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Roteiros

ROTA DOS AÇUDES, Percurso Pedestre de Nisa

O percurso inicia-se na aldeia de Salavessa, onde sobressaem as casas caiadas de branco ou em tons carregados e as altas e corpulentas chaminés brancas. Contrariando o adágio popular “quem passa em Salavessa, é ir devagar e vir depressa”, percorra calmamente as ruas estreitas da povoação, admirando as janelas e as portas.

Açudes e Noras
Ao longo do curso do Fivelo encontramos uma série de açudes e noras, engenhos anteriormente utilizados no aproveitamento da precipitação e das águas daquela ribeira, e cuja origem se perde no tempo. Muito do património hidráulico presente na bacia do Tejo e em alguns dos seus afluentes reporta-se à época romana, tendo sido mais tarde adaptado ao aproveitamento da água com a construção de estruturas como pisões, moinhos, azenhas e levadas. No século VIII, engenhos e técnicas de regadio como o açude, a nora e a picota foram trazidos para a Península Ibérica pelos Muçulmanos, permitindo o cultivo de legumes e a plantação de árvores de fruto como a laranjeira, o limoeiro, a fi gueira ou a oliveira. Os açudes são muros de pedra que servem para reter, elevar e desviar a água dos rios, conduzindo-a através da levada (um canal) ao moinho ou azenha, num percurso descendente em que esta ganha a energia necessária para movimentar o rodízio e, por sua vez, a mó que há de transformar o cereal em farinha. Frequentemente, os cursos dos rios eram fixados com a construção de muros de suporte ao longo das margens. A nora, um dos primeiros inventos a aproveitar a energia hidráulica, já estava bastante divulgada no final do primeiro século antes de Cristo e era utilizada pelos árabes na elevação da água dos poços. Este sistema de irrigação possui um engenho de rodas dentadas, discos e alcatruzes, sendo o eixo central movido por um animal de carga. Bombeada para uma levada, a água voltava ao açude por ação da gravidade, depois de ser utilizada na rega de terrenos situados a nascente, transformando assim zonas incultas em vistosas hortas e pomares. Por sua vez, a picota ou cegonha é um aparelho simples, movido pelo homem, e utilizado para elevar a água empregue na rega. Formado por dois paus, esta funciona como uma balança interfixa, encontrando-se geralmente junto a pequenos poços.

PR6 - ROTA DOS AÇUDES
Acesso: NISA > EM 526 > PÉ DA SERRA > EM 526 > SALAVESSA
Grau de dificuldade: MÉDIO
Extensão: 10,6 KM

O percurso inicia-se na aldeia de Salavessa, onde sobressaem as casas caiadas de branco ou em tons carregados, com reboco encrespado, graças à mistura de areia pado, graças à mistura de areia e cal. Concentre-se nos rodapés azuis, amarelos e verdes, e nas altas e corpulentas chaminés brancas, de formas arredondadas, com barras azuis e amarelas ou encimadas por cata-ventos. 

Contrariando o adágio popular “quem passa em Salavessa, é ir devagar e vir depressa”, percorra calmamente as ruas estreitas da povoação, admirando as janelas e as portas. Faça uma visita à ermida, de frontaria simples e torre de grandes dimensões, com o altar ladeado pelas imagens de S. Gregório e de S. Jacinto, cuja festa se celebra no terceiro domingo de agosto.

 

Saindo a norte, pelas traseiras de Salavessa, onde se ergueram as primeiras casas, surpreenda-se com os palheiros de xisto, os currais e as furdas. Aqui reina a paisagem de montado, com os abundantes muros de xisto de remate característico, delimitando pequenas propriedades em declive acentuado e cuja pedra era extraída em redor, sendo comuns os buracos escavados no solo. Seguimos por trilhos de terra e pedra, descendo até ao Tejo pelo antigo caminho para Vila Velha de Ródão. O sobreiro, a azinheira, a oliveira, o pinheiro-bravo, o eucalipto, a esteva, a giesta, o rosmaninho, o zimbro, o medronheiro, a urze e o alecrim são a vegetação mais comum por estas paragens. No Tejo, junto ao qual abundam o junco, o salgueiro, o choupo e o freixo, pode-se pescar o barbo, a boga, a carpa, o achigã, a enguia, o bordalo e a perca. Neste território vivem animais como o javali, o veado, a raposa, o ginete, a lebre, o saca-rabos e o gato-bravo, bem como a garça-real, a cegonha-negra, o milhafre-real, a águia-pesqueira, o abutre-negro, o bufo-real e o grifo.

