"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Teatro

Simão Solis de Pedro Saavedra

A meio do século XVIII, numa cidade sitiada e cercada há mais de um ano, a população refugia-se num Teatro.

16 Fev 2024

Teatro Estúdio Ildefonso Valério
Parque 25 de Abril 033, 2615-033 Alverca do Ribatejo
Sob constantes ataques, os seus habitantes insistem em assistir aos grandes clássicos nacionais. Na Sala do Grande Teatro Restaurado, são tantas as pessoas a procurar nele segurança, que aceitam ver o espetáculo na parte detrás do palco. São recebidos por um dos atores da companhia que tenta ir contando a história, o melhor que pode, com o espetáculo a decorrer atrás de uma tela de tecido.

Do outro lado, representa-se A Maldição de Simão Solis, tragédia de Seotónio, sobre o suplício de uma jovem personagem que morre por amor.

Simão Solis é uma declaração de amor de um actor ao seu teatro, é a hipótese de ligar a história à ficção, num testemunho intemporal da psicologia humana, nos momentos de crise da nossa cidade. O teatro como refúgio, lugar seguro, espaço de protecção para cidadãos artistas e cidadãos-espectadores é uma conquista política que não podemos deixar de defender. Espaço de ilusão onde a ficção nos protege dos realismos, ameniza os conflitos e nos permite sempre observar os antagonismos e as lutas pelo poder a uma distância de segurança. É ali, simbolicamente, que a história do mundo, as suas evoluções e revoluções acompanham a lógica do nosso ecossistema natural, a cidade. A visão comum sobre o teatro clássico transporta imageticamente o espectador para o passado, um passado suficientemente distante para ser seguro, mas suficientemente próximo para garantir o relacionamento. Um  relacionamento intermitente, mas continuado no espaço e no tempo entre o que se vê e o que se prevê. Este meio-termo temporal
contemporâneo aterra no período barroco como o período mais teatralmente credível nos usos e costumes.

A acção decorre, assim, durante o cerco de uma cidade, onde a população decide livremente refugiar-se num teatro, para se proteger do horror que a rua sugere, onde as atrocidades e dificuldades são tantas que é apenas no teatro que as pessoas encontram alguma paz. E tantos são os habitantes que procuram refúgio, que o teatro esgota todos os lugares da plateia, do balcão, das galerias, das coxias; começam então a encaminhar espectadores para as traseiras do palco, não se pode deixar ninguém para trás!

O texto propõe assim esta luta entre a segurança e a realidade: O actor e a sua luta contra o texto que decora à nossa frente, o romantismo da narrativa teatral e conflito sanguinário que acontece na rua lá fora. A segurança e a realidade, não pela sua componente simbólica mas sim pelo contexto que propõe. Baseia-se num facto histórico tornado lenda e mais conhecido como a maldição de
Santa Engrácia. Facto histórico tornado peça de teatro de um autor fictício, que uma Companhia de Teatro leva à cena, apesar de estar numa cidade em guerra.  

CRIAÇÃO O Fim do Teatro
TEXTO, ENCENAÇÃO E INTERPRETAÇÃO PEDRO SAAVEDRA
DESIGN DE CENA SÓNIA RODRIGUES
DESENHO DE LUZ PAULO SABINO
FOTOGRAFIA ANDREIA MAYER E RAFAELA DO VALLE
ILUSTRAÇÃO RUI GUERRA
FIGURINO CLÁUDIA RIBEIRO
ADEREÇOS JOANA CASTANHEIRA
BANDA SONORA FRED
SONOPLASTIA RUI MIGUEL

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