"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Notícias

"Pulp Fiction" estreou há 30 anos em Cannes. O Cinema nunca mais foi o mesmo

"Pulp Fiction" acabaria, contra as previsões de todos, por vencer a Palme D'Or de 1994 e tornar-se um dos filmes mais marcantes do ano e da década.

Foi a 21 de maio de 1994 que estreou um dos filmes mais improváveis a vencer o Festival de Cannes. "Pulp Fiction", a segunda longa-metragem de Quentin Tarantino, fazia furor devido à sua violência exagerada, a sua escrita colorida e a sua narrativa não-linear.

Acabaria, contra as previsões de todos, vencer a Palme D'Or desse ano e tornar-se num dos filmes mais marcantes do ano e da década. Partiu para a conquista improvável da bilheteira, apesar de um orçamento modesto, e ainda conseguiu um Óscar por Melhor Argumento Original, num ano muito competitivo ("Forrest Gump" limpou as principais categorias e ainda havia "Os Condenados de Shawshank").

John Travolta teve a sua carreira revigorada, enquanto Samuel L. Jackson e Uma Thurman, na altura ainda desconhecidos do grande público, tornaram-se estrelas reconhecíveis. Bruce Willis, Christopher Walken e Harvey Keitel ficaram com mais três papéis de referência, apesar do seu reconhecimento prévio. E não nos podemos esquecer que neste elenco icónico está, ainda, uma portuguesa: Maria de Medeiros contracena em três cenas com Bruce Willis.

Quentin Tarantino já tinha captado a atenção da imprensa especializada e dos cinéfilos depois de ter realizado o seu primeiro filme "Cães Danados" e escrito o argumento de "Amor à Queima-Roupa", mas depois de "Pulp Fiction", o mundo inteiro ficou a conhecê-lo.

Hoje em dia, é tido como um dos poucos cineastas cujo o próprio nome tem valor comercial e consegue atrair espectadores para as salas de Cinema, independentemente do filme ou dos atores que o protagonizam.

A longa-metragem marcou um virar de página no Cinema norte-americano e deixou um impacto que, ainda hoje, é percetível nos filmes atuais. O pós-modernismo que brinca com as regras, que nos coloca uma narrativa mais irónica e ácida do que sincera nas suas emoções não começou com "Pulp Fiction". Contudo, explodiu depois da obra de Tarantino.

Hoje, é comum vermos filmes que usam violência de forma sarcástica, quase em jeito de desenho animado, com narrativas não-lineares, constantes referências à "pop culture" e que contam com uma banda sonora à base de música comercial e reconhecível pelo grande público. Será injusto dizer que qualquer realizador que o faça esteja a copiar Tarantino. Porém, a generalização da prática tem neste cineasta o seu ponto de origem.

Passados 30 anos, "Pulp Fiction" resiste na perceção popular. O seu icónico poster, com Uma Thurman de barriga para baixo, pernas cruzadas e cigarro na mão, é uma imagem que vende em qualquer tipo de produto. A música, que não tem nenhuma composição original, é associada inevitavelmente ao filme - especialmente a de abertura ("Misirlou") e a de fecho ("Surf Rider"). E quase todas as cenas do filme são referenciadas e parodiadas constantemente, desde o diálogo sobre hambúrgueres do McDonald's à dança entre Travolta e Thurman no restaurante.

Depois do lançamento global em outubro desse ano, "Pulp Fiction" chegou aos cinemas portugueses a 25 de novembro de 1994.

 


por João Malheiro in Renascença | 21 de maio de 2024
Notícia no âmbito da parceira Centro Nacional de Cultura | Rádio Renascença

Agenda
Ver mais eventos
Visitas
93,302,934