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Dino D’Santiago mostra tráfico negreiro em exposição de rostos incompletos

O músico Dino D’Santiago desenhou 30 quadros de rostos que contam a história do tráfico negreiro, dos quais apenas três autorretratos têm a cara completa, porque a vida de muitos afrodescendentes ainda é incompleta, segundo o artista.

© Underdogs Gallery

Os quadros vão ser apresentados pela primeira vez numa exposição na Galeria Underdogs, em Lisboa, onde estará patente até 28 de março.

O músico, escritor e pintor explicou que a exposição, intitulada “Portal do Retorno”, apresenta rostos que “simbolizam muito os lugares do tráfico negreiro, onde os corpos iam todos uns em cima dos outros, de uma forma muito desumana”.

“E depois as meias-vidas que ainda se continuam a viver, até que uma pessoa de origem africana consiga dizer que tem na sua vida uma vida plena”, prosseguiu.

Trata-se de 30 quadros desenhados a tinta da china sobre papel e cartão colorido, com fundos de cores vivas que “são um gesto consciente de ressignificação da expressão ‘pessoa de cor’, afirmada aqui como território de potência, pluralidade e presença”.

“No fundo, quem não é uma pessoa de cor? Somos todos”, disse.

“O Portal de Retorno é precisamente um ressignificar dos portões, ou seja, os portais de não retorno que havia na Ilha de Gorê, no Senegal, em Benguela e no Benin. Essas três foram as que mais me marcaram, esses lugares de onde tantos corpos saíram para não mais regressar”, observou.

E prosseguiu: “De cada vez que um de nós prospera somos um portal de retorno porque realizamos o sonho dos nossos ancestrais. Ou seja, no final do dia, ao não perpetuar o terror vivido por eles, o pesadelo, mas sim honrar e prosperar e sermos felizes nos dias de hoje, já estamos a ressignificar a história”.

O trabalho de Dino D’Santiago foi realizado durante as insónias que se seguiram ao nascimento da filha, durante as quais ocupou o tempo com pintura, escrita, leitura e música.

A exposição de Dino D’Santiago foi criada no contexto dos 50 anos de independência de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

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Fonte: LUSA | 22 de janeiro de 2026

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