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Quero Morrer, mas Também Quero Comer Tteokbokki

Entre o perfume da comida de conforto e o odor angustiante do existencialismo, chega-nos Quero Morrer, mas Também Quero Comer Tteokbokki, autoficção da jovem autora sul-coreana Baek Sehee.

Um livro que nos leva a refletir sobre a saúde mental, a pôr em causa o mundo aparentemente perfeito dos criadores de conteúdo digital e a questionar: «porque somos tão maus a ser honestos acerca dos nossos sentimentos?». Este é um registo que acompanha doze semanas de psicoterapia de uma young adult, enriquecido por «microensaios» sobre «emoções sombrias» e «pormenores patéticos» da sua vida. Um fenómeno de vendas na Coreia do Sul, Quero Morrer, mas Também Quero Comer Tteokbokki está a conquistar o mundo e é já um dos livros de eleição do RM, um dos elementos da banda de K-pop BTS. Agora, Quero Morrer, mas Também Quero Comer Tteokbokki prepara-se para conquistar Portugal, numa edição Guerra e Paz, traduzida por Ana Pinto Mendes, que está, desde já, disponível em pré-venda no site da editora.

«Alerta: este livro pode conter vestígios de ansiedade, depressão, vontade de ir à terapia e mudar de vida.» Esta é a advertência que a Guerra e Paz faz aos leitores que pretendam provar Quero Morrer, mas Também Quero Comer Tteokbokki, uma das apostas do cardápio da editora para este mês de abril. E tal como os frutos de casca rija, que predominam entre os rótulos alimentares, também a saúde mental é o tópico predominante dos registos semanais de Baek Sehee, uma jovem gestora de redes sociais de sucesso que começa a ter consultas de psiquiatria, após entrar numa espiral de ansiedade, insegurança e pensamentos depressivos.

Baek esconde bem os seus sentimentos, mas o seu esforço é cansativo, esmagador e impede-a de criar relações profundas. «Questiono-me acerca de outros como eu, que parecem completamente bem quando vistos por fora, mas que apodrecem por dentro». Além disso, a constante flutuação entre estar «não bem» e «não devastada» também a preocupa: «Mesmo nos meus momentos mais insuportáveis de depressão, eu conseguia rir-me da piada de um amigo, sentindo ao mesmo tempo um vazio no coração e, logo depois, um vazio no estômago, o que me obrigava a sair para comer tteokbokki – O que é que havia de errado em mim?»

E é ao longo das doze semanas de terapia para a distimia, ou transtorno depressivo persistente (um estado de constante depressão leve), que a autora vai descobrindo que a sua escuridão é tão natural quanto a sua luz e que não há formas mais ou menos «aceitáveis» de depressão. É por isso perfeitamente normal rir-se de uma piada ou ansiar pela sua comida de rua favorita, mesmo nos piores dias.

Um livro que confortará qualquer um que já tenha estado deprimido, ansioso ou apenas frustrado consigo mesmo, Quero Morrer, mas Também Quero Comer Tteokbokki convida-nos para o exercício da autodescoberta, o melhor dos caminhos para alcançarmos a consciência, a compreensão e a sabedoria. E, «depois de encontrar conforto na existência um do outro», autora e leitor poderão ou não responder à pergunta: Será mesmo isto a vida?

Quero Morrer, mas Também Quero Comer Tteokbokki

Baek Sehee
Literatura / Memórias
192 páginas · 15x23 · 16 €

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