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Museu Medeiros e Almeida faz 25 anos e quer chegar a mais público

O Museu Medeiros e Almeida (MMA), no centro de Lisboa, abriu portas há 25 anos, e expõe 2.000 peças datadas entre 30 antes de Cristo e o século XX, e quer chegar a mais público.

Facebook do Museu Medeiros e Almeida

O Museu encontra-se instalado num palacete do século XIX, no centro da capital, que foi antiga residência do empresário António de Medeiros e Almeida (1895-1986), e conta com um edifício anexo, mandado construir pelo empresário com o propósito de acolher a coleção que deu origem ao espólio museológico.

Desta coleção fazem parte as primeiras porcelanas importadas da China, peças em terracota e cerâmica vidrada das dinastias chinesas Han, Tang e Song, quadros de mestres como Pieter Brueghel, o Jovem (1564-1638) Giovanni-Domenico Tiepolo (127-1804), François Boucher (1703-1770), João Vaz (1859-1931), Henrique Medina (1901-1988), peças em prata, esmalte, lápis-lazúli, relógios, joias, leques.

Para a diretora do museu, Maria Mayer, “o maior desafio" que este "enfrenta é o da comunicação, isto é a divulgação”.

A responsável referiu-se à “divulgação”, como um dos eixos das funções de um museu, ao lado do estudo do seu acervo e a da sua conservação.

“A divulgação tem sido o ponto onde temos tido mais dificuldades, porque atualmente, fazer comunicação numa escala, que se reflita em termos de visitantes é oneroso”.

Para Maria Mayer face ao trabalho desenvolvido, se não há visitantes, “o objetivo fica a meio”.

No ano passado, visitaram o MMA cerca de 14.000 pessoas, “o que é manifestamente pouco”, reconheceu.

Maria Mayer disse que o facto de o Museu ser de tutela privada, faz com que não beneficie de sinergias como as dos museus nacionais, mas considerou também que “o público em geral é preguiçoso para ir aos museus”.

O MMA disponibiliza programas escolares gratuitos, “mas [as escolas] não vêm, porque é difícil chegar aqui, a questão do estacionamento, dificulta”, disse Maria Mayer.

O Museu sobrevive apenas das suas próprias fontes de rendimento, designadamente o arrendamento de um edifício de escritórios, nas proximidades, o que foi previsto pelo instituidor nos estatutos.

António de Medeiros e Almeida legou um terreno nas proximidades do Museu com o intuito de ser construído um edifício de arrendamento, prevendo deste modo a sustentabilidade financeira do Museu. É dos arrendamentos deste edifício que vem a dotação do MMA, e está previsto, a partir da segunda residência do empresário, ao lado do Museu, a construção de um hotel que contribuirá também para a dotação do MMA.

O MMA faz parte desde há cerca de quatro anos da Rede Portuguesa de Museus “que ajuda a concorrer a fundos e programas como o Pró-Museus”.

“Até ao momento não beneficiámos de quaisquer dinheiros” do Estado, garantiu.

O Museu expõe 2.000 peças, mas em reserva estão 7.000. Cronologicamente a coleção abrange desde o ano 30 a.C. até ao século XX, nomeadamente os relógios, "o mais importante e significativo núcleo da coleção".

Estão expostos 260 relógios sendo de referir um exemplar em ouro, esmalte, pérolas e brilhantes, do fabricante londrino William Anthony, datado de 1815, e um relógio de mesa despertador em bronze, prata e ferro, do século XVIII, com a assinatura do relojoeiro britânico Godfrie Poy.

Trata-se de uma “coleção estanque”, isto é, não se vai acrescentar peças ao legado deixado pelo empresário. Havendo uma mobilidade entre peças em exposição e as peças nas reservas. Algumas peças nas reservas são apresentadas em exposições temporárias. “Sem dúvida que as melhores peças estão na exposição permanente, mas há muitas pequenas coleções e núcleos interessantes que estão nas reservas por falta de espaço, até porque a casa não estica". Dada a variedade de materiais que coexistam no Museu - desde madeiras a bronzes, telas e têxteis - este beneficia de uma climatização especial, um sistema de ar tratado que foi colocado em 2011.

O Museu teve sempre “a melhor tecnologia, já no tempo de Medeiros e Almeida”, e, quando abriu ao público, há 25 anos, dispunha “da melhor tanto em termos de conservação preventiva como de luminotecnia”, disse Maria Mayer.

“No tocante à conservação preventiva, dada a variedade de materiais, foram estabelecidos os níveis médios, tanto de humidade como de temperaturas relativas, que são mantidos por um sistema de grelhas e uma máquina que vai compensando as variações de temperatura e humidade, tanto pelas condições climatéricas como pela presença de público”, explicou.

Medeiros e Almeida adquiriu muitas peças no estrangeiro, apesar de comprar também em Lisboa, onde “não havia antiquário que não o conhecesse”. Nas compras efetuadas no estrangeiro “tinha sempre o gesto de que o seu nome não ficasse registado, ficando sempre como ‘colecionador privado’ ou no nome do agente que fazia as compras por ele, portanto foi-se esfumando no tempo a sua figura”.

As peças da coleção, têm uma pasta de documentação “muito completa” com as respetivas faturas, e todo o processo até à sua aquisição, “algumas até com fotografias, o que era raro na época”.

“Sendo muito eclético no seu gosto, há um claro pendor francês, de acordo com o gosto da época”.

O MMA é “uma casa de personalidade e de coleção, a personalidade é António Medeiros e Almeida que foi um dos grandes empresários do século XX português, cuja biografia merece ser conhecida assim como a coleção que ele constituiu”.

“Como é que este homem não é mais conhecido? Mas ele próprio, a partir de dada altura, foi-se afastando dos negócios para se dedicar cada vez mais ao museu, que foi um projeto que começou a delinear nos anos 1960, e à sua coleção, e foi ficando mais no esquecimento”.

>> Site Oficial  


Fonte: LUSA | 8 de março de 2026

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