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A vocação de agitar consciências

Porto Editora publica Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas, com capa caligrafada por José Luís Peixoto. Fica assim completa a coleção de obras de José Saramago para cujos títulos várias personalidades da cultura de língua portuguesa emprestaram a sua letra.

Aquando da sua morte, em 2010, José Saramago deixou escritas trinta páginas daquele que seria o seu próximo romance; trinta páginas onde estava já esboçado o fio argumental, perfilados os dois protagonistas e, sobretudo, colocadas as perguntas que interessavam à sua permanente e comprometida vocação de agitar consciências. Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas, o título que começou por ser uma epígrafe, evoca a tragicomédia Exortação da Guerra, de Gil Vicente.

Dois textos – de Fernando Gómez Aguilera e Roberto Saviano – situam e comentam as últimas palavras em papel do Prémio Nobel português, cuja força as ilustrações de um outro Nobel, Günter Grass, sublinham. A questão da «responsabilidade ética do sujeito, para consigo próprio e para com a sociedade» continua hoje tão pertinente (ou mais) quanto há catorze anos, quando foi explorada nestas páginas. Tomando como argumento «o mundo inóspito e lacerante» da produção e do uso de armas, Saramago alinhava aqui «um romance de ideias com uma forte componente de reivindicação e provocação», nas palavras de Fernando Gómez Aguilera. Uma narrativa de extrema atualidade, que aponta o dedo à importância de estarmos ou não estarmos «dentro das coisas»: de termos capacidade de análise crítica e de combate ao status quo da mediocridade, da corrupção, do abuso de poder.

O livro já se encontra em pré-venda

SOBRE O LIVRO

Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas
Saramago escreve a história de Artur Paz Semedo, um homem fascinado por peças de artilharia, empregado numa fábrica de armamento, que leva a cabo uma investigação na sua própria empresa, incitado pela ex-mulher, uma mulher com carácter, pacifista e inteligente. A evolução do pensamento do protagonista permite-nos refletir sobre o lado mais sujo da política internacional, um mundo de interesses ocultos que subjaz à maior parte dos conflitos bélicos do século xx.

Ver primeiras páginas  

Título: Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas
Autores: José Saramago, Roberto Saviano e Fernando Gómez Aguilera
Ilustrações: Günter Grass
Páginas: 136
PVP: 15,50€ 

CRÍTICAS DE IMPRENSA 

«Umas dezenas de páginas que valem por livros inteiros.»
Diário de Notícias

«A prosa de Saramago em Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas não denuncia o estado de fragilidade do escritor, antes uma surpreendente energia criativa.»
Expresso

«Aquilo que ficou deste romance incompleto está, de certa forma, acabado: a ação contada é coerente, as personagens têm nitidez, o tempo narrativo encontra-se estruturado, o estilo não evidencia hesitações.»
Jornal de Letras, Artes e Ideias

SOBRE O AUTOR

José Saramago
Autor de mais de 40 títulos, José Saramago nasceu em 1922, na aldeia de Azinhaga. As noites passadas na biblioteca pública do Palácio Galveias, em Lisboa, foram fundamentais para a sua formação. «E foi aí, sem ajudas nem conselhos, apenas guiado pela curiosidade e pela vontade de aprender, que o meu gosto pela leitura se desenvolveu e apurou.» Em 1947 publicou o seu primeiro livro que intitulou A Viúva, mas que, por razões editoriais, viria a sair com o título de Terra do Pecado. Seis anos depois, em 1953, terminaria o romance Claraboia, publicado apenas após a sua morte. No final dos anos 50 tornou-se responsável pela produção na Editorial Estúdios Cor, função que conjugaria com a de tradutor, a partir de 1955, e de crítico literário. Regressa à escrita em 1966 com Os Poemas Possíveis. Em 1971 assumiu funções de editorialista no Diário de Lisboa e em abril de 1975 é nomeado diretor-adjunto do Diário de Notícias. No princípio de 1976 instala-se no Lavre para documentar o seu projeto de escrever sobre os camponeses sem terra. Assim nasceu o romance Levantado do Chão e o modo de narrar que caracteriza a sua ficção novelesca. Até 2010, ano da sua morte, a 18 de junho, em Lanzarote, José Saramago construiu uma obra incontornável na literatura portuguesa e universal, com títulos que vão de Memorial do Convento a Caim, passando por O Ano da Morte de Ricardo Reis, O Evangelho segundo Jesus Cristo, Ensaio sobre a Cegueira, Todos os Nomes ou A Viagem do Elefante, obras traduzidas em todo o mundo. No ano de 2007 foi criada em Lisboa uma Fundação com o seu nome, que trabalha pela difusão da literatura, pela defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, tomando como documento orientador a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Desde 2012 a Fundação José Saramago tem a sua sede na Casa dos Bicos, em Lisboa. José Saramago recebeu o Prémio Camões em 1995 e o Prémio Nobel de Literatura em 1998. 

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