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Florença mostra Donatello em todo o seu esplendor

Exposição Donatello, il Rinascimento junta 130 obras e algumas nunca tinham saído das igrejas para onde foram feitas pelo mestre italiano.

Pormenor do baixo-relevo em mármore "Madonna Pazzi", actualmente no Bode-Museum (Berlim)


Alguns dos bronzes esculpidos por Donatello (1386-1466) foram retirados das igrejas italianas onde o mestre do Renascimento as instalou no século XV, dos baixos-relevos do Batistério de Siena aos da Basílica de Santo António em Pádua, para se juntarem a uma grande exposição a inaugurar este mês em Florença. Já o famoso David (1440), a escultura que se tornou no primeiro nu masculino desde a Antiguidade Clássica, também em bronze, vai surgir como o artista quis que fosse contemplada, de baixo para cima e instalada no topo de uma coluna, disse ao Art Newspaper Arturo Galansino, diretor do Palácio Strozzi, um dos locais onde abrirá já a 19 de março Donatello, il Rinascimento, juntamente com o Museu do Bargello.

A exposição está a ser vista como “histórica e irrepetível”, diz o próprio Palácio Strozzi, uma vez que junta 130 obras, escultura, pintura e desenho, com empréstimos de cerca de 50 museus e instituições em todo o mundo. Os baixos-relevos de Siena e da Basílica de São Lourenço, em Florença, estão a ser restaurados pelo Opificio delle Pietre Dure, informa o The Guardian. É a primeira vez que estas duas obras, que incluem o famoso Banquete de Herodes e as portas da Sacristia Velha, saem das igrejas onde Donatello as instalou há 600 anos, acrescenta o jornal britânico. 

“Vamos mostrar como Donatello influenciou os seus contemporâneos — Brunelleschi, Masaccio, Andrea Mantegna, Giovanni Bellini —, mas também como a sua visão artística reinou soberana até à chegada de Caravaggio. Isto nunca tinha sido feito,” disse ainda Galansino, afirmando que “as suas inovações continuaram a dominar os artistas 150 anos depois”. “Miguel Ângelo, Rafael e Leonardo — todos olharam para Donatello.”

Uma versão da exposição, sem as obras de Siena e da Basílica de São Lourenço, vai chegar a Berlim, ao Staatliche Museum, e a Londres, no Victoria&Albert Museum, respetivamente no final do verão e em 2023.


in Público | 6 de março de 2022
Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Jornal Público

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