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Intervenção na necrópole de Moreira de Rei concluída no verão

Os trabalhos arqueológicos na maior necrópole de sepulturas antropomórficas da Europa chegam ao fim este ano. A intervenção, que conta também com a requalificação da igreja de Santa Marinha e a criação de um centro interpretativo, terá um custo de mais de 329 mil euros.

As escavações decorreram junto à Igreja de Santa Marinha na aldeia de Moreira de Rei_Nuno Ferreira Monteiro


A Câmara de Trancoso, no distrito da Guarda, prevê concluir no Verão as obras de requalificação da necrópole rupestre da aldeia de Moreira de Rei, onde existem cerca de 600 sepulturas escavadas na rocha.

Segundo o presidente da autarquia, Amílcar Salvador, os arqueólogos encontraram no local cerca de 600 sepulturas de adultos e de crianças escavadas na rocha, em redor da igreja de Santa Marinha, datada do século XII, que está classificada como Monumento Nacional desde 1932.

A intervenção em curso na aldeia de Moreira de Rei, com um investimento superior a 329 mil euros, contempla a requalificação da igreja de Santa Marinha e largo envolvente, bem como a criação de um Centro Interpretativo da necrópole rupestre, que é considerada “a maior necrópole [de sepulturas antropomórficas] da Europa”.

“Neste momento, provavelmente, faltará fazer o levantamento de 150 das cerca de 600 sepulturas. A nossa expectativa é a de que até ao final da primavera esteja todo esse levantamento realizado e, no próximo verão, teremos tudo concluído. A expectativa é que, no próximo verão, mais mês menos mês, tenhamos o projeto concluído”, disse Amílcar Salvador à agência Lusa.

O autarca também espera concluir na mesma altura o projeto de criação do Centro de Interpretação de Moreira de Rei, que funcionará como posto de turismo.

O espaço fica “logo à entrada da localidade”, num edifício localizado junto da estrada municipal que liga Trancoso a Moreira de Rei, e servirá “para encaminhar quem depois queira visitar, quer a necrópole, quer o Centro Interpretativo que vai ficar dentro da própria igreja de Santa Marinha”.

O estudo das sepulturas na rocha envolve arqueólogos da autarquia que, no Verão de 2021, foram auxiliados por cerca de 30 estudantes universitários de arqueologia que deram “uma ajuda significativa” nos trabalhos, disse Amílcar Salvador.

“Para além dos nossos [do município] dois arqueólogos, temos, em termos de prestação de serviço, sempre mais quatro ou cinco arqueólogos que têm estado connosco, e que irão estar até ao verão de 2022, por forma a concluírem esses trabalhos”, acrescentou.

As escavações arqueológicas foram iniciadas em agosto de 2018 e o elevado número de sepulturas encontrado surpreendeu os arqueólogos, bem como o facto de ainda existirem no local muitos vestígios de ossadas humanas.

O presidente da Câmara Municipal de Trancoso reconheceu que o trabalho realizado pelos técnicos “foi muito complicado”, mas vaticinou que a intervenção final será importante para Moreira de Rei, que “começa já a ser uma terra com muitas visitas, com muitos turistas”, mesmo nesta fase em que a necrópole ainda está em obras.

A aldeia de Moreira de Rei, que dista 7,5 quilómetros da cidade de Trancoso, possui três Monumentos Nacionais: ruínas do castelo, igreja de Santa Marinha e pelourinho.


por Lusa e Público | 7 de janeiro de 2021
Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Jornal Público

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