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Filme póstumo de António da Cunha Telles "Cherchez la Femme" estreia-se a 23 de abril

"Neste ponto final da minha carreira, pretendo fazer um filme à glória da mulher", escreveu António da Cunha Telles em 2022, pouco antes da sua morte.

Foto: Miguel Malheiro e Rita Carmo

O filme "Cherchez la Femme" ("Procure a mulher", em português), que o produtor e realizador António da Cunha Telles tinha em mãos quando morreu em 2022, vai estrear-se nos cinemas a 23 de abril, revelou a Ukbar Filmes, que o distribui.

"Cherchez la Femme" inspira-se livremente no conto "A confissão de Lúcio" (1914), de Mário de Sá-Carneiro, e conta com interpretações de Ângelo Rodrigues, Romeu Costa e Joana Barradas no trio central da narrativa: Lúcio Vaz, Ricardo de Loureiro e Marta.

O filme foi rodado pouco antes da morte de António da Cunha Telles, em novembro de 2022, aos 87 anos, e foi finalizado postumamente por Pandora da Cunha Telles e André Rosa Carvalho.

"Neste ponto final da minha carreira, pretendo fazer um filme à glória da mulher e retomo o título sugerido pelo próprio Sá-Carneiro, 'Cherchez la Femme', provavelmente correspondia à sua íntima intenção. O filme será tratado com intriga e suspense, como se de um filme de Hitchcock se tratasse", escreveu Cunha Telles na nota de intenções deixada.

Sob a forma de uma confissão policial, Mário de Sá-Carneiro (1890-1916) relata a história de dois homens, personagens centrais: Lúcio e Ricardo de Loureiro, de cuja morte o primeiro é acusado e pela qual, apesar de protestar a sua inocência, se encontra preso.

Considerada uma narrativa de vanguarda para a época, por romper a tradicional conceção da novela como tema, desenvolvimento e desenlace, "A Confissão de Lúcio" foi redigida em apenas um mês e reflete três das obsessões de Sá-Carneiro – o suicídio, as perversões do amor e a loucura.

"A ideia simplista de 'A Confissão de Lúcio' ser a explicação elegante da relação entre dois homossexuais, é posta em questão. O amor pode existir entre dois ou mais seres, independentemente do seu género", sublinhou António da Cunha Telles na nota de intenções.

A longa-metragem teve financiamento do Instituto do Cinema e do Audiovisual, com apoio de RTP, Fundo de Apoio ao Turismo e Cinema, Câmara Municipal de Lisboa e Lisboa Film Commission e da plataforma de "streaming" Netflix.

António da Cunha Telles foi uma das mais importantes figuras do Cinema Novo português nos anos de 1960, enquanto produtor de filmes fundadores daquele tempo, como "Os Verdes Anos" (1963), de Paulo Rocha, e "Belarmino" (1964), de Fernando Lopes.


Fonte: LUSA | 31 de março de 2026

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