"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Teatro

Obra de Herberto Helder serve de mote a peça de Dinarte Branco

"A Máquina de Emaranhar Paisagens" reúne passagens de vários textos do poeta que marcou a segunda metade do século XX.

23 Fev a 26 Fev 2017

Teatro Carlos Alberto
Rua das Oliveiras, 43, 4050-449 Porto
Preço
10.00€

 

Quase dois anos após a morte de Herberto Helder, cuja obra marcou indubitavelmente a poesia portuguesa contemporânea da segunda metade do século XX, o ator e encenador Dinarte Branco dá voz e corpo a alguns dos textos incontornáveis do autor. A Máquina de Emaranhar Paisagens estará em cena no Teatro Carlos Alberto (TeCA), entre 23 e 26 de fevereiro.

O espetáculo foi concebido unicamente a partir de textos de Herberto Helder e dos seus poemas, incluindo poemas “mudados” para português pelo próprio. Nele se incluem, além do texto homónimo, passagens de livros como Photomaton & Vox, Os Passos em Volta, A Faca Não Corta o Fogo, Antropofagias e A Colher na Boca, entre outros.

“A exigência e o hermetismo dos textos de Herberto Helder questionam uma escrita meramente mental e racional, as palavras ganham densidade e vida também pela sua sonoridade e musicalidade. Daí a ideia de os transpor para teatro, dar corpo às palavras escritas com tudo o que isso pode potenciar e revelar”, refere Dinarte Branco. A ligação entre a imagética, a sonoridade e o ritmo impresso nos poemas do autor abrem portas, nesta encenação, a outra possibilidade de comunicação, compartilhada com o músico Cristóvão Campos, por sinal também ator, que o TeCA viu recentemente em Neva, de Guillermo Calderón, numa encenação de João Reis.

“Ninguém ama tão desalmadamente/ como o actor”, escrevia Herberto Helder em Poemacto. Dinarte Branco não incluiu este poema no espetáculo, mas, como refere a ensaísta Rosa Maria Martelo, “é como se o pusesse literalmente em cena. Movendo-se entre sentimentos e paixões, encontros e desencontros, formas de solidão e de júbilo, vida e morte, circunstâncias banais e absurdas, interrogações existenciais e pressentimentos de religação cósmica”. O espetáculo A Máquina de Emaranhar Paisagens resulta de uma coprodução Berma, Centro Cultural Vila Flor e TNSJ. A peça pode ser vista de quinta-feira a sábado, às 21h00, e no domingo, às 16h00. O preço dos bilhetes é de 10 euros.

Herberto Helder pela voz de Sara Carinhas, António Durães, entre outros

No início deste ano, o Teatro Nacional São João (TNSJ) lançou o projeto Escritas, Reescritas, Traduções, abrangendo formatos múltiplos – conferência, ensaio aberto, conversa pós-espetáculo, seminário, oficina de escrita ou masterclass –que se cruzará com os espetáculos em cena nos espaços geridos pelo TNSJ. A temporada de A Máquina de Emaranhar Paisagens é o mote para a primeira iniciativa em 2017. Passagens à cena explora a obra de Herberto Helder e contará com o contributo de António Durães, Dinarte Branco, Rosa Maria Martelo, Sara Carinhas e Rui Lage. O momento ocorre após a récita de 24 de fevereiro, às 22h30, no TeCA, e é de entrada livre.

Agenda
Ver mais eventos
Visitas
123,554,977