"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Teatro

"Terra Sonâmbula" no Rio de Janeiro e Centro Cultural de Belém

Um espetáculo criado a partir do romance de Mia Couto e estreado a 13 de novembro de 2015 no Fundão, conta com encenação de Nuno Pino Custódio e interpretação de Rosinda Costa e Alexandre Barata como músico.

12 Jan a 15 Jan 2017

Teatro Cacilda Becker
Rio de Janeiro

26 Jan a 29 Jan 2017

Centro Cultural de Belém
Praça do Império, 1449-003 Lisboa

 

Estação Teatral apresenta Terra Sonâmbula no Rio de Janeiro, no Teatro Cacilda Becker, de 12 a 19 de janeiro (apresentações de 5ª a sábado às 20h00 e domingo às 19h00) seguindo depois para a Sala Estudio do CCB em Lisboa de 26 a 29 de janeiro, (apresentações 5ª e 6ª às 11h00, sábado às 18h30 e domingo às 11h30).

O espetáculo baseia-se no romance do escritor moçambicano Mia Couto, publicado em 1992, e é considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabwe.

O espetáculo conta a história do velho Tuahir e do jovem Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que acontece em Moçambique e que se abrigam num velho autocarro incendiado cheio de corpos carbonizados. Existe um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala onde se encontram os “cadernos de Kindzu”, o longo diário do morto em questão. A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente: a viagem de Tuahir e Muidinga e, em flashback, o percurso de Kindzu em busca dos Naparamas, guerreiros tradicionais abençoados pelos feiticeiros, que são, aos olhos do garoto, a única esperança contra os senhores da guerra. Assim começa o também o espetáculo "Terra Sonâmbula", que procura transpor para o teatro os traços tão marcantes da essência, da forma de comunicação, da singularidade e da poética de Mia Couto.

O espetáculo é fruto do encontro do dramaturgo Nuno Pino Custódio e da atriz Rosinda Costa com Mia Couto, em Maputo. Do convívio entre os três nasceu a vontade de estender o aclamado romance também para a linguagem teatral. 

"O teatro precisa de se reinventar, sair de práticas que já não acompanham a evolução de uma sociedade que enfrenta fenômenos que, inclusivamente, lhe são contrários, paradoxais e o esvaziam de uma necessidade enquanto arte do espetáculo. Reprojetar esta necessidade implica conhecer este espectador novo, aquele que vive cada vez mais uma existência virtual, que sob as regras de um sistema capitalista neoliberal se depara com a sua própria desumanização ou que inclusive não compreende já a própria faculdade do amor.

Falo justamente de uma Terra Sonâmbula que todos vamos reconhecendo como um espaço habitado por olhos que não veem e corações que não sentem.

Espaço único de transmissão, o teatro parece hoje estar a debater-se entre a possibilidade de se reafirmar como necessidade premente, profilática, absolutamente incontornável ou o perigo de se fechar enquanto lugar inerte onde só caberão nichos cada vez mais pequenos de espectadores e por fim cadeiras vazias. 

(...) parafraseando as palavras iniciais desta surpreendente e mágica narrativa de Mia Couto, antigo e novo vão justamente de mãos dadas, em lugar onde a guerra tinha morto até a estrada, vão bamboleantes, como se caminhar fosse o seu único serviço.", - afirma o encenador e diretor artístico da Estação Teatral, Nuno Pino Custódio.

A ESTE - Estação Teatral da Beira Interior - é uma companhia sediada no Fundão que tem como objetivo nuclear a produção de espetáculos através de uma vocação artística e pedagógica que visa promover e fomentar a criação e formação de públicos. Desse modo, a sua atividade está fortemente vocacionada para a centralização do trabalho do ator, numa perspetiva de Teatro em Urgência, ou seja, de uma atividade pensada e preparada para acontecer em meios não-convencionais com um público não-convencional.

Esta vertente engloba, igualmente, uma forte natureza para a itinerância, fazendo com que o teatro vá verdadeiramente ao encontra das pessoas. Agilidade, flexibilidade, adaptação, polivalência e abrangência são, portanto, termos que caracterizam a atividade desta unidade. Do ponto de vista artístico, as suas criações estarão vocacionadas para o uso de ferramentas de trabalho que valorizem a expressão corporal, colocando o gesto e a palavra num mesmo plano. O teatro gestual, a pantomima, a Commedia dell´Arte, a Máscara, a improvisação, a criação coletiva, o teatro de sugestão são, por assim dizer, campos privilegiados de atuação, sem menosprezar o objeto texto ou a verbalidade, antes, na perspetiva da sua valorização. Num país e numa região com poucos hábitos culturais e artísticos, a ESTE trabalhará no sentido de tornar o teatro mais acessível para que este se possa tornar também uma realidade nos hábitos e no cotidiano das pessoas.

Ficha Técnica: 

Texto original: Mia Couto

Dramaturgia e encenação: Nuno Pino Custódio em co-criação com Rosinda Costa, Alexandre Barata e Pedro Fino

Atriz: Rosinda Costa

Música e sonoplastia: Alexandre Barata

Assistência de encenação: Tiago Poiares

Assistência dramatúrgica: Roberto Querido

Espaço e figurinos: Estação Teatral

Desenho de luz e montagem: Pedro Fino

Direção de produção: Alexandre Barata

Vídeo: Luís Batista 

Fotografia: Miguel Proença

Design de comunicação: Hugo Landeiro Domingues


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