"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

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"Uma Travessia da Colonialidade" é o 17º título da Coleção Estudos de Museus

O objetivo geral desta obra é explanar as “ligações entre o discurso pictórico e as dinâmicas históricas, políticas e culturais que marcaram as relações entre Portugal e Angola desde a década de 1930 até aos anos noventa do século XX, atendendo à plasticidade das obras e poéticas individuais, bem como ao diálogo que estas articulam com os tempos e os lugares de enunciação”.


Os contactos estabelecidos entre Portugal e África ao longo de cinco séculos deixaram marcas na textura histórica de ambos os lados, tendo “o modo de colonização protagonizado por Portugal, nomeadamente a apologia de uma política de assimilação cultural”, atravessado a política, a economia e a cultura, tocando assim as diferentes esferas de poder.

Neste estudo, que corresponde à dissertação de doutoramento da autora, propõe-se uma investigação “acerca da permanência de planos de contiguidade entre passado e presente, tomando como elementos de ancoragem as imagens pictóricas em relação às demais artes plásticas (desenho, fotografia e escultura)”.

Pretende-se aprofundar “um olhar relacional e transversal” capaz de averiguar dinâmicas e, sobretudo, entender a “complexidade de representações no seu articulado intertextual e intervisual que continuam a configurar as texturas sociais e culturais em Portugal”.

O livro estrutura-se em duas Partes, uma primeira intitulada “Colonialismo: Entre a Ideologia e Prática”, que contempla os capítulos “Nação e Império: Ideologia Colonial do Estado Novo”, “Regimes Visuais do Colonialismo Português”, “Discursos, Representações e Debates em torno da Arte Africana”, “Pintores do Império e a Construção de uma Imagética de Angola” e “Discursos Dissonantes: Surrealismo e Anticolonialismo”.

A Parte II - “Cadências e Ciclos de uma Colonialidade: oposição, persistências e revisionismos” desenvolve-se através de 4 subtemas: “Cultura, Resistência e Independência”, “Discursos Pós-Coloniais e Leituras da Colonialidade”, “Projetar a Nação, Pensar a Angolanidade: Teoria e Prática Pictórica” e “Rotas, Memórias, Presenças Angolanas e Silêncios”.

Cerca de 200 figuras ilustram as mais de 500 páginas desta “Travessia da Colonialidade”, que constitui o 17º título da Coleção Estudos de Museus, já disponível nas livrarias e lojas dos Museus, Palácios e Monumentos da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC). Excecionalmente, devido à pandemia, na presente edição não se realiza sessão de lançamento. 

Sobre a autora:
Teresa Matos Pereira (n. 1974) é licenciada em Artes Plásticas (Pintura) e mestre em Teorias da Arte. Em 2011 doutorou-se em Belas Artes (especialização de Pintura), pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. É Professora ajunta na Escola Superior de Educação do Politécnico de Lisboa.

Artista visual, trabalha como investigadora na Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes – Centro de Investigação e Estudos em Belas Artes e no Centro Interdisciplinar de Estudos Educacionais – Escola Superior de Educação de Lisboa.

Sobre a Coleção:
A Coleção Estudos de Museus é um projeto editorial da DGPC em parceria com a editora Caleidoscópio. O seu objetivo é divulgar trabalhos de investigação sobre aspetos ainda não conhecidos da realidade museológica nacional, ampliar o conhecimento sobre a vida e obra de ilustres museólogos portugueses e ajudar à reflexão sobre formas de organização dos museus.

Destina-se a investigadores, estudantes e profissionais de museus, mas também a todos aqueles que se interessam pelo Património Cultural. Cada obra publicada é sujeita a um Conselho Editorial constituído por Alice Semedo, Clara Frayão Camacho, Fernando António Baptista Pereira, Pedro Casaleiro, Raquel Henriques da Silva e Vítor Serrão.

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