Acompanhando a margem a partir de um pontão, siga pelo caminho que termina na Fisga do Tejo, uma escarpa de uma dezena de metros, feita inicialmente para desviar o curso da ribeira do Fivelo, e que nos leva até ao primeiro açude e às entranhas da serra de Nisa. Lado a lado com o curso de água, descubra o segundo açude e, mais adiante, um muro apiário, dissimulado na vegetação. Serpenteie as colinas e contemple os açudes, as noras e os canais de rega, outrora utilizados na retenção da chuva e no aproveitamento das águas da ribeira para irrigação das hortas. Transponha a margem ao quarto açude e continue a subida, passando junto aos muros em socalco que sustentam as oliveiras, úteis contra a erosão dos solos.

Já com o trilho afastado da ribeira, regresse a Salavessa e não se esqueça de provar o típico pão de trigo, as tigeladas, os bolos dormidos, bem como as sopas de afogado e de carne fresca. Aproveite ainda para visitar as antas da Terra do Sobreirão, próximas da aldeia, e as do Pego do Bispo, junto à foz da ribeira do Fivelo. 

Muros Apiários
Os muros apiários são construções em pedra que servem para proteger as colmeias das incursões de mamíferos como o urso pardo. Alguns dos exemplares da região, existentes desde a Idade Média, continuam em funcionamento.

Arquitetura tradicional em Salavessa
Sobressaem as casas caiadas de branco ou com reboco encrespado e colorido, de rodapés azuis, amarelos e verdes. As altas e corpulentas chaminés brancas, de formas arredondadas, com barras azuis e amarelas ou encimadas por cata-ventos, cobrem largas lareiras onde se defumam enchidos de porco. No verão, o calor é afastado por grossas paredes de pedra ou tijolo. Na zona norte da aldeia, abundam palheiros, currais, furdas e muros de xisto com remate característico.

Açudes e Noras
Ao longo do curso do Fivelo encontramos uma série de açudes e noras, que remontam aos períodos medieval, moderno e contemporâneo, utilizados no aproveitamento das águas da ribeira e das chuvas. Os açudes são muros de pedra que retêm a água, conduzindo-a através de um canal ao moinho ou azenha, num percurso descendente, por forma a movimentar o rodízio e a mó que transforma os cereais em farinha. A nora possui um engenho de rodas dentadas, discos e alcatruzes, movido por um animal de carga, que bombeia a água para uma levada, levando-a de volta ao açude por ação da gravidade, após a rega das hortas e pomares situados a nascente.

Ribeira do Fivelo

A ribeira do Fivelo nasce nas lameiras de São Silvestre, no termo de Montalvão, entrando nesta vila junto a Pé da Serra. Esta linha de água desagua nas margens do Tejo, perto do pego do Bispo. Subindo a colina e acompanhando o curso da ribeira do Fivelo, praticamente seca no verão, pode apreciar-se a engenharia tradicional presente em açudes e noras, com que se fazia o aproveitamento do seu curso de água e das chuvas, bem como nos muros de sustentação das oliveiras, úteis contra a erosão dos solos.

Fauna e flora em destaque

Javali: de pelo acastanhado e hábitos noturnos, alimenta-se de plantas, frutos, insetos, moluscos, pequenos mamíferos e ovos de aves. Para se livrar de parasitas, chafurda na lama e roça-se nas árvores. Anda em grupos, liderados por uma fêmea.

Esteva: arbusto de crescimento rápido, resistente à seca, com folhas compridas e estreitas e flor branca. A sua resina inibe o crescimento de outras espécies e é usada na perfumaria. Muito abundante no Alentejo, forma matos densos.

A ter em conta: Perca algum tempo contemplando o vale do Tejo em todo o seu esplendor, com a sua fauna e flora extremamente ricas, e faça questão de provar o muito apreciado pão de trigo de Salavessa. 


 


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Contactos úteis:
Junta de Freguesia de Montalvão (Extensão de Salavessa) | Tel: 245 743 280
GNR - Montalvão | Tel: 245 743 114
Associação Montalvanense de Atividades Recreativas e Culturais (AMARC) | Tel: 245 743 132
 

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