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Fotógrafa Rosa Reis edita "Jazz Emotions"
A fotógrafa Rosa Reis apresenta no próximo sábado, em Lisboa, o seu novo livro, "Jazz Emotions", testemunho a preto e branco de músicos e concertos dos últimos 20 anos, anunciou a galeria Acervo - Santa Maria Maior.
Para o crítico António Curvelo, que assina o prefácio, "Jazz Emotions" é um livro "documentalmente vivo", sintonizado com "a memória dos palcos". Para Rosa Reis, que faz "assumidamente fotografia documental e de autor", a obra tem o objetivo de manter a perenidade do instante, de evitar a "memória curta" de um concerto, de "homenagear os músicos" e a sua paixão.
André Fernandes, Barros Veloso, Bernardo Sassetti, Carlos Barretto, João Barradas, Maria Anadon, Maria João, Mário Laginha e Ricardo Toscano estão entre os mais de 400 músicos de diferentes origens e gerações retratados na obra, assim como Brad Mehldau, Cassandra Wilson, Charlie Haden, Chick Corea, Cindy Blackman, David Murray, Dee Dee Bridgewater, Diana Krall, Jack DeJohnette, Joe Lovano, Keith Jarrett, Ornette Coleman, sem esquecer Bernardo Moreira, na capa.
O novo livro, publicado duas décadas após o anterior "Jazz", também em edição de autor, abrange sobretudo as principais atuações em Portugal, desde 2005, algumas fora do país, como no Qatar, onde a fotógrafa começou por acompanhar a presença nacional a convite da embaixada portuguesa. Por isso, os textos de "Jazz Emotions" estão em português, inglês e árabe.
Atenta ao jazz, Rosa Reis fala no desafio de tirar partido das "piores condições de luz" em que os concertos se realizam.
Há sempre sombra, disse à Lusa, "é quase impossível apanhar todos os músicos na mesma linha", e a iluminação é muitas vezes má, garante a fotógrafa, lembrando as condições de muitos concertos de jazz: "Não há dinheiro", mas sobra "a entrega apaixonada" dos músicos.
Para Rosa Reis, o jazz surge como "uma forma de representação da fotografia enquanto transmissão de emoções e relações", algo que procura sempre em todas as áreas do seu trabalho, que vai do património e da arqueologia industrial, ao mundo laboral, às cidades e à vida urbana: "Olhar as coisas sem coração não é para mim", assegura.
Nos anos que se seguiram a "Jazz", em 2005, expôs "Memórias - Estoril Jazz", no Centro de Congressos do Estoril, "Emoções com Jazz", na Galeria Humbihumbi, em Luanda, "Jazz - As Sombras e a Luz", que levou igualmente a Angola.
Rosa Reis fez da fotografia a sua "forma de expressão", depois de se ter iniciado em cerâmica e pintura, na Escola António Arroio, com o mestre Querubim Lapa.
Especializou-se no Ar.Co - Centro de Arte e Comunicação Visual e depois no IADE, atual Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação, onde fez pós-graduação e mestrado em Estudos da Fotografia e Teoria da Cultura Visual.
As suas primeiras exposições datam dos anos 1980. Na altura, o fotógrafo alemão Fritz Meisnitzer, antigo editor da Photo, acompanhou o seu trabalho.
Desde então expôs em locais como a Casa da Cerca, em Almada, a Fundação Champalimaud e a antiga Carpe Diem, em Lisboa, o Museu da Imagem, em Braga, a Kunsthalle, em São Paulo, a Kogan Gallery, em Paris, a Galeria Panal, em Buenos Aires, a TAF Theart Foundation, em Atenas, em mostras individuais e coletivas que também passaram pelo Centro Cultural de Belém e o Museu de Serralves.
Ao Parlamento Europeu, no Luxemburgo, levou imagens de "Uma Outra Lisboa". Em Espanha, foi premiada pela mostra "Património, Imagem e Paisagem Industrial", que esteve no Centro El Coto, de Gijón.
Entre os seus livros e catálogos contam-se "Cadeia de Tires - Mãos de Esperança", "Memórias de Uma Indústria", "Siderurgia Nacional - O Tempo e a Memória", "Uma Outra Lisboa". Tem fotografias em revistas como Photo, Chasseurs d’Images, Reporter e Leica, que em 1995 publicou o seu trabalho sobre os Estaleiros da Lisnave, também exposto em Le Mans, França.
Rosa Reis está representada nas coleções da Culturgest, do Camões Instituto, das fundações Champalimaud e PLMJ, do Museu da Imagem e do Centro Português de Fotografia, entre outras.
A apresentação de "Jazz Emotions", no sábado, a partir das 17h00, na galeria Acervo, conta com uma conversa com o crítico de jazz António Curvelo, o antigo presidente do Hot Clube de Portugal José Soares e o jornalista do Público Nuno Pacheco, além da atuação do BeDuet, de Sérgio Neves (guitarras) e Nuno Faria (contrabaixo, guitarra e percussão).
"No jazz, quanto mais se ouve melhor se vê", escreve António Curvelo no prefácio. "E quanto mais se vê melhor se pode ouvir. As fotos de Rosa Reis – espalhadas por muito do que foi e é festival e concerto de jazz em Portugal – ajudam-me a ter razão".
Fonte: LUSA | 20 de janeiro de 2026

