"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

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O novo livro de Cláudia R. Sampaio

Uma mulher aparentemente viva é o segundo livro da autora na coleção elogio da sombra. 


A Porto Editora publica o novo livro de Cláudia R. Sampaio. Integrado na elogio da sombra, com curadoria de Valter Hugo Mãe, Uma mulher aparentemente viva marca o regresso da autora à publicação de originais após um hiato de seis anos. Este é o seu segundo livro nesta coleção, depois de, em 2020, ter publicado a antologia Já não me deito em pose de morrer.

Em poemas de desarmante intimidade, Cláudia R. Sampaio destina ao leitor o lugar de quem espera uma resposta e também de compagnon de route, que se compromete desde a leitura dos primeiros versos (O poeta não é poeta em si, só nos outros / e morre soterrado pelos seus próprios poemas). Somos todas as pessoas que ama, que precisa de amar, e somos todas as pessoas que a magoaram ou se tornaram insuficientes, escreve Valter Hugo Mãe sobre este livro, que classifica como “um milagre”. A força desta poesia não é, contudo, por confrangimento. Muito ao contrário. É pela humanidade, pela fortuna ética, pela beleza da expressão tão nua, tão sem máscaras de estilo que resulta num estilo de esplendor, naturalíssimo, cristalino.

Uma mulher aparentemente viva é o 21.º livro da elogio da sombra e conta ainda com a reprodução de várias ilustrações da poeta, artista residente do projeto MANICÓMIO.

A mulher acordou com o mundo todo na cabeça
um magnífico chapéu de mares entrelaçados

E assim foi,
porque a mulher pode escolher ter o mundo noutro lugar
visto que o mundo não é sempre como aparenta ser
nem está sempre onde é certo estar

A mulher pensou:
Oh, que chapéu magnífico
Era tudo muito melhor quando imaginava
E movimentava-se como um asteroide
que se desloca pela língua
Sabia-se mais alta quando não falava
e subia, subia sempre
na esperança de um lugar onde coubesse
tudo o que pensou, mas não disse
tal como o mundo, não o de fora
mas qualquer coisa que não se visse

SOBRE O LIVRO
Uma mulher aparentemente viva

A desarmante intimidade da poesia de Cláudia R. Sampaio coloca-nos no lugar intenso de quem parece esperar-se uma resposta. Assistimos à sua auscultação, à ansiedade pelo diálogo, sabendo bem que não é nossa a palavra que a salvaria, mas a tentação fica inteira na nossa boca. A força da sua poesia retira-nos a possibilidade de passarmos incólumes. Estamos comprometidos desde a leitura dos primeiros versos. Somos todas as pessoas que ama, que precisa de amar, e somos todas as pessoas que a magoaram ou se tornaram insuficientes. A força desta poesia não é, contudo, por confrangimento. Muito ao contrário. É pela humanidade, pela fortuna ética, pela beleza da expressão tão nua, tão sem máscaras de estilo que resulta num estilo de esplendor, naturalíssimo, cristalino.
Ou, talvez, tudo um pouco ao contrário. Quando toda a intimidade é uma deriva, tão sem rumo e sem garantia, o leitor é o lado de lá das pessoas fundamentais. Ele comparece como útil fantasia na gestão das carências do sujeito poético. Subverter a distância entre quem escreve e quem lê foi sempre um milagre pretendido pela poesia. Este livro é, por isso, um milagre.

Valter Hugo Mãe 

Título:
 Uma mulher aparentemente viva
Autora: Cláudia R. Sampaio
Páginas: 68
PVP: 12,20€

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SOBRE A AUTORA
Cláudia R. Sampaio


É uma poeta e pintora nascida em Lisboa (1981). Tem cinco livros de poesia publicados até ao momento: Os dias da Corja, A primeira urina da manhã, Ver no escuro, 1025mg e Outro nome para a solidão. Também está publicada no Brasil com a trilogia Inteira como um coice do Universo (Edições Macondo). Em 2017 estreou-se na escrita para teatro, com uma peça para a 10.ª edição do festival PANOS, na Culturgest. Actualmente é artista residente do projeto MANICÓMIO. Vive em Lisboa com as suas duas gatas: Polly Jean e Aurora. 

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