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Mário Zambujal antecipa celebração de 90.º aniversário com "policial desatinado"

O novo livro de Mário Zambujal, “O Último a Sair”, trata-se de um romance policial que inclui outra ficção, “Conto Final. Parágrafo”, uma história de amor entre rivalidades de dois bairros.

© Estela Silva/Lusa

“Estou a cumprir uma promessa que fiz a mim próprio. Esta é a tentativa de escrever um livro policial. Não será um típico. Um livro em que as personagens devem ter afeto e conflitos e contradições”, escreveu Zambujal.

Um “policial desatinado” para comemorar os seus 90 anos, que completa a 5 de março próximo, escreve o autor, acrescentando contar com “a benevolência dos leitores de sempre”.

Rodrigo Mendes, um inspetor policial reformado, é o protagonista deste romance policial. O antigo inspetor de Polícia usa uma bengala por ter sido baleado num joelho em serviço, e é casado com Lídia. A ação narrativa inicia-se quando o casal tem conhecimento do assassinato do empresário Pascoal Bilro, proprietário de um restaurante, uma pousada, um palacete e um prédio no centro da vila onde moram.

O conjugar de vários fatores suscita a curiosidade do ex-inspetor e de Lídia, ex-companheira de Pascoal Bilro, e de quem Rodrigo era amigo, que encetam uma investigação oficiosa.

“O Último a Sair” inclui o conto “Conto Final, Parágrafo” e o ‘fac-simile’ do respetivo manuscrito, que inclui rasuras e notas do autor, revelando o modo criativo do escritor e ex-jornalista.

“Conto Final, Parágrafo” narra o caso de amor com final feliz, entre Grizalina, “filha de pai finlandês e mãe do Cartaxo” que “impressionava pelos olhos verdes, a tez morena, [e] cabelos cor de mel” que falava cinco línguas, e Gustavo Romão, que tinha um clube de fãs constituído por ex-namoradas da adolescência.

O romance desenvolve-se entre as rivalidades de dois bairros vizinhos, o dos Quatro Moinhos, onde vivem Grizalina e Gustavo, e o de S. Julião das Lebres Tontas, que decide declarar guerra ao de Quatro Moinhos e invadi-lo.

Quatro Moinhos conta com “uma agente secreto no terreno inimigo, a veterinária Hermínia Paiva” que “é contra a ideia de anexar o Quatro Moinhos”. Lebres Tontas é um bairro “bem maior, em dimensão e residentes”, que o de Quatro Moinhos.

Mário Zambujal estreou-se nos livros com "Crónica dos Bons Malandros”, em 1980, que se tornou um sucesso, quando era o conhecido ‘pivot’ do "Domingo Desportivo" da RTP1.

O romance “Crónica dos Bons Malandros”, cujo enredo se centra num bando de ineptos que prepara o roubo de uma peça de René Lalique do Museu Gulbenkian, inspirou o filme homónimo de Fernando Lopes, rodado em 1984. A obra deu ainda origem a uma série realizada por Jorge Paixão da Costa, em 2021, e a um musical, em 2011, dirigido por Francisco Santos em colaboração com o autor.

No jornalismo, iniciou-se no jornal A Bola, como correspondente, trabalhou no semanário O Jornal, no Record e no Tal & Qual. Dirigiu o Jornal Sénior, publicado entre 2013 e 2014, e foi colunista no diário 24 Horas.

Em 2020, o festival literário Escritaria, em Penafiel, homenageou-o e à sua obra.

Mário Zambujal foi condecorado em 1984 com o grau de oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Em 2016, recebeu a medalha de Mérito Cultural da Câmara de Lisboa e, em 2022, a Junta de Freguesia de S. Domingos de Benfica, na capital, homenageou-o com um mural, de autoria de Mariana Duarte Santos, na Estrada de Benfica.

Este ano, o Clube de Jornalistas distinguiu a sua “longa carreira jornalística” com o prémio Gazeta de Mérito.


Fonte: LUSA | 13 de dezembro de 2025

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