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Bons Sons assinala 20 anos com dez palcos, novos projetos e manifesto de resistência

O festival Bons Sons regressa à aldeia de Cem Soldos, em Tomar, de 6 a 9 de agosto, para celebrar 20 anos de história com uma edição dedicada à “resistência”, à cultura portuguesa e à afirmação do mundo rural.

Festival Bons Sons © Carlos Manuel Martins
“A resistência é o manifesto desta edição, mas o próprio festival já é, em si, um movimento de resistência”, afirmou João Rufino, um dos responsáveis pela programação e direção artística do festival, destacando a 13.ª edição, que cruza tradição, contemporaneidade e novos projetos emergentes.

A apresentação foi feita na Igreja de São Sebastião, na localidade de Cem Soldos (distrito de Santarém), que habitualmente acolhe o Palco Carlos Paredes, e que este ano não integrará o recinto devido a obras de requalificação da cobertura.

“Quisemos assinalar aqui a apresentação porque a requalificação deste espaço também é um marco importante”, afirmou Filipe Cartaxo, presidente da direção do SCOCS, entidade organizadora.

Segundo o responsável, a obra é “um objetivo comunitário” aguardado há anos, à semelhança da requalificação do Largo do Rossio, concluída antes da edição de 2024.

A 13.ª edição volta a ocupar o perímetro da aldeia com dez palcos distribuídos por ruas, largos, eiras, hortas, auditório e espaços ao ar livre, mantendo a aposta exclusiva na música portuguesa e numa programação multidisciplinar que cruza concertos, dança, cinema, ambiente e atividades para a comunidade.

“Na programação tentamos valorizar a tradição, pensar na contemporaneidade e no futuro, em projetos emergentes”, afirmou João Rufino, destacando a transversalidade de géneros e projetos.

Entre os nomes hoje confirmados estão Quinta do Bill, Rita Redshoes, Luca Argel, Luta Livre, Cacique’97, 800 Gondomar, Jonas – Maçã de Adão, Xullaji, Miss Universo, Mães Solteiras, MXGPU, Romeu Bairos e Seara, projeto que junta Amélia Muge, Júlio Pereira e Rão Kyao.

“Há projetos que estão a aparecer mais, outros já vinculados ao panorama musical, mas para nós é importante este diálogo entre tradição, futuro e comunidade”, acrescentou Rufino.

A edição traz novidades, como o alargamento da programação a espaços fora do centro da aldeia, nomeadamente através do Palco Rosa Ramalho, instalado em hortas e eiras, e o lançamento do “Estúdio de Vídeo de Cem Soldos”, projeto educativo para crianças locais.
O orçamento do festival ronda um milhão de euros, refletindo “a inflação dos novos tempos e o crescimento da estrutura face à edição anterior”, explicou Filipe Cartaxo, destacando os apoios da Câmara Municipal de Tomar, da Junta de Freguesia da Madalena e Beselga, entidades privadas, receita de bilheteira e a dinâmica económica associada ao evento.

João Rufino sublinhou a ligação entre o festival e a aldeia: “O Bons Sons já faz parte da aldeia e a aldeia faz parte do Bons Sons”, referindo-se ao impacto social e cultural que tem ajudado a manter população, escola primária e jardim de infância.

O presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão, destacou à Lusa, por sua vez, a dimensão nacional do evento: “O Bons Sons é uma referência muito mais do que para Tomar, muito mais do que para a região. É uma referência para o país.”

Entre os momentos simbólicos da edição está a estreia da Quinta do Bill no cartaz, coincidindo com os 20 anos do festival e a aproximação dos 40 anos de carreira da banda tomarense.

“É um prazer enorme, um grande orgulho. É um projeto que já tínhamos há muito tempo e finalmente vamos conseguir concretizar”, afirmou Carlos Moisés, vocalista do grupo.

“Foi sempre uma aldeia muito singular, de referência no que toca à dinâmica cultural do concelho de Tomar”, declarou à Lusa.

Os bilhetes para a 13.ª edição estão na terceira fase de venda, com o passe geral de quatro dias, incluindo campismo, a 60 euros. Na quarta fase, passará para 70 euros. Os bilhetes diários já estão disponíveis.

A programação completa pode ser consultada em bonssons.pt


Fonte: LUSA | 7 de abril de 2026
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