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Roteiros

Trilho do Conhal, em Nisa

Neste percurso pedestre de Nisa o trajeto inicia-se no Arneiro, num caminho de terra batida, seguindo em direção ao limite norte da Serra de S. Miguel.

PR 4 - Percurso Pedestre de Nisa

Acesso: NISA > EN 18 > EM 527 > ARNEIRO

Grau de dificuldade: MÉDIO

Extensão: 9,8 KM

Tendo no horizonte as Portas de Ródão, atravesse as Portas de Ródão, atravesse as hortas com os característicos poços e picotas, e entre na paisagem selvagem recheada de zimbros, medronheiros e pinheiros, interrompida apenas por alguns montículos de pedras roliças. Ultrapassada uma ribeira encaixada num pequeno vale e cumprida a primeira subida acentuada, o olival é substituído pelos terrenos agrestes inundados de azinheiras, cascalho e muros baixos feitos com pequenos seixos de quartzito.

 

Vista sobre o Tejo e Vila Velha de Ródão

Ao atingir a íngreme entrada na serra, com vegetação mais densa e muita carqueja, giesta e esteva, serpenteie pequenos socalcos e paredes que escondem as oliveiras que por ali restam. Chegados ao topo, e ladeados por pinheiros bravos, seguimos o trilho de terra. Mais à frente, e à esquerda, faça uma pausa no percurso, aproveitando para visitar o buraco da Faiopa (cautelosamente, avance apenas até aos primeiros metros da fenda). Siga então a direito, com o castelo de Ródão espreitando ao fundo do corredor vegetal, até encontrar uma pequena clareira onde pode contemplar em pleno voo os corpulentos abutres e outras espécies protegidas, como a garça-real, a cegonha-negra, o milhafre, a águia-pesqueira, o corvo-marinho e o grifo. Este é também o território natural do javali, do veado, do coelho, da lebre, da raposa e do texugo. Uns metros adiante, num miradouro panorâmico, varra a paisagem com o olhar, da esquerda para a direita, focando ao longe o Tejo, a fonte das virtudes, o cabecinho encostado à foz da ribeira do Vale e o Conhal, terminando na vista privilegiada sobre Ródão e a centenária ponte que a liga a Nisa. Descemos agora por um trilho de rocha, encostados à encosta, acompanhados por zimbros e medronheiros. Contorne então um eucalipto centenário e avance em direção ao Conhal, parando mais à frente para subir aos enormes montes de seixos. Atravesse agora as pequenas hortas, com as suas casas de telha mourisca e divididas por muros baixos de xisto.


Conhal do Arneiro

Antes do regresso ao Arneiro, pare na fonte do ribeiro do Vale, na qual se destaca a saliência onde se apoiavam os cântaros de barro. Já na povoação, detenha-se nos poiais rematados com lajes de xisto, que convidam a longas conversas nas noites de verão, e nas casas baixas e geminadas, caiadas com sucessivas camadas de cal, únicas pelos seus rodapés e chaminés artísticas ou pelas pequenas portas de madeira com minúsculos postigos por onde espreita a luz. Visite ainda um dos fornos comunitários onde outrora se cozia o pão. Como estamos numa aldeia piscatória, hoje voltada para a olivicultura e a pastorícia, prove ainda a tradicional sopa de peixe, o arroz de lampreia, o ensopado de enguia e a popular tigelada. Quanto ao artesanato, descubra a tarrafa (rede de pesca), os barcos em madeira, as rendas de bilros e os bordados à mão.


Pesca e Barcos típicos

Outrora, toda a população do Arneiro se dedicava à pesca, inclusive as mulheres. Hoje, restam cerca de duas dezenas de pescadores, mas o rio permanece a principal fonte de rendimentos. Logo pela manhã, os barcos de pinho recolhem as redes com que pescam a boga, a lampreia, a carpa ou o achigã, e as armadihas para o lagostim, considerado dos melhores crustáceos do país.


Buraco da Faiopa

Na serra de S. Miguel, onde combateram mouros e cristãos, está o buraco da Faiopa, que terá sido uma mina de ouro explorada por cartaginenses e fenícios. Diz a lenda que D. Urraca, esposa de um fidalgo cristão, se apaixonou por um nobre mouro e utilizou aquela passagem até ao rio para ir ao seu encontro. O marido vingou-se, atirando-a do monte, atada a uma pedra.


 Conhal do Arneiro (pormenor)

Num vale da margem esquerda do Tejo, a jusante das Portas de Ródão, encontra-se o Conhal do Arneiro, uma extensa escombreira formada por gigantescos amontoados de seixos, testemunhando a extração de ouro que terá decorrido nas épocas romana e medieval. O metal precioso era lavado com a água da ribeira de Nisa, conduzida desde a Senhora da Graça. Provando a qualidade do minério alentejano, D. João III terá mandado fazer um cetro em ouro extraído deste rio, e Vasco da Gama uma cruz, mostrando aos venezianos que em Portugal havia metal mais precioso que o do Oriente. Ferro, aço e prata são igualmente metais outrora explorados nas margens do Tejo.


Aspetos de interesse

PORTAS DE RÓDÃO

Esta imponente crista quartzítica, que irrompe entre dois imensos blocos de pedra, resulta do atravessamento da Serra das Talhadas pelo rio. Há milhares de anos, as águas do Tejo cobriam uma vasta região. A sua ação erosiva deu origem a esta garganta, onde o rio atinge uma das maiores profundidades. A zona marca ainda o anterior limite da navegabilidade do Tejo, quando este era um canal de comunicação entre o interior e o litoral do país.

SOPA DE PEIXE

No Arneiro pode desfrutar de um dos tradicionais pratos de peixe do rio. Embora aqui também se possam encontrar refeições típicas como o arroz de lampreia ou o ensopado de enguia, na gastronomia esta povoação é conhecida pela popular sopa de peixe. O barbo é o segredo deste prato, em cuja confeção também se utiliza a carpa. A sopa é por vezes servida num recipiente de cortiça, com as ovas do peixe no topo, o que lhe confere um paladar muito particular. Nesta iguaria não podem faltar o poejo e o pimentão.

Fauna e flora em destaque

ABUTRE

Ave de rapina que se alimenta quase exclusivamente de carne putrefacta. De cabeça e pescoço compridos, desprovidos de penas, a sua envergadura pode ser superior a 2,5 metros.

ZIMBRO

Espécie de pinheiro, que cresce até cinco metros de altura. As bagas são utilizadas em pratos de carne e as sementes na aromatização de bebidas como o gim. Antisséptico e calmante, é indicado para problemas digestivos e renais.

 

A ter em conta:
Típica desta aldeia piscatória, aproveite para provar a famosa sopa de peixe do Arneiro, confecionada com peixe fresco do rio e uma sabedoria ancestral que lhe conferem um sabor muito particular.

Contactos úteis:
Junta de Freguesia de Santana | Tel: 245 469 130
Casa de Pasto «O Túlio» | Tel: 245 469 129
Casa de Pasto «Café Novo» | Tel: 245 469 140
Clube Desportivo e Recreativo de Santana | Tel: 93 313 94 33

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