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Carteio de Jorge de Sena e do Capitão Sarmento Pimentel revela bastidores da oposição a Salazar

Na sequência do centenário do nascimento de Jorge de Sena, a Guerra e Paz, Editores publica, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, um livro que reúne a extensa correspondência entre o escritor e o capitão João Sarmento Pimentel, um dos principais rostos da oposição não-comunista a Salazar exilada no Brasil.


Correspondência 1959-
1978, de Jorge de Sena e João Sarmento Pimentel, resulta de um trabalho de organização e apresentação de Isabel de Sena, a filha mais velha de Jorge de Sena, e do historiador brasileiro Rui Moreira Leite. 

No final de 2019, ano do centenário do nascimento de Jorge de Sena (1919-1978), a Guerra e Paz, Editores anunciou a edição de duas obras de Sena. A primeira delas chegou.

Correspondência 1959-1978 de Jorge de Sena e João Sarmento Pimentel é um documento histórico inédito que dá a conhecer os pormenores da luta, que teve por palco o Brasil, da oposição não-comunista a Salazar e ao regime ditatorial.

A leitura destas cartas, cheias de amizade e admiração, é essencial para compreender três décadas de luta democrática antifascista. Aqui se encontram relatos de dois grandes vultos da cultura portuguesa, que revelam momentos de profunda solidão, mas também esperança num futuro mais livre, fraterno e democrático para Portugal.

«Com as minhas mais amigas lembranças londrinas, aqui vai o último retrato do Fradalhão, comemorativo do tombo que levou.

Abençoada cadeira (é preciso guardá-la para futuro museu)!» É um excerto de uma carta enviada por Jorge de Sena, na qual comenta com João Sarmento Pimentel o estado de saúde de António de Oliveira Salazar.

Numa edição de grande valor cultural e político, conheça ainda as figuras que marcaram a intriga política, académica e intelectual que alvoroçou os bastidores da resistência.

Correspondência 1959-1978 é uma edição apoiada pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Este é o sexto livro publicado pela Guerra e Paz, Editores, de correspondência de Jorge de Sena com grandes vultos da cultura portuguesa, entre os quais Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade e João Gaspar Simões. Conheça as restantes obras no site oficial da editora.

Biografia de Jorge de Sena 
Natural de Lisboa, Jorge de Sena (1919-1978) iniciou intensa atividade literária no final dos anos 30 e integrou, mais tarde, a direção dos Cadernos de Poesia. Durante a ditadura, envolveu-se na luta antifascista, acabando por se auto-exilar no Brasil, onde lecionou nas universidades de Assis e de Araraquara. Em 1964, na sequência do Golpe que instaurou a ditadura Militar no Brasil, abandonou o país e fixou residência nos Estados Unidos, primeiro em Winsconsin, e depois em Santa Barbara, na Califórnia, onde viria a fundar o Centre for Portuguese Studies, departamento que hoje tem o seu nome. É um dos grandes intelectuais do século XX e revolucionou os estudos sobre Fernando Pessoa e Luís de Camões.Professor, crítico, tradutor, ensaísta, ficcionista, dramaturgo e poeta, a sua produção literária é vasta e muitíssimo meritória. As Evidências, Metamorfoses e Exorcismos são algumas das suas obras poéticas maiores, e em Sinais de Fogo, deixa-nos um dos mais memoráveis romances portugueses de sempre. Portugal não soube conceder-lhe em vida a consagração que a sua obra merecia.

Biografia de João Sarmento Pimentel
João Maria Ferreira Sarmento Pimentel (1888-1987) é natural de Eixes, Mirandela. Foi oficial de cavalaria, escritor memorialista e um destacado ativista político. Ainda enquanto aluno da Escola do Exército, participou no levantamento militar que levaria à implantação da República e, mais tarde, durante a I Guerra Mundial, partiu para França, integrando o Corpo Expedicionário Português. Em 1919, foi um dos comandantes das forças republicanas que derrubaram a Monarquia do Norte e mais tarde, chegada a ditadura, foi um dos revoltosos da rebelião de fevereiro de 1927 que, tendo sido fracassada, levou à sua expulsão do exército e ao exílio no Brasil. A partir de 1921, dirigiu a Seara Nova e dedicou-se assiduamente à escrita. Colaborou com diversos jornais e revistas, denunciando a ditadura portuguesa, e publicou várias obras literárias, entre as quais Memórias do Capitão, que, em 1963, foi recebida com grande entusiasmo. Após a revolução, foi reintegrado no Exército como coronel e promovido a general honorário em 1982. Faleceu em S. Paulo em 1987, aos 99 anos.

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