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Festival Correntes d’Escritas homenageia Laborinho Lúcio
A 27.ª edição do Festival Correntes d’Escritas vai reunir mais de uma centena de escritores de 17 nacionalidades. A conferência de abertura está a cargo do ex-diretor do Jornal de Letras, José Carlos Vasconcelos. As 10 mesas que vão reunir os autores têm como tema frases de Laborinho Lúcio.
Foi na edição de há dois anos que Álvaro Laborinho Lúcio propôs um novo nome para as Correntes d’Escritas, o festival literário que anualmente reúne, na Póvoa de Varzim, centenas de escritores. O antigo ministro da Justiça e também autor, que morreu em 2025, defendeu na altura que as Correntes passassem a chamar-se “A Casa”.
É com esta ideia de regresso “a casa” que centenas de autores voltarão este ano a partir de dia 21 de fevereiro, à Póvoa de Varzim, para participar neste festival organizado pela autarquia há 27 anos.
Num ano em que prestam homenagem a Laborinho Lúcio que marcou de forma indelével o evento com a sua presença constante, a organização pediu “emprestadas” as palavras do antigo magistrado para dar título às 10 mesas que irão reunir os escritores, ao longo dos quatro dias de festival.
São frases do livro “A Vida na Selva”, a última obra publicada em vida por Laborinho Lúcio. Trata-se, nas palavras da organização, de “uma obra que parece reunir toda a sua vida em palavras. É um espelho do seu pensamento e do seu percurso humano e intelectual, um registo íntimo e generoso de quem observou o mundo com lucidez, sensibilidade e uma curiosidade constante pelo humano e pelo cívico”, referem.
Entre os convidados da edição deste ano estão autores de várias latitudes, de José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe, aos brasileiros Eucanaã Ferraz e Itamar Vieira Júnior, passando pelos africanos Germano Almeida e Ondjaki. Muitos são também os autores de expressão espanhola neste que é um encontro de autores de línguas ibéricas.
Festival interrompe Prémio Casino da Póvoa
O festival vai interromper, este ano, a atribuição do Prémio Casino da Póvoa, a principal distinção do certame, anunciou a presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim. Andrea Silva explicou que a decisão se prendeu com a mudança em curso na concessão de jogo na Póvoa de Varzim, já que o atual operador do casino — a empresa Varzim-Sol — não irá continuar e, por isso, não renovou o apoio financeiro ao evento, nomeadamente ao prémio literário, no valor de 25 mil euros.
Por outro lado, este ano, a conferência de abertura, marcada para a tarde de dia 25, estará a cargo de José Carlos Vasconcelos. Mas desta vez, como diz a organização, com as voltas trocadas, já que em vez de ser o habitual moderador da sessão, será ele mesmo, o antigo diretor do Jornal de Letras e escritor, o homenageado e orador da sessão.
“Não lhe toca o papel de moderador, mas de entrevistado. Uma inversão de papéis que constitui uma justa homenagem a quem construiu a sua vida em torno das letras, das Correntes e da Póvoa”, refere a organização.
Para além das conversas, dezenas de lançamentos de novos livros, haverá também um programa que inclui a antestreia nacional de “De Lugar Nenhum”, um filme do realizador Miguel Gonçalves Mendes que traça um retrato do escritor Valter Hugo Mãe. Haverá também uma exposição de desenhos da cantora Márcia. “É Preciso Espaço Para Falhar” é uma mostra que reúne 100 obras e que percorre 20 anos de criação artística da artista. A exposição estará patente no Cine-Teatro Garrett, o epicentro dos encontros com os escritores. Na edição deste ano será ainda apresentado o espetáculo audiovisual “Supplica” de Hélder Luís que presta homenagem aos náufragos da tragédia marítima de 27 de fevereiro de 1892.
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por Maria João Costa in Renascença | 10 de fevereiro de 2026
Notícia no âmbito da parceira Centro Nacional de Cultura | Rádio Renascença

