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Teatro da Rainha assinala 40 anos e leva a cena "A Noite dos Visitantes"

O Teatro da Rainha vai levar a cena “A Noite dos Visitantes”, de Peter Weiss, e inaugurar uma exposição sobre a atividade da companhia, que assinala 40 anos, no Céu de Vidro, no Parque das Caldas da Rainha.

"A noite dos visitantes", de Peter Weiss © ovelhaelectrica

Numa coprodução entre a companhia residente nas Caldas da Rainha e o Teatro das Beiras, da Covilhã, o Teatro da Rainha reservou as duas primeiras apresentações da peça para as freguesias de Nadadouro (dia 3) e Carvalhal Benfeito (dia 4).

Só depois, entre os dias 15 e 21, a peça de Peter Weiss será apresentada na cidade, na ruína da antiga Casa da Cultura, no Parque D. Carlos I.

"Noite dos Visitantes” marca o regresso do encenador Fernando Mora Ramos a um texto que representou em 1978, no Centro Cultural de Évora, dirigido então por Mário Barradas, autor da tradução que o Teatro da Rainha agora recupera.

A peça “foi o primeiro passo de Peter Weiss na reabilitação de um teatro popular, aproximando-se de formas artísticas tais como o teatro de marionetas, o Grand Guignol ou o Kabuki japonês”, divulgou o teatro da Rainha num texto sobre o espetáculo para todas as idades.

“Trata-se de uma parábola em verso popular, rimado, com uma forte dimensão caricatural, 'clownesca', em que o lúdico se alia ao rigor na busca de uma estética antinaturalista”, pode ler-se no mesmo texto.

Em palco os atores dão vida a Gaspar Rosa Rosinha, que invade a casa de uma família camponesa. Frederico, o pai de família, inventa a história de uma arca abandonada e enterrada com ouro para distrair e dissuadir o invasor. Gaspar Rosinha incumbe-o de procurar a arca, enquanto a mulher e os filhos ficam ao dispor “do terrível visitante”, rogando em coro: “Não nos mate, por piedade”.

Entretanto a casa é invadida por um outro ladrão e, quando o pai regressa com a arca supostamente cheia de ouro, “dá-se uma grande batalha entre os ladrões, da qual resulta enorme mortandade”, pode ler-se na sinopse. Escapam duas crianças que, quando finalmente abrem a arca, “descobrem o pouco que lhes resta para reconstrução do futuro”.

Mora Ramos considera tratar-se de “uma peça sobre a cobiça, a violência imperial, o direito de morte sobre terceiros, que quem tem armas pode impor, o assédio sexual, o direito do mais forte ao que quiser, a tortura, a ameaça, o terror, mas também sobre a manha, a astúcia, o fingimento adequado à resistência em situação, a mentira bem urdida para iludir e ser eficaz por razões óbvias, isto é, as armas que os mais fracos podem intuir e usar num contexto de luta pela sobrevivência.”

Autor de um teatro politizado e documental, Peter Weiss (1916-1982) realiza nesta peça “uma alegoria do esbulho imperialista”, que, para a companhia das Caldas da Rainha, ganha nova atualidade numa época em que se assiste “a todo o tipo de invasões e de ocupações”.

A proposta é assim assistir uma peça de teatro “iminentemente físico, bastante divertido, que na encenação de Fernando Mora Ramos adquire também uma componente musical e ritmada com sublinhados assaz expressivos."

“A Noite dos Visitantes” conta com as interpretações de Fábio Costa, Hâmbar de Sousa e Tiago Moreira (Teatro da Rainha), Benedita Mendes, Miguel Brás e Sónia Botelho (Teatro das Beiras).

A produção conta ainda com dispositivo cénico de Fernando Mora Ramos, iluminação de William Alves, criação sonora de Tiago Moreira, figurinos de Rafaela Ciríaco da Graça, operação de som e execução de instrumentos musicais de João Nuno Henriques.

A assinalar os 40 anos da companhia o Teatro da Rainha inaugurará também, no dia 05, no Céu de Vidro, uma exposição com fotografias, cartazes, bandas sonoras, desenhos de cenografia e figurinos, dos primeiros cinco anos de atividade e das produções levadas à cena no Parque D. Carlos I, Largo Rainha D. Leonor e no adro da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo.


Fonte: LUSA | 1 de julho de 2025

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