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Teatro ao ar livre mostra drama dos refugiados contado pela escritora Hélia Correia

Teatro O Bando, de Palmela, apresenta a peça “Antes do Mar”. 

Foto: Rita Santana


Inspirada no livro de Hélia Correia, “Um Bailarino na Batalha”, a peça aborda o problema das migrações.

Os ensaios no Vale dos Barris, em Palmela, na casa de o Teatro O Bando começaram no dia em que o estado de emergência foi declarado. A pandemia não impediu, contudo, que a companhia continuasse a trabalhar.

A partir da casa de cada um dos atores, todas as manhãs decorreram virtualmente os ensaios que deram forma às personagens imaginadas por Hélia Correia, no livro “Um Bailarino na Batalha”.

O resultado é a peça “Antes do Mar”, que estreia esta quinta-feira com encenação de Miguel Jesus.

Depois de já terem trabalhado outro livro de Hélia Correia, o “Adoecer”, O Bando hesitou em voltar a esta autora distinguida com o Prémio Camões, mas “a pertinência” das palavras da escritora levaram a companhia a seguir em frente, conta o encenador à Renascença.

“Desde que conhecemos a obra da Hélia, que ela nos inquietou logo”, admite Miguel Jesus, que se questiona sobre o facto de abordar “vidas com condições extremadas”, como a dos migrantes que procuram a Europa, aspirando a melhores condições de vida.

Mas o que levou O Bando a avançar foi “a lógica de que os êxodos são milenares”. Miguel Jesus explica: “na verdade, nós somos aquelas pessoas que vêm lá ao longe. São pessoas que estão a caminho de si próprias. E essas pessoas poderemos ser nós, que daqui a uns tempos poderemos ter de por a mochila às costas e abandonar as nossas casas”.

A peça que estreia dia 25 e vai estar em cena até 19 de julho de quinta-feira a domingo, conta com música de Jorge Salgueiro e a representação dos atores Dora Sales, João Neca, Laurinda Chiungue, Maria Do Ó, Nicolas Brites, Nylon Princeso, Paula Só, Raul Atalaia e Rita Brito. A peça tem ainda a participação especial de André Mexia e Fabian Bravo.

“Antes do Mar” baseia-se no livro “Um Bailarino na Batalha” com que Hélia Correia venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores em 2019.

Teatro ao ar livre, onde a desinfeção entra em cena

Fazer teatro em tempo de pandemia exige novas fórmulas. Neste caso, a desinfeção, entra também em cena, numa peça apresentada ao ar livre e com condições de segurança para o público.

O encenador e dramaturgo Miguel Jesus considera que a companhia de Teatro O Bando é “privilegiada” por dispor de um espaço ao ar livre, como o Vale dos Barris. O público vai ficar sentado, ao ar livre, numa imensa “fila de 100 metros”.

“Quando fomos regressando à sede, as condições que tínhamos foi nos dando alento”, explica Miguel Jesus ao programa “Ensaio Geral” da Renascença, que vai para o ar esta sexta-feira, depois das 22 hh00.

A companhia sentiu que “era possível criar condições para que o público se sentisse seguro, assumindo a desinfeção como parte da representação”.

A estreia que chegou a estar prevista para 21 de maio, mas que foi adiada para agora, já tem lotação esgotada. Mas há ainda bilhetes para outras récitas no campo do Vale dos Barris, em Palmela. A peça começa com “o cair da noite”, pelas 20h30.




por Maria João Costa in Renascença | 23 de junho de 2020
Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Rádio Renascença

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