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Rede europeia diz que museus estão prontos para reabrir

A NEMO pede aos líderes políticos que reconheçam que os museus são um recurso e não um custo adicional em tempo de crise.

Museu do Louvre ainda não sabe quando poderá reabrir_Lusa/Ian Langsdon

Os museus da Europa estão prontos para reabrir, para apoiar a vida urbana e acompanharem as pessoas na nova realidade, disse esta segunda-feira a 
Rede de Organizações Europeias de Museus (NEMO, na sigla em inglês).

Em muitos países, como em Portugal, os museus mantêm-se fechados devido à covid-19, enquanto noutros reabriram portas, uma medida aplaudida pela NEMO, já que a rede considera que “os museus facilitam os processos emocionais em situações difíceis”, como a pandemia, além de que têm um “papel importante a desempenhar na coesão social”. “Os museus são parte essencial dos cenários educacionais locais, cooperam sistematicamente com escolas e creches e combinam ofertas de aprendizagem informal, diversão e entretenimento”, acrescentou a NEMO.

A rede realçou que os “museus fornecem espaços seguros durante a pandemia, já que oferecem grandes espaços que permitem visitas controladas e seguras do público”, e são “instituições educacionais que oferecem diferentes tipos de aprendizagem e debate formal e informal”.

Os museus também desenvolveram conceitos de higiene abrangentes, investiram em medidas de ventilação, bilheteiras online, sistemas de controlo para limitar o fluxo de visitantes e instalações sanitárias, entre outros para tornar os seus espaços seguros, medidas que se aplicam tanto aos visitantes quanto aos funcionários.

Para a NEMO, os museus provaram ser locais seguros, dado não ter sido relatada nenhuma infeção pelo novo coronavírus em nenhum museu da Europa.

A rede europeia advertiu ainda que a arte e a cultura são fundamentais para o sentido de comunidade e a partilha de valores. Por isso, a NEMO pede aos líderes políticos que reconheçam que os museus são um recurso e não um custo adicional em tempo de crise, pelo que necessitam de estruturas e processos abrangentes e sustentáveis para abrir as suas portas ao público e permanecer abertos durante a situação de pandemia.

Segundo a NEMO, os museus necessitam também de financiamento público estável — agora e no futuro — para que possam retomar as suas atividades, apesar das limitações impostas pela pandemia.

As medidas constam de informações que a NEMO reuniu do setor de museus em 31 países europeus para fornecer uma visão geral da situação no continente e para partilhar exemplos de cooperação bem-sucedida entre autoridades públicas e museus no sentido de se desenvolverem estruturas que permitem que eles abram com segurança durante a pandemia. 

Procurar soluções criativas

Segundo o mapa disponibilizado pela NEMO, Portugal é um de 14 países europeus onde os museus ainda se encontram completamente encerrados. A referência ao nosso país, actualizada a 4 de Fevereiro, explica que os museus encontram-se fechados desde o dia 15 de Janeiro, “à imagem do resto da sociedade, num confinamento muito estrito”. Muitas das exposições que estavam agendadas foram adiadas, e algumas mesmo canceladas. É também lembrado que, após o primeiro confinamento, os museus reabriram a 18 de Maio, e prevê-se que a falta de turistas vai certamente prolongar a situação de perda de visitantes (e de receitas) durante os anos mais próximos.

É, contudo, ressalvado que, apesar da pandemia, os museus da rede nacional mantiveram os seus funcionários; e que a maior parte destas instituições fizeram uma aposta “bem-sucedida” nos serviços e nos programas digitais, expedientes que certamente vieram para ficar no futuro, que só poderá ser enfrentado com “soluções mais criativas”, mais do que esperar maiores apoios estatais.

Entre os 14 países que têm os seus museus fechados estão também a França, o Reino Unido e a Alemanha. No primeiro, os museus voltaram também a fechar logo a 30 de outubro, e, devido à situação sanitária ainda crítica vivida pelos franceses, não há previsão de quando possam reabrir. Mesmo se a ministra da Cultura, Roselyne Bachelot-Narquin — que na semana passada anunciou já as condições em que os festivais de verão poderão regressar —, disse já que os museus, até pelos rigorosos sistemas de segurança sanitário que entretanto implementaram, serão os primeiros serviços culturais a reabrirem.

Os museus britânicos estão fechados desde novembro e, soube-se esta segunda-feira, só deverão retomar as suas atividades presenciais em maio, à imagem de outros serviços culturais e dos primeiros eventos desportivos, coordenados com testagem em massa, e apenas ainda a título experimental. No Reino Unido, recorda a NEMO, cada país-membro — a Inglaterra, a Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte — estabelece o seu calendário de desconfinamento de acordo com a avaliação regional que faz da evolução da pandemia.

Também desde 2 de novembro estão encerrados os museus na Alemanha, e o Governo já estabeleceu que só reabrirão quando a incidência semanal das infeções de covid-19 for inferior a 35 por cem mil cidadãos.

De entre os 17 países que têm museus abertos, tanto em Espanha (que desconfinou o setor em junho passado) como em Itália (que começou o segundo desconfinamento a 18 de janeiro) o seu regresso à atividade está a ser também adaptado ao mapa regional de incidência do novo coronavírus. No país vizinho, os museus recebem visitas de grupos que não podem ir além de um terço da capacidade de cada sala, e as atividades suplementares estão suspensas.

O mapa da NEMO refere também a situação na Rússia, e o caso particular de Moscovo, onde os museus estiveram encerrados entre 16 de novembro e 22 de janeiro, prevendo o Governo retomar a normalidade possível apenas em meados de junho.


por Lusa e Público | 22 de fevereiro de 2021
Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Jornal Público 

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