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A incorrigível vida voltou a imitar a arte

O romance, A Definição do Amor, de Jorge Reis-Sá, antecipou dois milagres. 


O mais recente ocorreu ontem, no Hospital de São João, no Porto, com o nascimento do segundo bebé de uma gravidez em que a mãe estava em morte cerebral. O primeiro tivera lugar em junho de 2016, num caso semelhante, no Hospital de São José, em Lisboa. Dádiva divina? Obra-prima da medicina? De certo, um ato de amor.

Ontem, dia 28 de março, a vida voltou a vencer a morte quando Catarina Sequeira, canoísta de 26 anos, deu à luz o seu filho Salvador, 56 dias após ter entrado em morte cerebral. A jovem atleta, natural de Vila Nova de Gaia, não resistiu a um ataque de asma em dezembro de 2018, mas os médicos mantiveram-na ligada a um ventilador para salvar a sua gravidez. Habituada a competir e a vencer, Catarina venceu, uma última vez, a morte, gerando uma nova vida.

Em 2016, Portugal comoveu-se e orgulhou-se com o primeiro caso de um «bebé milagre». O nascimento deu-se no Hospital de São José, em Lisboa, e a mãe esteve quatro meses em morte cerebral. Nunca em Portugal se tinha conseguido nada semelhante.

Ou melhor, já tinha acontecido, se considerarmos que a arte molda de alguma maneira a vida. O romance de Jorge Reis-Sá, A Definição do Amor, editado pela Guerra e Paz, Editores em abril de 2015, trata exactamente este tema. Um homem, marido e pai, reflete, angustia-se, espera e vive, semana após semana, à beira de uma cama onde a mulher, que amou e ama, está em coma, grávida. Pensa, sofre e espera o nascimento de um filho, o mesmo milagre que, na vida real, sempre pronta a imitar a arte, os heróicos médicos de São João e São José conseguiram realizar.

A humilde arte está, neste caso, numa livraria próxima de si, à espera do pequeno milagre que é cada nova leitura.     

 

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