"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

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Inquietação no regresso a casa

Novo volume dos cadernos de Maria Gabriela Llansol publicado pela Assírio & Alvim, chancela do Grupo Porto Editora.

Os textos intimistas e vivos dos diários de Maria Gabriela Llansol regressam às livrarias portuguesas, com o lançamento de A Floresta das Intensidades – Livro de Horas X. Neste novo volume acompanhamos o dia-a-dia, as reflexões e inquietações de um dos nomes mais importantes da ficção portuguesa contemporânea durante a década que se seguiu ao seu exílio na Bélgica, agora em Colares-Sintra.

Os dias divididos entre as casas, tão importantes que ganham nomes, e o período sempre difícil para um escritor, depois do lançamento do seu Um Beijo Dado Mais Tarde, têm reflexo nas páginas desta obra, que espelha toda a inventividade de Maria Gabriela Llansol . Ficção e realidade, seres animados e inanimados são a sua companhia e merecem destaque num livro que é exemplo de um espírito criativo único.

Ou como explica João Barrento , organizador deste volume, «as relações humanas, neste tempo muitas vezes referido como “de crise”, serão o lado mais problemático e tensional dessa não-narrativa escrita por um “impoeta” (…). Trata-se de uma verdadeira travessia da metanoite, um dos conceitos mais presentes nestes anos, uma zona de risco que a escrita e a vivência da natureza não deixam, porém, cair no “ponto voraz”: “metanoite e angústia são incompatíveis”.»

A par do lançamento deste livro, a Assírio & Alvim reedita, no mesmo dia, Uma Data em Cada Mão – Livro de Horas I, o pontapé de saída deste projeto, que foi preparado ainda com o apoio da própria Maria Gabriela Llansol.

SOBRE O LIVRO
A Floresta das Intensidades – Livro de Horas X
Aproximando-nos do fim do projeto conhecido como Livro de Horas, importa agora recordar, nas palavras dos organizadores Maria Etelvina Santos e João Barrento, a que se propõe este esforço hercúleo: «Os Livros de Horas que [há anos começámos] a editar, a partir dos cadernos manuscritos do espólio de Maria Gabriela Llansol, representam a concretização de um projecto que nasceu das nossas últimas conversas com a escritora, entre finais de 2007 e início de 2008. Foi nessa altura que Llansol [manifestou] então o desejo de começar a transcrever deles [cadernos], por ordem cronológica, os textos diarísticos […] a que daria o título genérico de Livro de Horas.» Aqui chegados, percorremos agora os anos de 1991-95, em Colares-Sintra: «Um dos topoi mais vezes repetido neste Livro de Horas é o da “potência de autonomamente estar só”. A solidão criadora, a autonomia proporcionada pela escrita e a pujança interior que supera o desencanto do mundo são, apesar de tudo, os faróis que orientam a navegação dos dias. Tal como, mais tarde, a sombra do silêncio que paira sobre a casa de Sintra.»

Ver primeiras páginas

Título: A Floresta das Intensidades – Livro de Horas X
Autora: Maria Gabriela Llansol
Seleção, transcrição, introdução e notas: João Barrento
PVP: 17,75€
Páginas: 216
Coleção: Arrábido / obras de Maria Gabriela Llansol

SOBRE A AUTORA

Maria Gabriela Llansol nasceu em Lisboa em 1931. É apontada por muitos como um dos nomes mais inovadores e importantes da ficção portuguesa contemporânea. Levando às últimas consequências a criação de um universo pessoal que desde os anos 60 não tem paralelo na literatura portuguesa, a obra de Maria Gabriela Llansol estilhaça as fronteiras entre o que designamos por ficção, diário, poesia, ensaio ou memórias. Faleceu em 2008.
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