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Cientista Elvira Fortunato é a vencedora do Prémio Pessoa 2020

Criado pelo semanário "Expresso", o galardão distingue anualmente um português que se destaque nas áreas cultural e científica. Em 2019, o premiado foi o dramaturgo Tiago Rodrigues.

Foto: Sofia Freitas Moreira/RR


Elvira Fortunato é a vencedora do Prémio Pessoa 2020.

A cientista de 56 anos, catedrática e vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa, especialista em Microeletrónica e Optoeletrónica, foi distinguida pelo júri que quer assim consagrar “uma carreira de excecional projeção, dentro e fora do País” e que tem contribuído “para o desenvolvimento português científico, tecnológico e de inovação português”, destaca o júri presidido por Francisco Pinto Balsemão.

Engenheira de formação, Elvira Fortunato têm-se destacado em diversas invenções e inovações. Uma delas, o transístor de papel. Na leitura da ata, Pinto Balsemão sublinhou que “a ideia de usar o papel como um “material eletrónico” abriu portas, em 2016, para futuras aplicações em produtos farmacêuticos, embalagens inteligentes ou microchips recicláveis, ou até páginas de jornal ou revistas com imagens em movimento”.

Nas palavras dos jurados, “ciência e inovação são sinónimos da carreira de Elvira Fortunato” e “graças a um percurso académico nacional e internacional de grande consistência, Elvira Fortunato tem revelado uma exemplar capacidade para enfrentar os problemas das relações entre o Estado e as empresas, assim como entre a investigação e a tecnologia, estimulando o trabalho de cooperação entre instituições”.

No ano passado, Elvira Fortunato tinha já sido distinguida pela Comissão Europeia com o Prémio Impacto Horizonte 2020, pela criação do primeiro ecrã transparente com materiais eco-sustentáveis. O prémio teve o valor de 10 mil euros.

A nível europeu, Elvira Fortunato é a promotora de uma plataforma associada à eletrónica flexível que recorre a materiais eco-sustentáveis e facilmente recicláveis, “de forma a promover as interfaces e sistemas de comunicação de baixo custo e mais ajustadas a um futuro duradouro”, lê-se no comunicado do Prémio.

O júri deste ano do Prémio Pessoa foi presidido por Francisco Pinto Balsemão e composto pelo ex-presidente da Gulbenkian, Emílio Rui Vila; a presidente de Serralves, Ana Pinho; o sociólogo António Barreto, a jornalista Clara Ferreira Alves, o académico Diogo Lucena, o arquiteto Eduardo Souto de Moura, o museólogo José Luís Porfírio, a bióloga e cientista Maria Manuel Mota; Pedro Norton, administrador não executivo da Gulbenkian; Rui Magalhães Baião; o musicólogo Rui Vieira Nery e o académico Viriato Soromenho-Marques.

Devido à pandemia, o anúncio foi feito este ano de forma não presencial, através de uma gravação vídeo. É a primeira vez que tal acontece na história deste prémio. De resto, a decisão do júri chegou mesmo a ter de ser adiada. Estava inicialmente prevista para dezembro. Pela primeira vez também na vida deste prémio, a reunião final do júri foi feita a partir da sede das redações do Expresso e da Sic, em Laveiras, onde Pinto Balsemão conduziu o encontro com os restantes jurados à distância, através das plataformas digitais.

Prémio Pessoa há 34 anos a distinguir portugueses
O Prémio Pessoa foi criado em 1987 por iniciativa do jornal "Expresso" e conta com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos.

O galardão tem o valor de 60 mil euros e visa reconhecer a atividade de portugueses com papel significativo na vida cultural e científica do país. No ano passado o vencedor foi Tiago Rodrigues, o dramaturgo e diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II.

Ao longo dos anos, o Prémio Pessoa já distinguiu historiados, arquitetos, artistas plásticos, poetas, filósofos, médicos e cientistas.

A lista dos antigos galardoados é composta pelos seguintes nomes:

1987 - José Mattoso
1988 - António Ramos Rosa
1989 - Maria João Pires
1990 – Menez
1991 - Cláudio Torres
1992 - António e Hanna Damásio
1993 - Fernando Gil
1994 - Herberto Helder
1995 - Vasco Graça Moura
1996 - João Lobo Antunes
1997 - José Cardoso Pires
1998 - Eduardo Souto de Moura
1999 - Manuel Alegre e José Manuel Rodrigues
2000 - Emanuel Nunes
2001 - João Bénard da Costa
2002 - Manuel Sobrinho Simões
2003 - José Joaquim Gomes Canotilho
2004 – Mário Cláudio
2005 – Luís Miguel Cintra
2006 – António Câmara
2007 – Irene Flunser Pimentel
2008 - João Luís Carrilho da Graça
2009 – D. Manuel Clemente
2010 – Maria do Carmo Fonseca
2011 – Eduardo Lourenço
2012 – Richard Zenith
2013 – Maria Manuel Mota
2014 – Henrique Leitão
2015 – Rui Chafes
2016 – Frederico Lourenço
2017 – Manuel Aires Mateus
2018 – Miguel Bastos Araújo
2019 – Tiago Rodrigues

 


por Maria João Costa in Renascença | 11 de março de 2021
Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Rádio Renascença

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