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Chapitô apresenta "Odisseia", mas não é bem a que Homero escreveu

A companhia continua apostada em apresentar os clássicos. A Odisseia que já estreou, em Lisboa é interpretada por Jorge Cruz, Pedro Diogo e Pedro da Silva. A peça, com encenação de Rui Rebelo e José C. Garcia fica em cena até 27 de abril.

Depois do sucesso de “Rei Lear”, a Companhia do Chapitô desmonta a “Odisseia” de Homero. Um texto onde pergunta se o cavalo de Troia era árabe ou andaluz? Mas há mais peripécias nesta viagem que fica em cena até 27 de abril.

Esta é a Odisseia que Homero não contou, diz-nos Rui Rebelo, o encenador que com José C.Garcia dirigem a peça. Partem do texto clássico, mas depois dão-lhe o toque a que a Companhia do Chapitô já habituou o seu público.

Prometem arrancar gargalhadas, numa peça onde vão “tentar contar a história de um ponto de vista dos deuses e de um Ulisses que não o Ulisses, neste caso é um Odisseu, que não é herói”, diz Rebelo em entrevista.

Este “Odisseu, é um humano que chateia os deuses e os deuses estão chateados com ele”, avança o encenador. A situação “desencadeia uma série de complicações durante a viagem”, diz Rui Rebelo.

“Fizemos todo a parte da viagem cronológica, mas com incidentes”, explica o encenador. A peça conta com interpretação de Jorge Cruz, Pedro Diogo e Pedro da Silva.

A peça tem “sempre desfechos surpreendentes e que não são os da história”, adverte o encenador. “Ele tem problemas de escalas, problemas de excesso de bagagem. Tem problemas com os marinheiros que vai perdendo com as parvoíces que vai dizendo e, portanto, não é propriamente um herói”, explica Rui Rebelo.

“É mais um homem com bastante arrogância e muito pouca inteligência e, portanto, por isso é que cai nessas maluqueiras todas e deixa 20 anos a mulher à espera dele”, diz a rir o encenador.

Sem revelar o fim “que não tem nada a ver com o fim da Odisseia”, sublinha Rui Rebelo, a peça conta com um “volte de face” no desfecho. Para este artista, na “Odisseia”, tal como em muitas peças, o palco é um espelho da sociedade.

“Na realidade a rir corrigem-se os costumes e corrigem-se os hábitos”, lembra Rui Rebelo. “Por vezes a olhar para as coisas e olharmos para o mundo de uma forma caricaturada é uma forma de nos identificarmos”, diz o encenador.

“As pessoas sabem que aquilo não é real. Isso é fundamental. Hoje em dia, é muito difícil perceber o que é que é mentira, o que é que não é, ou o que aconteceu, o que é que não aconteceu ou como é que aconteceu”, afirma Rui Rebelo.

“O humor tem essa vantagem que é conseguimos ver uma situação, rirmo-nos dela e depois pensarmos que ela nos pertence também e que estamos a rir de nós. É uma boa forma de conseguirmos mudar”, lembra o encenador.

A peça estará em cena de quinta a sábado. A sessão é às 21h00, e domingo às 17h00.

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por Maria João Costa in Renascença | 10 de abril de 2025
Notícia no âmbito da parceira Centro Nacional de Cultura | Rádio Renascença

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