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Roteiros

SEVER DO VOUGA (Roteiro 3)

Para iniciar este roteiro, nada melhor do que uma visita à aldeia e freguesia de Dornelas, única no concelho com uma topografia plana a contrastar com as restantes freguesias do concelho que se localizam nos declives ou sopés das serras do Arestal e das Talhadas.

Espigueiros da Aldeia dos Amiais

Esta freguesia, recente na sua constituição administrativa torna-se atrativa pelo enquadramento do casario e as parcelas de terras cultivadas. Contudo, o local por excelência de visita será a Serra do Arestal. Aqui a paisagem circundante é dominada pelo verde da serra à mistura com o azul do mar da costa lagunar de Aveiro, que se pode avistar no horizonte em dias de perfeita visibilidade.

Ainda na Serra do Arestal deve visitar a grande Pedra Insculturada, integrada num grupo de penedos que popularmente é conhecida por Forno dos Mouros, cuja origem remontará, provavelmente, à idade do Bronze. 

Esta Pedra Insculturada, voltada a poente na vertente ocidental da Serra, mede cerca de 5 metros de comprimento por 2 de largura e apresenta na superfície covinhas, semicírculos, arcos de círculos e círculos simples, concêntricos e múltiplos. Foi objeto de classificação como “Imóvel de Interesse Público”.

Seguindo o nosso roteiro, o próximo destino será a freguesia de Couto de Esteves, mais concretamente o expoente máximo do megalitismo no concelho: a Anta da Cerqueira, inserida numa necrópole que conta atualmente com oito monumentos localizados numa importante chã da vertente Este da Serra do Arestal, na Freguesia de Couto de Esteves que, quer pelas suas dimensões, quer pelo seu estado de conservação, foi classificada como “Imóvel de Interesse Público”.

A sua câmara havia que já sido escavada em 1956 pelos arqueólogos A. Castro, O.V. Ferreira e A. Viana, foi em 1988 alvo de nova intervenção arqueológica orientada pela Dra. Ana Bettencourt de onde resultou nova escavação da câmara e consolidação do monumento. Este apresenta câmara poligonal com cerca de 3,54 metros de largura por 3 de comprimento, constituída por 9 esteios in situ. O corredor de acesso de 4,40 metros de comprimento, conserva ainda 11 esteios embora de um deles reste apenas a base. A laje de cobertura tem um contorno sensivelmente circular, com espessura média 0,45 metros e com cerca de 3,76 metros de largura por 3,26 metros de comprido. A mamoa é constituída por uma couraça pétrea superficial, por terras compactadas sob essa couraça e por um anel lítico de contrafortagem em redor da câmara e corredor. A cronologia deste monumento será dos finais do milénio IV e primeira metade do III milénio a.C. 

Este possui delimitação com cerca-tipo e uma placa explicativa contendo um mapa da necrópole, um desenho da estrutura e corredor da anta, acompanhado de uma breve explicação científica. O acesso é fácil e faz-se pela Cerqueira, a caminho da Mouta, sendo sem dúvida um monumento de indispensável visita.

Seguindo agora para a sede de freguesia, Couto de Esteves, poderemos visitar a Igreja Matriz. Destaque-se a talha dourada que ladeia o arco cruzeiro da Igreja Matriz, o cruzeiro de cruz flamejante, postado à direita da porta principal da Igreja Matriz; o cruzeiro triunfal, imponente, de quatro degraus, com plinto retangular, coluna cilíndrica e capitel simples onde assenta a cruz.

Um pouco mais abaixo, encontrará o Solar da Fonte.
Casa Brasonada erigida nos séculos XVI-XVII, no Couto de Baixo, atualmente recuperada foi residência da ilustre família Sequeira e Quadros. Aí encontra-se em fase experimental a Agricultura Biológica que está a ser desenvolvida por uma Associação de Solidariedade Social, a Solidários.

Recomenda-se em seguida a visita à Aldeia dos Amiais, mais concretamente a Eira Comunitária e aos seus 7 Espigueiros.

Devido às suas características de traça tradicional (pedra), será brevemente alvo de intervenção no âmbito da medida AGRIS de modo que essas características sejam preservadas e possam servir futuramente como ponto de interesse turístico concelhio.

Para terminar este percurso, terá que deslocar-se até à freguesia de Rocas do Vouga e aí visitar a sua Igreja Matriz, com um valiosíssimo teto de caixotões com notáveis figuras policromas de cenas religiosas cenários de cariz religioso, pendendo sobretudo para a Vida e Crucificação de Cristo.

Também as pinturas em tábua de finais do século XVI, representando a "Ressurreição e o Nascimento", são dignas de menção. A primeira apresenta Cristo que tem a seus pés as cabeças dos soldados, como elmos. A segunda apresenta S. José e a Virgem Maria contemplando, com ar de adoração, o Menino. Ainda no seu interior, pode ver-se uma peça de arte sacra de elevado valor material e artístico - a Custódia da Igreja. Há ainda a Cruz Processional, em prata minuciosa e delicadamente burilada, verdadeira obra-prima do primeiro terço do século XVI.

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