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CCB revisita obras emblemáticas de Vera Mantero que interrogam o corpo e o mundo
O Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, abre quinta-feira um ciclo dedicado à coreógrafa Vera Mantero, reunindo duas das suas criações mais emblemáticas e um 'workshop' centrado na investigação do corpo como espaço de pensamento e criação.
O ciclo começa com a reposição de “Poesia e Selvajaria” (1998), peça fundamental do percurso de Vera Mantero, a apresentar no pequeno auditório do CCB, o mesmo espaço onde se estreou há quase três décadas, no âmbito do Festival Mergulho no Futuro.
Criada a partir do espanto perante a condição humana, a obra propõe uma reflexão sobre a coexistência entre o sublime e o brutal, afirmando-se como uma procura de liberdade através do corpo, tema importante que atravessa a obra da 'performer'.
Em cena, um grupo de intérpretes habita um território de transgressão sensível, explorando o que a coreógrafa designa como uma “selvajaria positiva”, um estado de escuta instintiva e de comunicação para lá da palavra, numa proximidade física com o público que reforça a dimensão visceral da peça, convocando "um corpo despojado de códigos, aberto ao desconhecido e à descoberta de si, dos outros e do mundo”.
Nesta apresentação, “Poesia e Selvajaria” regressa ao palco com parte do elenco original, a que se juntam novos criadores e colaboradores.
O segundo momento central do ciclo acontece em 26 de fevereiro, com a apresentação de “Um Estar Aqui Cheio” (2001), no palco do grande auditório do CCB.
Criada no contexto de uma residência artística em Brest, no âmbito da Capital Europeia da Cultura Porto 2001, a peça é agora apresentada pela primeira vez em Lisboa, 25 anos após a estreia, com o elenco original.
Resultado de um processo coletivo de reflexão, improvisação e criação, a obra reúne artistas de diferentes áreas — da dança à música, da escrita às artes visuais —, numa investigação sobre a energia, o movimento, a curiosidade e a potência da existência.
O espetáculo assume múltiplas formas, cruzando música, conferência, coreografia e instalação, e propõe ao público diferentes modos de presença, perceção e participação.
Ambas as criações contam com direção artística de Vera Mantero, assistência de direção de David Marques, conceção visual de Nadia Lauro, banda sonora e interpretação ao vivo de Boris Hauf, criação de vídeo de Helena Inverno e desenho de luz de Jean-Michel Le Lez.
Com este ciclo, o CCB revisita momentos-chave da obra de Vera Mantero, figura central da dança contemporânea portuguesa, sublinhando a atualidade de uma criação “que continua a interrogar o corpo, a linguagem e as formas de estar no mundo”.
Em paralelo com as apresentações, o ciclo inclui o 'workshop' “O Corpo Pensante”, orientado por Vera Mantero, que decorrerá de 03 a 06 de fevereiro, na Black Box do CCB.
Destinado a estudantes e profissionais das áreas da dança e do teatro, bem como a participantes não profissionais com experiência nessas áreas, o 'workshop' propõe uma “exploração do corpo como lugar de pensamento”, através de práticas como a respiração, a escrita, o uso da voz, a improvisação e a atenção aos estados de consciência.
Vera Mantero estudou dança clássica com Anna Mascolo e fez parte do Ballet Gulbenkian, entre 1984 e 1989, tendo iniciado a carreira coreográfica em 1987, tornando-se um dos nomes centrais da Nova Dança Portuguesa.
A coreógrafa e 'performer' tem mostrado o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Uruguai, Brasil, Chile, Canadá, Coreia do Sul, EUA e Singapura.
Fonte: LUSA | 5 de janeiro de 2026

