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Vilamoura na rota do Caminho Marítimo de Santiago em Portugal

“Não imagino ter o Caminho Marítimo de Santiago em Portugal e não ter Vilamoura”. Estas foram as palavras de António José Correia, presidente da Fórum Oceano – Associação da Economia do Mar, durante a passagem do cruzeiro inaugural deste projeto pela Marina de Vilamoura.

 

A ideia que começa agora a ganhar forma é recriar na costa portuguesa a viagem da “Barca de Pedra” que, segundo reza a lenda, no ano 40 do primeiro milénio, transportou o corpo do Santo Peregrino desde Jaffa, na Palestina, até Campus Stella, na Galiza.

“Estamos a conceber um produto turístico, náutico, espiritual, religioso, experiencial, que vai ficar perene, tal como os próprios Caminhos de Santiago”, explicou o responsável desta entidade que, em parceria com a Upstream - Valorização do Território, e o forte envolvimento das estações náuticas, tem em vista dinamizar o turismo náutico e a rede de estações náuticas portuguesas, de forma inovadora e sustentável, em total sintonia com a Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030.

As embarcações que estão a fazer este momento inicial e demonstrativo, entre as quais se destaca a icónica Caravela Vera Cruz – que será o “rosto” do projeto - saíram no passado sábado de Vila Real de Santo António, seguindo para Vilamoura, Lagos, Sines, Cascais, Peniche, Nazaré, Ria de Aveiro (6 estações náuticas), Matosinhos e Viana do Castelo, pernoitando entre 1 a 2 noites nestes locais. Depois as 20 embarcações entrarão em território espanhol, Baiona e Vila Garcia de Arousa. O percurso final que liga Padron e Compostela será feito a pé, e a chegada está prevista a 13 de junho. São 17 dias em que há uma fase de navegação e, nos locais em que os nautas ficam 2 noites, estão previstos momentos de animação cultural, enquadrados também com a própria Caravela Vera Cruz.

Mas o trabalho que está a ser realizado para chegar ao produto turístico final teve que ser estruturado, nomeadamente em termos de investigação histórica das próprias estações náuticas. “Foram identificados mais de 40 portos e todo o trabalho passa por tentar encontrar aquilo que são as evidências relativamente a portos da época romana, período coincidente com a passagem da Barca pela Lusitânia. É um trabalho importante para que consolidemos, do ponto de vista da justificação técnica, que faz sentido haver este caminho marítimo”, sublinhou António José Correia.

Até ao final do ano, vai ser possível ter parte do caminho traçado, altura em que se prevê igualmente a realização da segunda edição do cruzeiro. Em 2022, depois de se perceber como é que cada estação náutica respondeu e que serviços tem para oferecer, será possível ter uma versão final do produto, ou seja, quanto é que pode custar fazer este Caminho Marítimo de Santiago.

Mas como adianta o responsável do Fórum Oceano, também vai ser possível fazer o cruzamento entre os dois caminhos, o marítimo e o pedestre. Cada participante terá uma credencial que será carimbada em cada estação náutica por onde passar, atestando assim esta experiência única.

Neste momento uma coisa é certa, este projeto conta com a Estação Náutica de Vilamoura. “Desde a primeira hora o Município de Loulé afirmou-se como um defensor desta iniciativa, conseguindo mobilizar parceiros significativos, como é o caso da Marina e do Hotel Tivoli Marina. Loulé tem condições fantásticas, uma marina invejável. Por aquilo que são os recursos, as infraestruturas, a oferta que tem, vai ser uma das estações náuticas que irá enriquecer a estruturação do produto”, garantiu António José Correia.

Também o vereador David Pimentel, que marcou presença nesta escala em Vilamoura, ao lado da velejadora olímpica Joana Pratas (embaixadora desta iniciativa), reafirmou a importância deste porto de recreio. “É a melhor Marina do Mundo, reconhecida várias vezes em prémios internacionais, e é óbvio que quem lançar um produto ou um serviço de sucesso tem que pensar que ela é, por si só, condição sine qua non para que o alcance desta meritória iniciativa seja muitíssimo maior”, ressalvou.

A par da componente turística, o representante do Município é da opinião que esta iniciativa irá certamente contribuir para fortalecer a economia ligada ao mar e sensibilizar para a riqueza deste que é um dos maiores recursos naturais que Portugal tem, nomeadamente ao nível da sua biodiversidade, já que se constitui como “um ecossistema que nos dá um potencial tremendo”.

Além de contribuir para a diversificação da oferta e redução da sazonalidade, a criação do Caminho Marítimo de Santiago irá permitir também o desenvolvimento de parcerias transfronteiriças e o reforço da qualidade e visibilidade internacionais dos itinerários portugueses.

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