto cultural originário, desde a performance inolvidável na Galeria Cristina Guerra, o fascínio de Pedro Diniz Reis pelo shibari teve assinaláveis repercussões no seu trabalho artístico, sendo de sublinhar, entre 2008 e 2013, uma série de quatro performances em que um determinado vídeo explorando os temas do fetichismo e da dominação é projetado ao ritmo de música improvisada em tempo real (respetivamente, pelos músicos Sérgio Nascimento, Pedro Gonçalves, João Cabeleira e Sara Belo). Mas é de destacar sobretudo o seu filme jyowa (o título funde os caracteres japoneses para “corda” e para “comunicar”, podendo ser traduzido por “comunicar através das cordas”), viagem ao universo de cinco dos mais importantes artistas japoneses de shibari: Nada Akira, Yukimura Haruki, Nawashi Kanna, Urado Hiroshi e Hajime Kinoko. Iniciado em 2011 e concluído no ano passado, este filme, com edição comercial em DVD, tem circulado em festivais e encontros ligados ao shibari.
Na quinta-feira 16, a seguir à performance, haverá uma conversa com o artista na Galeria.
Informações e reservas
Bilheteira Culturgest
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt
Ticketline
Reservas e informações:
1820 (24 horas)
Pontos de venda: Agências Abreu, Galeria Comercial Campo Pequeno, Casino Lisboa, C.C. Dolce Vita, El Corte Inglés, Fnac, Megarede, Worten e www.ticketline.sapo.pt

