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Exposição "Toma! 150 Anos de Zés Povinhos" celebra personagem criada por Bordalo
O Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, inaugura na quarta-feira uma exposição comemorativa dos 150 anos da criação da personagem Zé Povinho, pelo artista plástico Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905).
A exposição intitula-se “Toma! 150 Anos de Zés Povinhos” e tem curadoria do diretor do Museu, João Alpuim Botelho, e do designer Jorge Silva, e apresenta os diferentes Zé Povinhos ao longo de século e meio, entre os quais “um inusitado protótipo, de finais da década de 1970, de um pequeno veículo que poderia ser conduzido sem habilitação para condução, intitulado ‘pró-Zé’… povinho”, disse Alpuim Botelho.
A exposição, na galeria do museu, vai estar patente até 06 de setembro, e apresenta, em 250 metros quadrados, cerca de 400 Zés Povinhos, desde a figura criada por Bordalo Pinheiro, publicada em 12 de junho de 1875, no jornal A Lanterna Mágica, até um cartaz exibido em janeiro passado, na manifestação promovida contra o “pacote laboral”, do atual Governo. Nesse cartaz figura um Zé Povinho, tendo sido cedido pela Ephemera-Biblioteca/Arquivo.
A exposição reúne peças de várias autorias, desde o seu criador, a recriações de caricaturistas como António, André Carrilho e Nuno Saraiva, passando pelos ceramistas populares, anónimos, “algumas peças sem se saber até, a proveniência certa”.
A exposição “é um chamar à atenção para a figura, olhar melhor para ela, ou melhor olhar para o gesto que faz, o manguito, e como hoje se mantém viva, apresentando-se nos materiais mais surpreendentes, de garrafas de vinho, em vidro, jogos, tipo quebra-cabeças, capas de discos e de revistas e até em têxteis”, disse Alpuim Botelho.
O Zé Povinho tornou-se uma “figura agregadora", afirmou. "Há Zés Povinhos para todos os quadrantes, monárquicos, republicanos, de Esquerda e de Direita, contra o [seu congénere] inglês John Bull ou abraçando-o”.
Um dos objetos que faz parte da exposição é o boneco do Zé Povinho do elenco do programa de sátira político-social “Contra Informação”, exibido na RTP1 entre 1996 e 2010, e é também exibida a curta-metragem “Zé-Povinho na Revolução” (1978), de Lauro António.
João Alpuim Botelho realçou que “o humor de Bordalo Pinheiro é ativista, tem sempre um toque político, mas não é populista, ele pretende um cidadão informado e atento aos poderes políticos, sem nunca ser populista”.
O responsável destacou a criação do Zé Povinho nas páginas centrais de A Lanterna Mágica, publicado nas vésperas das festas dos Santos populares. Aí, Bordalo Pinheiro recuperou a tradição lisboeta de construir na rua um trono a St.º António e de as crianças pedirem “um tostãozinho” para o santo. Só que, na caricatura, quem pede é o ministro das Finanças de então, António Serpa Pimentel, e o Santo António é o chefe do Governo, Fontes Pereira de Melo, que leva ao colo o rei Luís.
“Bordalo quer criticar as finanças que pedem ao povo para o Governo que suporta o rei”, afirmou.
Alpuim Botelho define Zé Povinho como “uma figura universal”, pela sua essência, dando como exemplo os muitos visitantes estrangeiros que encontram sempre uma figura paralela nos respetivos países.
>> Site do Museu
Fonte: LUSA | 9 de fevereiro de 2026

