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"Filodemo" estreia-se no Dia Mundial do Teatro com três dias gratuitos

Sobe ao palco da Sala Estúdio Valentim de Barros, nos Jardins do Bombarda, em Lisboa, a peça escrita no século XVI por Luís de Camões. Com os atores João Grosso e José Neves e encenação de Pedro Penim, a peça usa o texto original.

© Filipe Ferreira/TNDM II

A peça "Filodemo" de Luís de Camões sobe ao palco na sexta-feira, Dia Mundial do Teatro, na Sala Estúdio Valentim de Barros, nos Jardins do Bombarda, em Lisboa. Com entrada gratuita nos dias 27, 28 e 29 de março, mediante levantamento de bilhete, “Filodemo”, escrita no século XVI, regressa ao palco no século XXI pela mão de Pedro Penim. O diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II quer mostrar um Camões “plural” e democrático.

“Camões é usado mais como monumento e, às vezes, até como definição de uma certa ideia de portugalidade, de mecanismo para avaliar a pureza da nacionalidade e da raça”, critica Penim, em entrevista ao Ensaio Geral, da Renascença. O encenador pretende com este espetáculo “resgatar” esta peça e torná-la “uma obra de pluralidade e de multirreferencialidade”.

Na Sala Estúdio Valentim de Barros, nos Jardins do Bombarda, usada enquanto o D. Maria II continua em obras, vão estar em palco João Grosso e José Neves – atores do elenco residente –, e atores como Vítor Silva Costa no papel de Filodemo, Ana Tang, Bernardo de Lacerda, Guilherme Arabolaza, Mariana Magalhães, Stela, entre outros.

Esta comédia, que vai estar em cena até 18 de abril, em Lisboa, revela a “fonte de inventividade” e a “escrita genial de Camões”, indica Pedro Penim. “O teatro do Camões é muito pouco conhecido e este teatro já carrega muitas das marcas que são universalmente conhecidas como as marcas da sua genialidade, sobretudo na lírica e no poema épico”, destaca.

Peças como esta “foram escritas por Luís de Camões para serem representadas e não para serem só lidas”, lembra Penim, que lamenta que “estas peças têm andado um bocadinho arredadas da cena”. “Não há assim tanto interesse dos criadores em encenar estas peças”, diz o encenador, que considera essa uma “missão” que o D. Maria II abraça.


© Filipe Ferreira/TNDM II 


“Há um lado porventura mais politizado”, refere Pedro Penim, para quem “Filodemo” é uma peça definidora da “nossa civilização”. Contudo, o encenador vê uma certa instrumentalização de textos como estes nos dias que correm.

“Muitas vezes estas peças são usadas para uma sensibilidade mais conservadora que tenta colocar estas obras que são património, num certo paradigma mais conservador. Há aqui um terreno que me parece muito importante que seja ocupado, uma outra sensibilidade mais democrática e mais plural”, diz de forma crítica.


© Filipe Ferreira/TNDM II 


Camões, sem mexer numa vírgula

A tentação estava lá, poder trazer o texto para o século XXI, mas Pedro Penim resistiu. Usa o texto original de Camões. O encenador fala numa “espécie de necessidade de respeitar a palavra do autor e de respeitar as suas ideias”.

“O texto que poderão ver na Sala de Estúdio Valentim de Barros é o texto do Camões. Não houve nenhuma intervenção”. Penim fala na necessidade de “deixar respirar” a obra do poeta lírico e usá-la “em vozes e corpos do século XXI”.

Há, contudo, “um pequeno prólogo” escrito por Pedro Penim “e que é dito em cena”, onde são elencados alguns dos princípios que o encenador quer trazer para esta leitura de uma obra que terá sido escrita por Camões na sua juventude.

Depois de Lisboa, onde estará em cena até dia 18 de abri, "Filodemo" irá ser apresentado a 24 de abril no auditório Municipal Beatriz Costa, em Mafra, e dia 15 de maio na Casa Cultura de Ílhavo.


por Maria João Costa in Renascença | 26 de março de 2026
Notícia no âmbito da parceira Centro Nacional de Cultura | Rádio Renascença

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