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Lisboa recebe ciclo de música barroca

Quatro igrejas lisboetas serão cenário de um ciclo de seis concertos de música barroca que se realiza entre os próximos dias 18 e 27 de abril, que visa recuperar este repertório para os hábitos culturais da capital.

© Facebook do Convento dos Cardaes

O maestro Massimo Mazzeo, diretor artístico do ciclo “Música Antiga”, disse que a música barroca está arredada das programações das salas nacionais, “salvo honrosas exceções”, e esta é uma proposta para o público voltar a conviver com este repertório.

É também uma oportunidade para “uma experiência intimista”, de proximidade, ao ter o músico a poucos metros de distância e num espaço relativamente pequeno, num “concerto em que artista e público participam juntos, e são todos protagonistas”, acrescenta Mazzeo.

As igrejas barrocas para este ciclo foram escolhidas “essencialmente por razões estéticas”, e são a Capela da Bemposta, no Paço da Rainha, junto ao largo do Mitelo, aos Mártires da Pátria, a Igreja do Convento dos Cardaes, na rua de O Século, no eixo Bairro Alto - Príncipe Real, e depois, no Chiado, a Igreja do Sacramento, na calçada com o seu nome, e a Basílica dos Mártires, na rua Garrett.

“A ideia é criar uma temporada de música barroca, também chamada de música antiga, que possa pôr em ligação conceptual os repertórios barrocos, que muitas vezes não se conseguem ouvir nas principais temporadas, mas que são repertórios perfeitamente geniais e extraordinários, e ouvir os intérpretes nacionais e estrangeiros, alguns deles verdadeira lendas, como [o organista] Ton Koopman ou o [contratenor] Andreas Scholl”.

Andreas Scholl abre o ciclo, no dia 18, na Capela da Bemposta, interpretando "Canções de Alaúde", acompanhado pelo alaudista Edin Karamazov. Vai interpretar canções inglesas de John Dowland e John Johnson, assim como uma cantata de George Frideric Handel, "Nel dolce tempo". O programa inclui ainda a Suíte n.º1 para violoncelo solo, de Johann Sebastian Bach, numa transcrição para alaúde.

O neerlandês Ton Koopman encerra o ciclo, no dia 27, com o recital “Como Brilha a Estrela da Manhã”, que inclui peças de Correa de Arauxo, Jan Pieterszoon Sweelinck, Dieterich Buxtehude e Mozart, entre outros.

Koopman vai tocar o órgão ibérico da Basílica dos Mártires, construído em 1785 por António Machado e Cerveira (1756-1828), “um dos maiores órgãos da Península Ibérica”, disse Mazzeo, referindo a “narrativa barroca, pós terramoto de 1755”, deste templo.

A questão patrimonial, dando a conhecer estes espaços religiosos, é outra vertente do ciclo.

O maestro pretende colocar Lisboa a par de outras as capitais da Europa, onde se realizam regularmente temporadas de música antiga “de grande gabarito”.

Este ciclo é o primeiro passo para Lisboa vir a usufruir, “de uma forma sólida”, de uma temporada de música barroca, realçando o maestro as “excecionais condições” da capital.

“Temos uma comunidade autóctone e residentes estrangeiros que querem usufruir de cultura e há turistas que podem beneficiar de um conteúdo cultural deste género”.

Mazzeo realçou o “ambiente intimista” em que decorrem os concertos, contrariando a distância que criam as grandes salas.

O cartaz inclui a orquestra barroca Divino Sospiro, que Mazzeo dirige há vários anos, e que no dia 26, na Igreja dos Cardaes, apresenta “Salmos de David”, do compositor veneziano Benedetto Marcello, que serão interpretados por um ensemble de músicos da orquestra, constituído pela soprano Mariana Castello Branco, Teodoro Baú (viola de gamba), Francesco Tomasi (teorba) e Lucia Di Nicola (cravo).

Do cartaz fazem ainda parte o Americantiga Ensemble, o agrupamento Arte Minima, sob a direção de Pedro Sousa Silva, e um grupo de solistas da Orquestra Barroca de Mateus, sob a direção artística e musical do maestro e musicólogo Ricardo Bernardes, que no dia 20 de abril, na Capela da Bemposta, interpreta o Requiem de Mozart para quatro cantores, violoncelo solista, dois fagotes e órgão, conforme manuscritos do início do século XIX encontrados na Sé de Évora e transcritos por Bernardes.

Mazzeo considera que “a cultura tem de ser uma escolha”.

“Como se vai ver um espetáculo rock e paga-se, e outros eventos culturais, também um ciclo que traz a Lisboa alguns dos maiores artistas da história da interpretação musical, tem de ser uma escolha e não deve ser apenas uma escolha porque a entrada é livre”.

Este é um primeiro ciclo, mas Massimo Mazzeo afirmou que tem preparada programação para outros ciclos, até ao final do ano, com um orçamento global de 160.000 euros, dos quais, o orçamento do ciclo inaugural, de abril, absorve metade.

“Com este ciclo estamos a contribuir para um diversidade e qualidade da oferta cultural” em Lisboa, disse Mazzeo referindo que “nos últimos anos tudo se virou para entretenimento”, frisando que “a cultura é entretenimento, mas nem sempre o entretenimento é cultura”.

“Gostava que não se visse apenas a cultura apenas como um evento de entretenimento, mas também um evento que estimula o raciocínio e a sensibilidade, o que é muito importante para os tempos que estamos a viver.”


Fonte: LUSA | 8 de abril de 2024

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