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Inês Vaz lança novo disco "Espelho"

Um disco de música erudita, Acordeão e Quarteto de Cordas, com especial foco na gravação do Quinteto em Lá Maior Nº2, op.81 de Antonín Dvorák.

ESPELHO
Quantas vezes olhámos o espelho e não nos reconhecemos, ou simplesmente desviámos o olhar?
Quantas vezes essa reminiscência se refletiu no olhar do outro, ou do outro em relação a nós?
E por quantas vezes essa ausência de um olhar sobre nós, sobre o outro, sobre o mundo, se propaga como um rastilho que incendeia e deixa de revelar a transparência, a verdade do espelho do mundo, deixando-o absolutamente enevoado...

Partindo de um olhar sobre o Espelho, a acordeonista Inês Vaz convida-nos a ouvir o seu novo disco (Espelho), gravado com o quarteto de cordas dos Solistas da Camerata Atlântica, Ana Beatriz Manzanilla (violino), João Vieira de Andrade (violino), Pedro Saglimbeni Muñoz (viola) e Jeremy Lake (violoncelo), uma das mais prolíficas e ativas formações de câmara atuais.

O poema O Espelho à entrada de Konstandinos Kavafis, pela voz da atriz Patrícia André, dá início à narrativa do disco, servindo como uma introdução à escuta do Quinteto em Lá Maior Nº2, op.81, de Antonín Dvorák, pela primeira vez interpretado e gravado no acordeão, e não no piano, como é amplamente ouvido e conhecido, um dos grandes focos deste trabalho discográfico. Quem sabe, como um Espelho do tempo que nos transporta para a reflexão se esta obra poderia ter sido escrita especificamente para esta formação, caso na época, o compositor tivesse acesso ao acordeão, à imagem do que ele representa nos dias de hoje.

A profunda riqueza harmónica e melódica desta peça, traduz-se em pleno quando se trata da relação especular que resulta da sonoridade conjunta de um acordeão e quarteto de cordas. 

E é deste pensamento existencial acerca deste instrumento contemporâneo, com necessidade de expandir mundos, mas também de resgatar um certo ‘refúgio no tempo’ (que poderia quem sabe ter sido seu também!), que surge esta ideia de realizar mais um contributo para difundir o arquivo de gravações ainda tão recente e reduzido para o instrumento, juntando ao repertório duas peças contemporâneas e específicas para a formação, Two Keys to one Poem by J. Brodsky de Sergey Akhunov e Improvisata de Paulo Jorge Ferreira, também pela primeira vez gravada. Ao longo do disco, surgem mais dois poemas que intercalam as peças do disco, Lua de Maria Teresa Horta, e A Verdade de António Ramos Rosa, que recentram a música e a narrativa descrita no olhar sobre o Espelho.

Este é o terceiro disco de Inês Vaz, o segundo que faz parte de uma trilogia, Pétala (2024), Espelho (2026) e Véu (a editar), cuja primeira peça já foi gravada, no passado mês de abril, no Abbey Road Studios em Londres, com uma orquestra de cordas residente. 

Espelho, é uma gravação muito especial, que marca uma parceria profissional de cerca de 10 anos com a Camerata Atlântica e também mais um passo importante no caminho de Inês Vaz enquanto música, e enquanto acordeonista profundamente comprometida com a causa de divulgar e expandir o conhecimento acerca do seu instrumento.

Saiba mais em https://inesvaz.com/ 

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