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"A Arte Militar"

Um dos grandes clássicos militares chineses. Hoje, tanto precisa de o ler um CEO quanto um bom primeiro-ministro.

«Aquele cujas forças sejam divididas enfraquece?se. Aquele que alberga no seu coração a dúvida acaba por fugir. Ou seja, se a energia de um homem é débil, ele não será capaz de participar com vigor nas manobras e deixará o inimigo escapar por entre os dedos. O general, os comandantes, os oficiais, os soldados devem avançar e recuar como se fossem um só corpo. Se nos seus corações se albergar a dúvida da derrota, ao receberem as ordens, não reagirão; quando as manobras estiverem completas, não se imobilizarão e estarão minados por intrigas perniciosas e palavras vazias. Se o comportamento do general não inspirar os soldados e eles não seguirem a formação militar regular, ao atacarem, serão sangrentamente vencidos. Sobre isto, foi dito: “O soldado que antecipa a sepultura não tem valor na batalha.”»  

A Arte Militar de Wei Liao Zi, como clássicos chineses anteriores – A Arte da Guerra, de Sun Tzu, ou Os Seis Ensinamentos Secretos, de Jiang Ziya –, é um tratado que procurou responder, em parte, à emergência de novas técnicas militares, mas sobretudo à transformação da escala das guerras, que passaram de conflitos locais a campanhas de grande dimensão.

A guerra envolvia agora a mobilização de exércitos que podiam ir além da centena de milhares de soldados, envolvendo também tropas com aptidões especiais ou o uso da cavalaria com os seus carros de combate e bestas de gatilho de cobre, além de exigir a construção de sólidas fortificações e muralhas.

As lutas foram contínuas e o facto é que, há 27 séculos, a China debatia já, e debatia amplamente, um conceito a que a civilização europeia era então alheia: o de «estratégia».

Hoje, a clássica estratégia militar chinesa continua a ser sedutora e legível, aplicando-se tanto ao ataque e defesa militares quanto à economia e à gestão de empresas, ou mesmo ao governo das nações. 

Wei Liao Zi, aliás mestre Wei Liao – uma vez que o termo «Zi» é, em chinês, um título honorífico, que neste caso significa mestre –, foi um estratega e estudioso, e terá vivido entre 370 e 319 a. C. Quem era este mestre Wei Liao? Especulando, com alguma legitimidade: talvez tenha sido um militar. E, a sê-lo, só pode ter sido de alta patente, claro. O que se lê neste seu tratado obrigou os investigadores a admitir que teria um profundo conhecimento de todos os aspectos concretos da vida marcial. A sua competência parece indiscutível.

Mas terá mesmo sido um militar no terreno ou seria só um observador e conselheiro?

O tratado data do período de um grande estadista do reino Qin, o senhor de Shang, e Wei Liao poderá também ter sido um letrado ao serviço da corte, que escreveu um ensaio por encomenda apenas para corroborar a bondade e a grandeza das acções militares do império. Não há documentos históricos que confirmem ou desmintam nenhuma destas possibilidades.

O mestre Wei Liao é uma daquelas maravilhosas sombras que, como Homero, deambulam pelo passado, fantasmas da sua própria existência ou inexistência, a jogar xadrez com a nossa imaginação. 

Autor: Wei Liao
Tradutor(es): Manuel Fonseca
Coleção: Fora de Colecção
ISBN: 978-989-785-489-7
Data de publicação: 14/07/2026
Páginas: 128
Capa: Brochada
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