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Casa da Arquitetura festeja 4.º aniversário com três dias de eventos gratuitos e novas doações

As cerimónias de doação dos acervos da arquiteta Teresa Fonseca e do fotógrafo de arquitetura Luís Ferreira Alves, no sábado à tarde, são o ponto alto de um programa de três dias com mais de 30 eventos gratuitos.

Exposição "Infinito Vão", organizada pela Casa da Arquitetura em 2018_André Rodrigues


A Casa da Arquitetura (CA), em Matosinhos, celebra o seu 4.º aniversário com uma festa de três dias, a começar nesta sexta-feira, que incluirá 35 eventos gratuitos e terá como pontos altos as cerimónias de doação de mais dois acervos: o da arquiteta Teresa Fonseca e o de Luís Ferreira Alves, um pioneiro e uma referência da fotografia de arquitetura, que há um par de semanas recebeu na CA a Medalha de Mérito Cultural atribuída pelo Ministério da Cultura.

“É o primeiro fotógrafo português de arquitetura e uma pessoa de uma enorme cultura”, disse ao PÚBLICO o diretor da Casa da Arquitetura (CA), Nuno Sampaio, lembrando o trabalho de Ferreira Alves com arquitetos como Pedro Ramalho, Álvaro Siza ou Eduardo Souto Moura. Na grande exposição que a CA promoveu em torno da obra deste último, “a quase totalidade das fotografias era de Luís Ferreira Alves”, nota ainda Nuno Sampaio, que sublinha a importância deste acervo para a instituição que dirige”. É que se a CA já tem feito exposições relacionadas com a fotografia de arquitetura, esta é “a primeira vez que é incorporada na coleção da casa uma representação da arquitetura através da fotografia”.

Nuno Sampaio realça também a importância substantiva e simbólica da doação do acervo de Teresa Fonseca: “Julgo que foi a segunda mulher a doutorar-se em Arquitectura em Portugal e teve um percurso académico e profissional exemplar”, elogia o diretor do CA. E se “as universidades de Arquitectura já têm hoje muito mais mulheres do que homens”, Teresa Fonseca foi pioneira “num tempo em que os projetos e as obras eram feitos quase sempre por homens”, acrescenta Nuno Sampaio, que vê nesta doação “uma homenagem a todas as mulheres que trabalham na arquitetura”. Ambas as cerimónias de doação terão lugar na tarde de sábado: o acervo de Teresa Fonseca será apresentado pelo arquiteto e cenógrafo Nuno Lacerda Lopes e o de Luís Ferreira Alves será comentado pelo arquiteto Pedro Ramalho, cujo trabalho vem fotografando desde o início dos anos 80. Mas o programa comemorativo começa esta sexta-feira com visitas às exposições Radar Veneza – Arquitetos Portugueses na Bienal 1975-2021, na Nave Expositiva, e What? When? Why not? Portuguese Architecture, na Galeria da Casa.

Realçando a importância do cruzamento com outras artes, porque “a arquitetura não está sozinha”, Nuno Sampaio realça os momentos dedicados, por exemplo, à dança ou à performance, como o espetáculo From Nowhere, uma estreia da Academia e Companhia de Dança de Matosinhos com o coletivo Moradavaga, que decorrerá, também nesta sexta-feira, pelas 19h30, no Pavilhão Central.

No sábado de manhã, pelas 10h00, a CA apresenta a estreia da performance urbana Bodies in Urban Spaces, de Willi Dorner, em co-produção com a Companhia Instável, que se realizará na área urbana de Matosinhos Sul e nas imediações da Casa. E a Companhia Radar 360º estreia, também no sábado, pelas 11h00, a performance Ponto-Traço, uma visita deambulatória pelo quarteirão da CA. Cumprir a missão Oficinas, instalações ou visitas guiadas são outras propostas para estes três dias, durante os quais haverá tendas com comida no quarteirão do edifício da Real Vinícola, onde está instalada a Casa da Arquitetura. Este 4.º aniversário conta-se, aliás, a partir da data em que a instituição ocupou o seu atual espaço, já que foi a partir de então, diz Nuno Sampaio, que “a Casa da Arquitectura se transformou no Centro Português de Arquitectura e pôde cumprir a sua missão, com condições para arquivar e tratar acervos e fazer exposições.

Além dos vários acervos de arquitetos portugueses – a que se juntou agora o de João Luís Carrilho da Graça, a quem a CA dedicará em breve uma grande exposição, a instituição tem recebido alguns acervos brasileiros de grande importância, como o do arquiteto Paulo Mendes da Rocha e, há cerca de um mês, o de Lucio Costa, o “pai de Brasília” e uma das mais influentes figuras da arquitetura mundial. 

Para este interesse dos arquitetos brasileiros pela instituição de Matosinhos foi decisiva, acredita Nuno Sampaio, a exposição Infinito Vão, que a CA promoveu em 2018, uma singular abordagem de 90 anos de arquitetura brasileira. “Foi uma exposição inovadora, e a Casa mostrou, através dela, como pretende tratar e arquivar os acervos, mas também como quer expô-los e criar debate”.


por Luís Miguel Queirós in Público | 18 de novembro de 2021
Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Jornal Público

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