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As Metamorfoses do Elefante, de José Luís Mendonça: uma fábula em sete sonhos

Uma preciosidade literária, cujo uso criativo da língua nos lembra Mia Couto, As Metamorfoses do Elefante é o novo livro da colecção «romances de guerra e paz», em que a editora Guerra e Paz dá corpo a romances elegantes, intrigantes, extravagantes e sem fronteiras.


Nas palavras do seu autor, José Luís Mendonça, «As Metamorfoses do Elefante é uma fábula em sete sonhos, a fábula de uma Angola ficcionada pela língua portuguesa e referendada pelos povos do novo país, ontem órfãos da Guerra Fria, e hoje reféns da sua própria húbris.»A obra está disponível na rede livreira nacional, nas plataformas de distribuição de ebooks e no site da editora.

Angola, década de 1970, estamos na antecâmara da independência e Hermes Sussumuku prevê, nos sete sonhos que o atormentam, um futuro de horrores para o país. O seu irmão, empenhado na luta pela libertação do povo angolano e esperançoso de um futuro risonho, recusa-se a acreditar nas visões catastrofistas de Hermes. Mas as décadas seguintes vieram a dar razão aos sonhos premonitórios, e a independência de Angola não encerrou em si mesma a luz que todos buscavam. Além de uma longa e dolorosa guerra civil, que abriu portas a sucessivas crises políticas, sociais e económicas, os angolanos deparavam-se agora com uma estranha pandemia: um surto de riso a que as autoridades chamam surriso. A solução? Coser a boca dos infetados.

Este é o mote para As Metamorfoses do Elefante, o novo romance de José Luís Mendonça, um dos principais autores angolanos contemporâneos, da denominada «Geração das Incertezas», que integra nomes como José Eduardo Agualusa, Lopito Feijoó ou Ana Paula Tavares.

Partindo dessa insólita pandemia, o autor oferece-nos, em simultâneo, uma prodigiosa efabulação da história da Angola independente. Na escrita criativa de Mendonça, com ecos do escritor moçambicano Mia Couto, deambula um bestiário magnífico de camaleões, hienas, uma vaca de fogo preto, cabras voadoras, um falcão de asas redondas. Mas a figura central deste brilhante romance é um elefante que, com rostos diferentes, representa o maior paradoxo das independências africanas: a dupla intangibilidade das fronteiras africanas e do modelo de gestão colonial, cuja herança maior é uma consequente repressão política desumana.

Aos leitores portugueses, o autor explica que esta é «a estória de uma ficção da língua portuguesa chamada Angola. Herança de navegadores lusos, refundada pelos povos do novo país, ontem órfãos da Guerra Fria e hoje órfãos de si mesmos. Uma fábula em sete sonhos transfigurados no tempo.»

As Metamorfoses do Elefante chega à rede livreira nacional e às plataformas de distribuição de ebooks, numa edição da recém-inaugurada coleção «romances de guerra e paz», que reúne romances elegantes, intrigantes, extravagantes e sem fronteiras.

Reconhecido com diversos prémios em Angola, José Luís Mendonça refundou, em 2018, o Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, resgatando o legado dos precursores da literatura angolana. No mesmo ano, o autor publicou, com a chancela da Guerra e Paz Editores, o poético e militante Angola, Me Diz Ainda

romances de guerra e paz
As Metamorfoses do Elefante 
José Luís Mendonça
Ficção / Romance
152 páginas · 15x23 · 15,00 €

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