"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

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"TEORIA DA HETERONÍMIA"

Richard Zenith e Fernando Cabral Martins

Um livro fundamental para compreender uma das facetas mais marcantes da obra pessoana

«Caímos na armadilha. Fomos, realmente, burlados, como foram burlados os seus amigos para quem ele preparou, de peito feito, a grande “palhaçada” dos seus heterónimos.» O parecer, publicado em 1951, é do primeiro biógrafo de Fernando Pessoa. Embora João Gaspar Simões muito admirasse o poeta, considerava os heterónimos uma blague e a obra feita em seu nome um «ciclo mistificador». No entanto, para muitos especialistas e leitores, a heteronímia é a chave que permite apreciar devidamente a obra e o génio do poeta.

A presente edição reúne textos de Fernando Pessoa — prosa, poesia e alguns projetos — que de algum modo incidem sobre o tema da heteronímia, enquanto procedimento literário e como modo de estar no mundo. Um prefácio analisa e contextualiza o fenómeno, enquanto uma Tábua de heterónimos e outros autores fictícios descreve as aptidões e a atividade literária de 106 «colaboradores» de Pessoa, alguns dos quais revelados nesta edição pela primeira vez.

«Criei em mim várias personalidades. Crio personalidades constantemente. Cada sonho meu é imediatamente, logo ao aparecer sonhado, encarnado numa outra pessoa, que passa a sonhá-lo, e eu não. Para criar, destruí-me. Tanto me exteriorizei dentro de mim, que dentro de mim não existo senão exteriormente. Sou a cena nua onde passam vários atores representando várias peças.»
Fernando Pessoa

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