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Exposição revisita 70 anos de criação do artista Júlio Pomar

O Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, apresenta 53 obras que percorrem sete décadas de criação artística de Pomar. Patente até 6 de setembro, a mostra “A Cola não faz a Colagem” marca o centenário do pintor.

© António Jorge Silva/Atelier-Museu Júlio Pomar

“É uma antológica da obra de Júlio Pomar que apanha obras de sete décadas”, explica Sara Antónia Matos, a curadora da exposição “A Cola não faz a Colagem”, que inaugurou esta quarta-feira no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa.

A mostra reúne 53 trabalhos do artista cujo centenário do nascimento se assinala este ano. Nas paredes estão pinturas, desenhos, assemblagens, mas há também escultura. Em entrevista, a também diretora do Atelier-Museu explica que esta exposição reflete sobre a técnica da colagem, “mesmo quando não usa cola”.

“A ideia é que muitas vezes recorreu à sobreposição de planos, ao recorte de figuras onde deixa ver a ideia de figura-fundo e depois também há colagem de tecidos sobre telas, tecidos sobre papéis, papéis sobre tecidos e, a dada altura, ainda colagem de objetos sobre tela para criar novos sentidos”, explica Sara Antónia Matos.

Numa curadoria conjunta com Pedro Faro e Constança Pupo Cardoso, a diretora do Atelier-Museu diz que esta exposição mostra a marca de Júlio Pomar (1926-2018). “Nunca deixa de ter a identidade de Júlio Pomar, sabendo nós que muitas vezes ele foi variando nas técnicas e nos processos”.

A curadora explica que, “muitas vezes”, o artista surpreendia, “no sentido em que não se esperava dele determinadas obras ou determinados processos de trabalho”. A exposição espelha por isso, a diversidade de processos criativos a que Pomar recorreu “para renovar a sua obra”.

Nas várias décadas exibidas percebem-se as diferentes épocas artísticas. “Desde aquele período que anuncia a chegada do neorrealismo, onde as figuras são muito recortadas, até, depois uma fase erótica, onde há colagens de elementos corporais sobre outros. Depois, finalmente, um conjunto de telas com novas figurações, onde há objetos por cima das figuras pintadas”, diz Sara Antónia Matos.

Para Júlio Pomar, “a colagem é um conceito”, sublinha a curadora. “A ideia de juntar, aglutinar, transformar os sentidos ou até de irromper, ser disruptor nas narrativas mais usuais, é sempre um motor de trabalho para ele”.

O título da exposição recupera uma citação do artista alemão Max Ernst, apropriada por Pomar num dos seus textos, fazendo também referência a Henri Matisse (1869-1954), artista também conhecido pela sua técnica de recortes e colagens.

Questionada sobre o fim da Fundação Júlio Pomar, a diretora do Atelier-Museu concretiza que “todo o espólio ficará no Atelier-Museu em permanência”.

“A extinção da Fundação foi por iniciativa própria e porque entenderam que o Museu também estava a fazer o trabalho necessário. Todo o espólio da Fundação passa a ser propriedade do museu e da EGEAC”, explica.

“É uma fonte de riqueza para nós no sentido que nos permite continuar a investigar a obra, a valorizá-la e a atualizá-la. É nesse âmbito que estamos a desenvolver o terceiro volume catálogo raisonné. Permite ir descobrindo a localização das obras mais relevantes, porque muitas não são propriedade do museu, nem desta coleção”.

É com base neste conhecimento que o Atelier-Museu pensa agora exposições futuras neste que é o ano da comemoração do centenário de Júlio Pomar. A exposição ficará patente ao público até 6 de setembro. O programa de comemorações inclui o lançamento de um prémio de pintura e exposições em Portugal e no estrangeiro.


por Maria João Costa in Renascença | 6 de maio de 2026
Notícia no âmbito da parceira Centro Nacional de Cultura | Rádio Renascença

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