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Escadaria da Lello muda de cor para assinalar aniversário

São 115 anos de história e de histórias que são assinalados hoje de forma arrojada e com um forte simbolismo à mistura.

© Igor Martins / Global Imagens


A icónica escadaria da Livraria Lello, no Porto, mudou de cor, deixando o vermelho para se assumir em cinza e amarelo. "Esta alteração é um grito de força. Todos os anos inauguramos uma instalação artística. Neste ano, pensámos na nossa icónica escadaria e decidimos mudar a cor, com alguma audácia. Tinha de ser algo impactante, mas também com as cores de 2021 [cinza e amarelo], da Pantone. O cinza simboliza e representa a resiliência e a segurança, e o amarelo a luminosidade, o otimismo e a esperança. Era precisamente a mensagem que queríamos transmitir neste aniversário", explica Aurora Pedro Pinto, presidente do conselho de administração da Livraria Lello.

A escadaria deixou a sua cor castanha original em 1993, passando ao vermelho. Contudo, esta alteração "bicolor" não será definitiva e o vermelho regressará em abril. A direção da Cultura do Norte aprovou a mudança, feita com todos os cuidados para evitar danos na estrutura. "A escadaria teve de ser decapada para voltar à cor de origem, ao ponto zero. Foram tiradas 17 camadas de tinta, desde o original castanho ao tom de branco que teve de ser usado para passar a vermelho. A empresa N Restauros conseguiu fazê-lo com uma técnica a laser, por forma a garantir a ausência de danos na estrutura", conta a responsável. A Livraria Lello teve, por isso, de fechar portas por um período de nove dias e, após 160 horas de trabalho de restauro, a escadaria "arrojada" será inaugurada às 10.00, ao som da música Over the Rainbow, do Feiticeiro de Oz, interpretada por Marisa Liz. A cerimónia terá transmissão online em direto.

Para assinalar o aniversário, a Livraria Lello apostou também num projeto paralelo, com iniciativas de "defesa da causa do livro". "Tudo começou quando fomos contactados pela Coimbra Editora, que faliu em 2020, porque tinham pena que o espólio deles fosse retalhado e pediram-nos para ficarmos com ele", conta Aurora Pedro Pinto.

A preocupação pela situação económica das livrarias e editoras já tinha levado a responsável a escrever uma carta aberta ao governo, no passado mês de dezembro, para explicar as dificuldades do setor em tempo de pandemia. "As livrarias são as guardiãs dos livros. São fundamentais para a passagem de conhecimento. É o bilhete de identidade da humanidade. A importância do livro e das livrarias é enorme. Tínhamos de tentar ajudar e assumimos um papel mais forte na defesa do livro", sublinha. Uma pequena parte do espólio da Coimbra Editora estará, a partir de hoje, em exposição na Livraria Lello. Para dar ênfase à importância da editora na história da literatura portuguesa, será o funcionário "mais antigo" da editora a abrir as portas da Lello no dia de aniversário.

Em exposição estará também o Livro D'Honra da Lello, que data de 1906 e foi utilizado pela primeira vez na cerimónia de inauguração. O Livro D"Honra está assinado por inúmeras personalidades da época e outras mais contemporâneas, como o pintor Joan Miró.

Também hoje, em dia de aniversário, será feito o anúncio oficial da aceitação por parte do arquiteto Siza Vieira do Projeto 148, relativo à requalificação e transformação do edifício contíguo à Livraria Lello. O local passará a ser um espaço de cultura, ligado à Lello, mas "com uma vida própria e um ADN próprio". "Trata-se de um projeto que vai alicerçar o futuro e a expansão da Lello", explica Aurora Pedro Pinto.



1906 trufas em bolo de aniversário

Coube à Chocolataria Equador a confeção do bolo de aniversário, composto por 1906 trufas (a simbolizar o ano da fundação). Cada convidado receberá uma trufa, ao som dos parabéns cantados por Marisa Liz. 115 é também o número de livros oferecidos aos primeiros visitantes de hoje, que terão direito a um exemplar do Feiticeiro de Oz, a temática deste aniversário. A todos os que pela Lello passarem no decorrer do dia de hoje será dado um postal de recordação com a escadaria cinza e amarela.

A cerimónia arranca às 10.30, com uma pequena e restrita lista de convidados, como a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, e representantes das várias instituições da cidade do Porto. Ao meio-dia a Lello abre as portas à cidade, como tem feito nos últimos 115 anos.


por Cynthia Valente in Diário de Notícias | 13 de janeiro de 2021
Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Jornal Diário de Notícias

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